Nos últimos dois meses, os apaixonados por design e arquitetura tiveram a chance de imergir em um universo que transforma decoração em arte e identidade na CASACOR São Paulo 2026. A temporada, que termina no próximo dia 9 trouxe 70 ambientes instalados no Parque da Água Branca. O tema que inspirou a mostra foi “Mente e Coração”, que coloca a arquitetura a serviço do bem-estar, das relações humanas e da conexão com a natureza.
Com área construída superior a 10 mil m², os ambientes variam de casas, estúdios e lofts até jardins, instalações artísticas e espaços de convivência. A 39ª edição do evento já recebeu 110 mil visitantes, promovendo eventos, palestras, ativações e encontros com marcas parceiras.
A ForbesLife esteve presente na mostra e, abaixo, listamos as nove principais tendências observadas.
9 tendências de decoração da CASACOR SP
Em 2026, a sensorialidade, o contato com a natureza e a identidade ganham protagonismo. Confira a seguir nove tendências que marcaram a 39ª edição do evento:
Priorização do aconchego
Os fãs do estilo cozy já podem comemorar, porque ambientes aconchegantes estão de volta. E faz sentido, já que o tema deste ano, “Mente e Coração” remete justamente à importância do bem-estar e ao acolhimento.
A abundância de almofadas, pufes, mantas e cortinas ajudam a criar uma atmosfera mais aconchegante e a sensação de relaxamento. No que se trata de decoração, a presença de quadros e livros são responsáveis pela sensação de pertencimento e memória afetiva.
Logo no início do circuito, o arquiteto Paulo Azevedo soube introduzir a sensação de aconchego, com o espaço Memórias Costuradas em Uso. Ao projetar uma cabana, ele soube equilibrar o espírito selvagem de um acampamento noturno com o conforto acolhedor de um quarto.
Texturas
Superfícies lisas foram raridade nesta edição da CASACOR. Paredes de palha, chãos de tijolos, tetos de madeira e tapetes de corda. As texturas invadiram todo o espaço, passando inclusive pelos móveis, decorações e estampas, construindo uma verdadeira experiência sensorial.
A Casa Memórias Essenciais, de Felipe de Almeida, por exemplo, combinou um ambiente rústico com grandes janelas, vigas expostas no teto, piso de tacos e uma ampla variedade de estampas e tecidos.
Tecidos nas paredes
A maioria esmagadora dos ambientes tinha algo em comum: tecido nas paredes. Apesar de papéis e pastilhas terem sido muito utilizados, os tecidos chamaram atenção ao criar ao mesmo tempo um ambiente aconchegante e criativo.
Linho, veludo, camurça e outros materiais aparecem em paredes inteiras, reflexo da valorização das experiências sensoriais que já foram apresentadas com as texturas. No espaço desenvolvido pelo Senac SP em parceria com o Estúdio Guto Requena, os tecidos vão desde o carpete no chão, passando pelo extenso sofá, até chegar nas paredes listradas em rosa e vinho.
Já Gui & Dado Castello Branco seguiram um caminho diferente no Apartamento Deca. Usar tecidos na sala ou no quarto pode parecer óbvio, mas os arquitetos provaram que é possível divertir-se com eles no lavabo. A parede revestida com tecido listrado em tom bordô traz uma ousadia à neutralidade do projeto.
Formas arredondas
As formas arredondadas são as responsáveis por dar o ar de suavidade, segurança e relaxamento dos espaços, estimulando o descanso e socialização. O projeto Casa Magma Portinari, da SUITE, apostou em uma sala de estar rabaixada, protagonizada por um extenso sofá terracota semi-circular. No quarto, o grupo apostou em uma cabeceira curvilínea e acolchoada.
Após anos de valorização do minimalismo, urge a necessidade de transformar o lar em um espaço de cura e acolhimento, em detrimento da funcionalidade extrema.
Maximalismo
Cores vibrantes, estampas marcantes, obras de arte e inúmeros objetos decorativos ganharam não só espaço, mas protagonismo. É a celebração da expressão individual e narrativas mais autênticas. E ninguém trouxe à vida o conceito de “mais é mais” tão bem quanto Marcelo Salum, na Casa Brastemp.
E chega ao fim o monopólio das cores neutras, com diversos ambientes apostando na mistura de cores do chão ao teto. O Lounge Mi Corazón, de Michele Warthon fez os visitantes olharem para cima.
Materiais naturais
Pedras, tecidos e fibras naturais reforçam o desejo da conexão com a natureza. Enquanto as pedras ganham destaque em bancadas, mesas e revestimentos, materiais como palha e fibra natural ocupam as paredes e até lustres.
O projeto Living Ritmo Vital, da MAAI Arquitetura Integrada, optou pelo uso da palha das paredes ao teto, em um ambinete que busca resgatar ancestralidade indígena. O material funciona como superfície de amortecimento, absorvendo ruídos e filtrando a luz.
Por outro lado, a escolha de espécies exóticas e plantas nativas preenchendo ambientes internos fortalecem uma vontade de deslocar o paisagismo de fora para dentro da casa.
Tons de ameixa
Os tons de ameixa e violeta profundos também ficam sob os holofotes da CASACOR 2026. A cor adiciona personalidade e cria atmosferas mais envolventes, dramáticas e sofisticadas.
O projeto Reflexões Intemporais, da Altera Arquitetura e Interiores, traz marcenaria em tom marsala profundo que camufla os eletrodomésticos, combinado com metais red gold e tampo de quartzito taj mahal.
Do ébano ao jacarandá, a escolha de madeiras em tons escuros de café, tabaco e grafite também contribui para trazer densidade visual e sensação de acolhimento à mostra, ao passo que adiciona toques de sofisticação. A escolha aparece em painéis, móveis e marcenaria.
A volta dos bares
Indo na contramão das gerações que optam cada vez mais por abandonar o álcool, a CASACOR vem trazendo de volta os home bars. Indo desde carrinhos pequenos até prateleiras luxuosas nas paredes, a ideia é trazer ao máximo a experiência de um bar para um espaço mais intimista.
Nildo José, por exemplo, optou por uma proposta diferente no Casa Coral Celeiro Alvorada: usar a longa lareira para dividir a sala de estar do bar.
Vitrais muito além das janelas
A presença de vitrais surge como reflexo da valorização da luz natural. Combinados a claraboias e janelas amplas, eles filtram a luminosidade, dando sofisticação e identidade aos projetos.
A arquiteta Letícia Nanetti utilizou um vitral em comum no banheiro e na cozinha. Feito de âmbar, uma resina vegetal fossilizada, o item surge em tons de mel, marrom, cereja e verde, criando atmosferas envolventes em formas arredondadas e fluídas.