O segredo sobre Malta não é mais segredo para ninguém. A apenas 60 milhas ao sul da Sicília, o deslumbrante arquipélago mediterrâneo desfruta de 300 dias de sol por ano — e o seu charme só aumenta. Viajar para lá ficou muito mais fácil com a rota inaugural direta da Delta dos EUA (saindo do Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York) para Malta, lançada no mês passado. Além disso, o status de luxo da ilha está ganhando um belo upgrade com a aguardada chegada, neste verão, do famoso beach club francês Bagatelle.
Um dos grandes motores por trás da evolução de Malta em um reduto de luxo é Alfred Pisani, fundador e presidente executivo do Corinthia Group. Em 1962, Pisani transformou um casarão maltês em um restaurante e, mais tarde, em 1968, em um hotel — a primeira propriedade da Corinthia. Hoje, sua marca prata da casa ganhou o mundo, com hotéis que vão de Nova York à recém-inaugurada unidade em Roma, além de destinos futuros que incluem Dubai, Lago de Como e Maldivas.
Nascido em Malta em 1939 e morador de lá a vida inteira, Pisani oferece uma perspectiva única sobre o que torna a pequena nação insular tão cativante. Abaixo, ele compartilha o segredo mais bem guardado de Malta, seus lugares favoritos e o prato que você precisa experimentar quando estiver na ilha.

Forbes: O que torna Malta especial para você?
Alfred Pisani: Malta é especial para mim não apenas por ser minha terra natal, mas porque ela é genuinamente única. Onde mais você consegue encontrar 7.000 anos de história, culturas diversas, igrejas magníficas, uma culinária rica, litorais impressionantes e o Mar Mediterrâneo azul-safira, tudo isso em uma ilha com apenas 17 milhas de extensão?
Como a ilha mudou ao longo dos anos?
Ao longo dos séculos, Malta foi moldada por fenícios, romanos, Cavaleiros de São João, franceses e britânicos. Foi também o único país fora do Reino Unido onde a falecida Rainha Elizabeth II morou por um longo período, durante seus anos como Princesa Elizabeth. Ainda assim, a ilha manteve sua própria identidade marcante, língua e tradições, permanecendo naturalmente bilíngue em inglês.
A Malta em que cresci era muito diferente da Malta de hoje. Até a década de 1960, a economia da ilha dependia muito da presença naval britânica. Desde a independência em 1964, Malta se transformou em uma das economias mais dinâmicas da Europa. O que antes era uma nação de agricultores e pescadores tornou-se um polo internacional de negócios, finanças e turismo, atraindo pessoas do mundo inteiro.
Minha vida, e a história da Corinthia, estão entrelaçadas com essa transformação. Após o falecimento inesperado do meu pai em 1960, minha família enfrentou grandes desafios financeiros. Junto com meus irmãos, transformamos o casarão da nossa família em um restaurante em 1962. Apenas alguns anos depois, construímos nosso primeiro hotel, o Corinthia Palace, que foi inaugurado oficialmente pelo Príncipe Philip, duque de Edimburgo, em 1968. Aquele começo humilde acabou evoluindo para a marca Corinthia, que hoje gerencia 32 hotéis de luxo pelo mundo.
O que fez você decidir ficar por lá?
Olhando para trás, me sinto privilegiado por ter construído um negócio internacional mantendo minhas raízes firmes em Malta. Houve um período, por volta de 1980, em que considerei me mudar para o exterior por motivos pessoais.
No fim das contas, escolhi ficar e nunca me arrependi dessa decisão. Malta sempre me deu um sentimento de pertencimento, e encontrei uma satisfação enorme em contribuir para o desenvolvimento do país enquanto criava minha família aqui.
Quando você tem uma manhã livre, para onde você vai?
Um dos maiores luxos de Malta é que nenhum lugar fica longe. Em 20 minutos, você pode estar assistindo ao nascer do sol sobre o mar ou desfrutando de uma tranquilidade absoluta na costa. Um dos meus lugares favoritos é Golden Bay, na costa noroeste da ilha, onde a praia de areia, as falésias impressionantes e as manhãs calmas são o remédio perfeito para recarregar as baterias.

Tivemos a sorte de adquirir um belo hotel por lá, afastado do corre-corre do dia a dia, com vistas deslumbrantes da baía e o privilégio de ter sua própria praia privativa. É um lugar onde posso realmente apreciar a beleza e a serenidade que Malta tem a oferecer.
Quando tenho uma manhã tranquila, fico igualmente feliz apenas sentado no meu jardim com um café, especialmente durante a primavera e o outono. Ouvir os pássaros no início do dia é um dos prazeres mais simples da vida, e algo que valorizo mais a cada ano que passa.
Qual é o prato que todo mundo deveria experimentar em Malta?
Malta oferece uma variedade extraordinária de restaurantes, com fortes influências mediterrâneas e italianas. Se existe um prato tradicional que todo visitante deve provar, é o coelho cozido no alho e vinho, um clássico maltês legítimo que reflete a herança culinária da ilha. Mas também adoro comer peixes e frutos do mar fresquíssimos em estabelecimentos simples à beira-mar.
Como seria o seu dia ideal em Malta?
Para quem está descobrindo Malta pela primeira vez, Valletta e Mdina são paradas obrigatórias. Valletta, construída pelos Cavaleiros de São João, é uma das capitais fortificadas mais belas da Europa. Seus pontos fortes incluem a Co-Catedral de São João, lar da maior e única obra-prima assinada de Caravaggio, e o Palácio do Grão-Mestre, com sua impressionante Armaria do Palácio. Igualmente cativante é Mdina, a Cidade Silenciosa, cujas ruas estreitas, palácios elegantes e atmosfera atemporal transportam os visitantes para outra era.
Além dessas cidades históricas, Malta oferece o magnífico Grand Harbour — um dos melhores portos naturais do mundo —, junto com templos pré-históricos que antecedem as pirâmides e as inúmeras festas de vilarejos da ilha, onde bandas coloridas marcham pelas ruas e shows pirotécnicos espetaculares criam uma experiência diferente de qualquer outro lugar no Mediterrâneo.

Qual é o segredo mais bem guardado de Malta?
O segredo mais bem guardado de Malta é o calor do seu povo. Há séculos, Malta acolhe viajantes de todo o Mediterrâneo e de fora dele: desde o naufrágio de São Paulo até os inúmeros visitantes que o sucederam. Eles encontraram não apenas um porto seguro em nossas praias, mas também uma recepção calorosa de nossa gente. A hospitalidade é algo natural para os malteses.
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com