Observar baleias e pinguins entre os icebergs da Antártica enquanto Mia Couto, Christian Dunker e Suzana Herculano-Houzel discutem diferentes respostas para a pergunta “O que é a vida?”. Percorrer de iate as ilhas do Mediterrâneo tendo a Grécia Antiga como fio condutor. Ou atravessar de trem parte da Europa Central e Oriental enquanto historiadores e jornalistas ajudam a decifrar as fronteiras, os impérios e os conflitos que moldaram a região. Para a Latitudes, a experiência de uma viagem vai além das paisagens e, em muitos casos, começa antes mesmo do embarque.
É essa ideia que orienta a empresa brasileira desde 2003. Batizado de “Viagens de Conhecimento”, o conceito nasceu a partir de uma operação anterior, a Ásia Online, que levava grupos interessados em yoga e filosofias orientais para países como Índia, Nepal, China e Butão, acompanhados por seus próprios professores. Aos poucos, o modelo evoluiu para pequenos grupos conduzidos por especialistas em áreas que vão de história e filosofia a arte, fotografia e geopolítica.
A sofisticação também ganhou outras dimensões. Em 2016, a empresa fretou seu primeiro avião para uma volta ao mundo privativa, passando por nove destinos. Depois da pandemia, levou o formato para o mar, com uma expedição à Antártica em um navio dedicado ao grupo brasileiro, e para os trilhos, com uma viagem privativa pela Rota da Seda, na Ásia Central.
Em 2027, a Latitudes volta a explorar esses formatos com três Private Expeditions. Na Antártica, menos de 100 passageiros viajarão no Sylvia Earle e poderão passar mais tempo fora do navio, navegando em botes infláveis, conhecidos como zodiacs, entre icebergs e observando a vida selvagem. No Mediterrâneo, um iate de apenas 50 cabines percorrerá destinos da Itália, Sicília, Sardenha e Córsega. E, entre o Mar Negro e o Báltico, o Golden Eagle Danube Express será a base para uma jornada pela Europa Central e Oriental. Confira a programação completa ao final desta reportagem.
À Forbes Brasil, Alexandre Cymbalista, CEO da Latitudes, fala sobre a transformação do viajante de alta renda, a procura por lugares menos óbvios e por que conhecimento também passou a fazer parte da experiência do luxo.

Forbes Brasil: Como surgiu o conceito de Viagens de Conhecimento?
Alexandre Cymbalista: A Latitudes surgiu a partir da Ásia Online, que organizava viagens para grupos de yoga e estudiosos de filosofias orientais, acompanhados por seus professores. A partir dessa experiência, transformamos o conceito no que hoje chamamos de Viagens de Conhecimento: jornadas em pequenos grupos, acompanhadas por um especialista, que ajudam o viajante a compreender de forma mais profunda os lugares visitados. Percebemos que havia um público interessado em uma experiência mais imersiva, que fosse além da camada superficial do turismo tradicional.
FB: Quem é esse viajante?
AC: Nosso público não é homogêneo, mas tem algumas características em comum: uma enorme curiosidade pelo mundo e sede por conhecimento. São pessoas que querem explorar além do óbvio e conhecer destinos menos convencionais. De modo geral, têm entre 40 e 80 anos, são mais mulheres do que homens, dispõem de tempo para viajar e estão distribuídos por todas as regiões do Brasil, e alguns fora do país também.
FB: O que mudou no comportamento do viajante de alta renda?
AC: Especialmente depois da pandemia, percebemos uma busca maior por destinos que combinem cultura e natureza e um interesse crescente por regiões menos óbvias, como Europa Oriental, Oriente Médio, Ásia Central, Ásia e África. Há também uma procura por lugares menos afetados pelo excesso de turismo. O viajante de alta renda hoje busca não apenas conforto, mas exclusividade, profundidade, contato genuíno com o destino e uma experiência menos massificada.
FB: Como são escolhidos os especialistas?
AC: Buscamos pessoas que sejam referências em suas áreas, com profundidade intelectual e domínio dos temas, mas isso não é suficiente. Valorizamos a capacidade de comunicação, a convivência em grupo e a habilidade de transformar conhecimento em conversa, troca e experiência. Acompanhamos o trabalho dessas pessoas, lemos seus conteúdos e assistimos a palestras antes de avaliar como podem se integrar a uma viagem.
FB: O que diferencia as Private Expeditions?
AC: São uma ampliação do nosso modelo de viagens com especialistas, com itinerários por regiões de mais difícil acesso e temas de maior abrangência. Funcionam em formato all-inclusive: palestras, especialistas, guias, passeios, gastronomia, bebidas, hotelaria e logística estão contemplados. Os preços variam de aproximadamente US$ 18 mil a US$ 150 mil por pessoa, dependendo do formato e da complexidade da viagem.
FB: Para onde esse mercado caminha?
AC: Acreditamos que continuará crescendo o interesse por destinos fora dos circuitos tradicionais e pela combinação entre natureza e cultura. As Private Expeditions devem ganhar espaço também em formatos menores e mais seletivos. Outro movimento é a busca por viagens acompanhadas por especialistas, com conteúdos que começam antes do embarque. O viajante de alta renda não quer apenas conforto; busca profundidade, contexto e experiências que conectem diferentes dimensões de um destino.
Private Expeditions da Latitudes em 2027
Antártica | O que é a vida? — 3 a 14 de fevereiro
Expedição de 11 dias a bordo do Sylvia Earle, da Aurora Expeditions. O roteiro parte de Ushuaia e terá como especialistas Mia Couto, Christian Dunker, Suzana Herculano-Houzel e Emanuele Kuhn.
Mediterrâneo — 11 a 29 de maio
Viagem de 19 dias a bordo do Emerald Sakara, passando por mais de 13 cidades e destinos na Itália, Sicília, Sardenha e Córsega, antes de terminar em Cannes. Cristina Franciscato e Saulo Goulart acompanham o grupo.
Quatro Reinos — do Mar Negro ao Mar Báltico — 18 de setembro a 7 de outubro
Travessia de 20 dias a bordo do Golden Eagle Danube Express, passando por Romênia, Hungria, Eslováquia, Polônia e Alemanha, além de passeio a Kaliningrado, na Rússia. A viagem será acompanhada por Filipe Figueiredo e Jaime Spitzcovsky.