Depois de alguns dias sob as altas temperaturas do verão europeu, deixei Milão rumo ao Lago di Como. Pouco mais de uma hora depois, cheguei a Torno, onde fica o Il Sereno, hotel que seria minha casa pelos próximos dias.
Achei que a memória que eu traria na mala seria a da arquitetura impressionante assinada por Patricia Urquiola ou da gastronomia refinada do hotel. Enganei-me. A lembrança mais marcante da viagem começou no momento em que coloquei uma playlist de clássicos italianos, respirei fundo e assumi o volante de um autêntico barco Riva.
A sensação de ser o capitão da própria jornada
Não existe meio-termo: conhecer o Lago di Como é uma coisa; vivê-lo da água é outra completamente diferente. Enquanto multidões percorrem as estradas sinuosas que conectam vilarejos como Bellagio e Nesso, quem conhece bem a região sabe que, ali, o lago é a verdadeira estrada. O barco é parte do estilo de vida local.
Confesso que, antes de zarpar, bateu um frio na barriga. Não tenho habilitação para conduzir embarcações, mas o concierge do hotel explica todo o processo com tanta tranquilidade que tudo parece muito simples. Depois de uma breve orientação, basta apresentar o passaporte, assinar um termo de responsabilidade e seguir para o lago.
Ao soltar as amarras, comecei devagar, me acostumando com o barco. Mas, conforme a confiança aumentava e o vento batia no rosto ao som de uma trilha italiana clássica, acelerei. A sensação foi difícil de explicar. Havia algo de especial em deslizar pelas águas verde-esmeralda, sentindo a potência do motor e a liberdade de definir o próprio caminho. Foi libertador.
Onde o design encontra a tradição
O Il Sereno, desde que abriu as portas em 2016, seguiu um caminho diferente dos hotéis históricos da região. Em uma terra marcada por palazzos centenários, a arquiteta espanhola Patricia Urquiola apostou no concreto, na madeira e em linhas contemporâneas que dialogam com a paisagem. Com apenas 40 suítes, o hotel trouxe uma nova leitura de luxo para o Lago di Como.
Essa mesma atenção ao design se estende à frota de barcos do estaleiro Cantiere Ernesto Riva, referência mundial em construção artesanal. Pilotar uma dessas embarcações é descobrir o lago por outra perspectiva: as villas históricas parecem ainda mais imponentes, os jardins ganham outro enquadramento e pequenas praias, muitas delas acessíveis apenas de barco, surgem ao longo do percurso.

O design em movimento
A paixão pelo fatto a mano italiano do Il Sereno não se resume ao lago. O hotel também mantém uma coleção de carros que inclui uma Maserati Quattroporte e um clássico Fiat 500. Para quem prefere a terra firme, o concierge organiza roteiros que vão de passeios em Ferrari até experiências de direção no circuito de Monza.
Mas, se me permitem um conselho: depois de uma tarde comandando um Riva entre as montanhas do Lago di Como, é muito difícil querer voltar para o volante de um carro.