Materiais naturais, luz em abundância e conexão com a natureza. É este o cenário desenhado pela CASACOR Bahia em um dos edifícios mais antigos de Salvador, a Casa Nossa Senhora das Mercês. Até o dia 6 de setembro, o público pode não só mergulhar no mundo da arquitetura, mas explorar pela primeira vez espaços até então inacessíveis do convento.
“Na Bahia, o contexto é diferente”, diz Magali Sant Anna, diretora da CASACOR Bahia. O clima tropical e a intensa relação com a natureza definem os mais de 40 ambientes desenvolvidos no local, em uma mostra que transmite identidade cultural e valoriza a economia criativa.
“Ter uma edição na Bahia significa reconhecer a relevância de um mercado em plena expansão, com uma produção arquitetônica consistente e profissionais que dialogam com as tendências globais sem perder suas referências locais. É também uma oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo como tradição, sustentabilidade, tecnologia e diversidade cultural podem coexistir de maneira sofisticada”, explica a executiva.
Nesta 32ª edição, nomes como Bruno Carvalho (de São Paulo) e Rodrigo Gherer (de Florianópolis) completam o elenco, ao lado dos baianos Marlon Gama, Rogério Menezes, Gabriel Magalhães, Dinah Lins e Milena Saraiva.

Sob o tema “Mente e Coração”, a mostra propõe o equilíbrio entre razão e emoção, tecnologia e sensibilidade. Segundo Magali, os arquitetos apostaram na integração entre natureza, iluminação planejada, materiais naturais, conforto acústico e soluções que favorecem o desacelerar.
“Cada edição da CASACOR reflete a identidade do lugar onde acontece. A edição de São Paulo frequentemente apresenta discussões ligadas à densidade das cidades e à inovação tecnológica. Na Bahia, vemos a presença muito forte da cultura regional, tanto na escolha de materiais quanto na valorização das texturas, das cores, da arte e da produção local”, explica.
A diretora reforça, no entanto, que não se trata de uma arquitetura regionalista, mas contemporânea, que sabe equilibrar inovação e identidade. Essa busca aparece também no resgate das memórias afetivas, com peças artesanais e materiais que contam histórias, de forma a despertar o senso de pertencimento.
As principais tendências da CASACOR Bahia
Muitos projetos da CASACOR Bahia incorporam recursos tecnológicos de maneira discreta e funcional, mostrando que inovação deve servir às pessoas e não o contrário. Outros, focam no resgate das memórias afetivas e conforto. Essas tendências juntas apontam para uma arquitetura mais consciente, sustentável, emocionalmente acolhedora e conectada às necessidades das pessoas. Segundo Magali, é exatamente o caminho que a CASACOR vem estimulando em suas edições nos últimos anos.
Algumas tendências aparecem de forma bastante consistente e indicam um novo momento da arquitetura e do design. A executiva discorre sobre elas.
- A busca pelo bem estar: Os espaços deixam de ser apenas funcionais e passam a contribuir diretamente para a qualidade de vida, saúde física e equilíbrio emocional.
- Sustentabilidade como princípio permanente: O uso consciente de materiais, a eficiência energética, a economia circular e soluções de baixo impacto ambiental deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos fundamentais.
- Valorização da identidade cultural: Em vez de ambientes padronizados, cresce o interesse por projetos autorais, que incorporam arte, design brasileiro, artesanato e referências locais.
- Tecnologia Humanizada: A tecnologia segue avançando, mas de maneira mais humanizada. Automação, inteligência artificial e conectividade passam a atuar de forma quase invisível, oferecendo conforto, eficiência e personalização da experiência de morar.
- Flexibilidade dos ambientes: Os espaços precisam acompanhar diferentes momentos da vida, permitindo múltiplos usos, integração e adaptação às novas formas de viver e trabalhar.

Arquitetos baianos para se inspirar
A CASACOR Bahia tem como principal compromisso revelar e fortalecer os talentos do estado. Ele atua valorização da produção regional, oferecendo visibilidade aos profissionais que constroem a identidade da arquitetura baiana – ao mesmo tempo que mantém um diálogo permanente com o cenário nacional, ao receber profissionais convidados e promover intercâmbios.
“Essa combinação entre talentos locais e conexões nacionais é um dos grandes diferenciais da mostra. Ela preserva a identidade baiana sem deixar de acompanhar as transformações da arquitetura contemporânea”, explica Magali.