A roteirista de O Diabo Veste Prada 2 negou os rumores de que parte do filme — que apresenta uma trama em que um bilionário de alto perfil tenta adquirir a fictícia revista de moda Runway — teria sido inspirada no bilionário Jeff Bezos e em seu suposto interesse em comprar a Condé Nast.
Aline Brosh McKenna, responsável pelo roteiro de O Diabo Veste Prada e de sua sequência, afirmou à Variety que o script já estava finalizado e o filme em produção quando começaram a surgir rumores de que Jeff Bezos — fundador da Amazon e proprietário do The Washington Post — teria interesse na Condé Nast, empresa-mãe da Vogue.
Os rumores ganharam força em julho do ano passado, impulsionados por especulações de que Bezos estaria interessado em comprar a editora como presente de casamento para sua esposa, Lauren Sánchez Bezos, que estrelou a capa digital da Vogue no mesmo mês. Questionada sobre a possível aquisição, Sánchez disse posteriormente ao The New York Times: “Quem me dera!” e depois “Não”.
O filme traz Justin Theroux como o possível comprador bilionário e Emily Blunt como sua parceira no universo da alta moda. Os primeiros espectadores rapidamente traçaram um paralelo com Bezos e Sánchez, que foram recebidos no alto escalão da elite fashion pela Vogue (a inspiração real para a revista fictícia Runway) e foram os coanfitriões do Met Gala 2026 na noite de segunda-feira (4).
McKenna afirmou que a trama retratada no filme, incluindo o casal, “não foi inspirada em nada”.
“Mas ficamos ‘Uau’ quando isso aconteceu”, comentou McKenna, referindo-se aos rumores envolvendo a Condé Nast.
Contexto importante
Os Bezos foram anunciados em fevereiro como patrocinadores financeiros do Met Gala e, desde então, também nomeados presidentes honorários do evento deste ano, ao lado da editora-chefe da Vogue, Anna Wintour, além de Beyoncé, Nicole Kidman e Venus Williams.
A inclusão do casal, no entanto, gerou uma onda de críticas: alguns questionam o lugar deles na elite da moda, outros os transformaram em símbolo do crescente sentimento anti-riqueza no país, enquanto há também críticas ao apoio de Bezos ao presidente Donald Trump. O evento passou a ser apelidado de “Amazon Prime Gala” ou “Bezos Ball”, e um grupo ativista chamado Everyone Hates Elon tem convocado um boicote ao evento, além de promover campanhas pela cidade de Nova York.
Na sexta-feira (01), o grupo teria colocado cerca de 300 garrafas de urina falsa dentro do Metropolitan Museum of Art — local do evento e instituição beneficiada — em referência a denúncias de trabalhadores da Amazon que seriam forçados a pular pausas para ir ao banheiro. No domingo, o grupo projetou vídeos com entrevistas de funcionários da Amazon no Empire State Building e em outros prédios da cidade.
Número relevante
US$ 100.000 (R$ 550.000). Esse é o valor de um ingresso para o Met Gala, cuja arrecadação beneficia o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art.
Principais críticos
Diversas celebridades indicaram que faltariam ao evento neste ano. O prefeito de Nova York costuma comparecer, mas o recém-eleito Zohran Mamdani afirmou que não iria, para focar em questões de “acessibilidade”.
Modelos e frequentadoras assíduas do evento, Cara Delevingne e Bella Hadid chamaram atenção ao curtirem um vídeo no Instagram que criticava previamente celebridades por participarem do evento usando broches “ICE Out”, em protesto contra políticas de imigração.
“Você não pode usar o broche ‘ICE Out’ no Met Gala financiado por Jeff Bezos. Jeff Bezos é parte da razão de estarmos nessa situação”, diz o vídeo. “Jeff Bezos apoia isso.”
A atriz Taraji P. Henson, que participou do evento no ano passado, comentou no mesmo vídeo: “Estou muito confusa com algumas pessoas que vão.”
Outras estrelas que faltaram o evento incluem Zendaya e Meryl Streep, que teria recusado o convite para ser coanfitriã.
O bilionário da Meta, Mark Zuckerberg, e sua esposa, Priscilla Chan, também estrearam no evento deste ano.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com