Não existe um oceano sequer no mundo que José Guilherme Caldas não tenha atravessado a bordo de um veleiro. Neurocirurgião do hospital Sírio-Libanês, ele divide a rotina entre os pacientes em São Paulo e longas travessias oceânicas. Assim, navegando, já cruzou o Oceano Atlântico 18 vezes – uma delas em um barco solitário. Recentemente, em abril, acompanhado somente do skipper Luiz Bolina em um Classe 40, ele completou a prova Globe 40, uma regata de volta ao mundo que durou oito meses. Concluir a travessia já seria um feito, mas a dupla foi além: terminou em primeiro lugar na categoria Sharp.

Velejador experiente, José Guilherme compartilha algumas recomendações para quem deseja explorar o verão europeu a bordo de um barco – como ele mesmo faz sempre que a vida de médico permite. “Lá é possível embarcar em um veleiro poucas horas depois de descer do avião, graças à infraestrutura integrada entre marinas, aeroportos e serviços náuticos”, aponta
O barco
A escolha depende do tipo de navegação desejada. Para quem busca uma experiência mais esportiva e clássica de vela, com poucas pessoas a bordo, um monocasco cruiser de 40 pés ou mais é uma boa opção. Entre os estaleiros mais populares estão o Bénéteau, o Bavária e o Hanse. No entanto, para viagens em família ou grupos grandes, a melhor escolha é um catamarã, que oferece maior estabilidade, amplas áreas sociais e menor inclinação durante a navegação. Nas versões de 50 pés, podem receber de 10 a 12 pessoas confortavelmente. Nesse caso, vale incluir um skipper e tripulação de apoio.
A rota
A costa da Croácia oferece uma das rotas mais acessíveis e seguras para navegação, com distâncias curtas entre ilhas e um clima relativamente previsível. Já para quem procura combinar natureza, gastronomia e vida noturna, a dica é navegar pelas ilhas Baleares – especialmente Ibiza e Formentera. No auge da temporada, porém, o intenso tráfego marítimo exige atenção redobrada em aproximações e fundeios. Para uma experiência mais sofisticada e reservada, com enseadas preservadas, a escolha ideal é a rota entre as ilhas de Córsega e Sardenha. Nesse caso, cuidado com a travessia no Estreito de Bonifácio, que pode trazer ventos mais fortes e um mar que exige um conhecimento mais técnico.
O charter
O mercado de charter europeu é altamente profissionalizado e oferece desde veleiros compactos até catamarãs de luxo com tripulação completa. Entre as principais operadoras estão a The Moorings (moorings.com) e a Sunsail (sunsail.com), com bases em destinos como Croácia, Grécia, Itália e Turquia. Já a Dream Yacht (dreamyachtcharter.com) opera na França e Espanha, ampliando as possibilidades de roteiros pelo Mediterrâneo.
*Reportagem publicada na edição 140 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.