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Como Transformar as Locações de ‘A Odisseia’ em uma Verdadeira Aventura Grega

Muito além do "turismo de tela": veja como o novo filme de Christopher Nolan coloca o Peloponeso em evidência e saiba como explorar a região fugindo das multidões

7 min

A nova adaptação cinematográfica de A Odisseia, o épico da Grécia Antiga escrito por Homero e dirigido por Christopher Nolan, traz diversas locações espalhadas pelo Peloponeso, dando aos viajantes um novo motivo para voltar os olhos para a região.

Embora visitar cenários de filmes seja geralmente o grande objetivo dos entusiastas do set-jetting, e se a viagem pudesse ir além de apenas tirar fotos em cada ponto?

Onde “A Odisseia” Foi Filmada na Grécia

A Odisseia é um dos grandes épicos da Grécia Antiga atribuídos a Homero. A obra acompanha Odisseus em sua longa e árdua jornada de volta para casa após a Guerra de Tróia. É uma história de travessias marítimas desafiadoras e encontros míticos que testam sua lealdade e o desejo inabalável de retornar ao lar.

A maioria das locações de filmagem – Pilos, a praia de Voidokilia, a caverna de Nestor e o castelo de Metoni – está concentrada na região de Messênia, no extremo sudoeste do Peloponeso.

Getty ImagesA cidade de Pilos, na costa de Navarino, Peloponeso, Grécia

“Messênia sempre foi o segredo mais bem guardado da Grécia, o que, para ser sincero, é um dos motivos pelos quais quem visita o lugar ama”, afirma Yahya Dawood, fundador da Bnbstay, empresa especializada em aluguel de casas de temporada focada exclusivamente na Grécia e em Chipre, em entrevista por e-mail.

“Mas, com Christopher Nolan gravando A Odisseia aqui no ano passado, isso está prestes a mudar rapidinho”, acrescenta.

Os adeptos do set-jetting certamente vão direto para a praia de Voidokilia e o castelo de Metoni, defende Dawood, mas poucos se dão conta de que a praia de Almyrolakkas, em Gialova, bem pertinho de Voidokilia, também serviu de cenário para o filme.

Getty ImagesCastelo de Methoni em Messênia, Peloponeso, Grécia

E, na verdade, Messênia é muito mais do que um mero punhado de locações de cinema: “A verdadeira magia do Peloponeso está além dos seus pontos mais famosos”, diz Thanos Michelongonas, vice-governador regional de turismo da Região do Peloponeso.

“Os viajantes podem fazer trilhas pelas paisagens montanhosas da Arcádia, explorar os vilarejos de pedra de Mani, descobrir vinícolas familiares em Nemeia, vivenciar a produção de azeite em Messênia, visitar aldeias tradicionais ou seguir rotas que conectam mitologia, história, gastronomia e a vida contemporânea”, explica.

Ao contrário de destinos onde a vida do turista e o cotidiano local parecem realidades totalmente separadas, afirma ele, “as mesmas tavernas e os mesmos restaurantes” são frequentados por turistas internacionais, viajantes locais e moradores. Assim, “a experiência do visitante e a vida local se integram perfeitamente.”

O Peloponeso Recompensa Viajantes Que Vivem a Experiência

“O Peloponeso se revela melhor para quem se permite caminhar sem rumo”, defende Michelongonas. “A região recompensa a curiosidade, incentivando os viajantes a deixarem as estradas principais para trás e explorarem lugares que talvez nunca tivessem planejado visitar.”

Isso significa que o melhor roteiro não é montado apenas em torno do que aparece na tela, mas sim baseado em experiências como comer nas praças dos vilarejos, andar de bicicleta por pequenas comunidades, hospedar-se em pousadas locais e passar um tempo explorando além do litoral.

Getty ImagesA pitoresca cidade costeira de Gythio, no Peloponeso, Grécia.

“O Peloponeso é um lugar onde você pode realmente se conectar com a cultura grega de uma forma autêntica e intocada“, diz Sarah Faith, especialista em viagens em família e redatora sênior de impacto na Responsible Travel.

“Algumas das nossas melhores avaliações de viagens em família vêm dessa região, de pais e filhos que se divertiram demais juntos fazendo mergulho de snorkel em ilhas desabitadas, passeando de caiaque na baía de Kalamata ou fazendo trilhas pelo desfiladeiro de Lousios”, acrescenta.

Dawood também concorda que a verdadeira Messênia está no interior, em vilarejos como Filiatra, Kiparisia, Aristomenis e Vlachopoulos, bem longe das “praias dignas de cinema”.

Getty ImagesCastelo de Mystras em Esparta, Peloponeso, Grécia.

Kevin Wilks, designer de roteiros na VBT | Country Walkers, recomenda explorar a península sobre duas rodas, pois isso permite vivenciar a região de perto e em um ritmo mais contemplativo.

“O Peloponeso é uma península vasta, e cada região tem sua própria personalidade”, afirma.

“Espalhada pelas encostas do Monte Itome, Messene é uma das cidades antigas mais bem preservadas da Grécia”, destaca Mary Reynolds, diretora de produto e operações da Andante Travels, operadora de turismo especializada em história antiga e arqueologia.

Getty ImagesRuínas de um teatro na antiga cidade de Messênia, Peloponeso, Grécia.

Os visitantes que se deparam pela primeira vez com o imponente teatro, o santuário dórico, o estádio e as muralhas de fortificação com quilômetros de extensão – que ainda mantêm sua altura original em alguns trechos – ficam “invariavelmente abismados com o fato de um lugar tão imponente e espetacular não estar lotado”, acrescenta ela.

Para equilibrar uma estadia de luxo com experiências comunitárias, James Wakelin, designer sênior de viagens pela Europa na Jacada Travel, recomenda visitar a vila de Arcadiana, na Arcádia. O local pertence a sete moradores e oferece oficinas práticas – como panificação, produção de geleia e culinária no estilo “da horta à mesa” – para direcionar os gastos dos turistas diretamente aos vilarejos locais.

Getty ImagesUm restaurante na bela cidade grega de Náuplia.

Ele também aponta a colheita e moagem de azeitonas, visitas a fazendas orgânicas e oficinas de apicultura como formas de os viajantes vivenciarem a região ativamente, em vez de apenas cumprirem tabela.

Para quem quer fugir do excesso de turistas no litoral, Wakelin recomenda dividir o roteiro entre as montanhas arborizadas da península – para fazer trilhas, coletar alimentos silvestres e caçar trufas – e deixar a faixa litorânea para o final da tarde ou para o pôr do sol.

As proporções do local podem surpreender quem o visita pela primeira vez. “Temos 1.500 quilômetros de litoral”, diz Michelongonas, “mas ainda assim 75% da região é montanhosa”. O turismo voltado para trilhas, escaladas e contato com a natureza cresceu na última década, especialmente entre visitantes vindos de Atenas.

Quando ir e como se locomover pelo Peloponeso

Getty ImagesA praia de areia de Voidokilia, no Peloponeso, Grécia.

O momento da viagem faz toda a diferença. Dawood recomenda evitar julho e agosto nas paradas mais famosas de Messênia, especialmente na praia de Voidokilia, onde ele afirma que os visitantes acabam “disputando cada centímetro de areia” e a estrada de acesso é “mal e mal larga o suficiente para dois carros passarem”.

A dica dele é ir antes das 9h ou depois das 17h durante o verão ou, melhor ainda, viajar em maio, junho ou setembro.

Wilks também orienta os viajantes a apostarem nas estações intermediárias (fora da alta temporada). “Os melhores meses para visitar são abril, maio, outubro e novembro”, diz ele, lembrando que as temperaturas costumam ser muito mais agradáveis nessa época.

Getty ImagesOutono enevoado no desfiladeiro de Vouraikos, Peloponeso, Grécia.

Faith recomenda o mês de maio para famílias, quando o tempo já está quente, mas o calor escaldante do ápice do verão ainda não chegou.

Chegar lá é relativamente simples, mas o ideal é explorar a região de carro. A maioria dos viajantes desembarca pelo Aeroporto Internacional de Kalamata ou pelo Aeroporto Internacional de Atenas.

Atenas é o ponto de partida ideal para quem deseja começar por Acrocorinto – outra locação do filme – e incluir no roteiro destinos do leste do Peloponeso, como Micenas, Epidauro ou Náfplio. Já Kalamata é a porta de entrada direta para Messênia.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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