Não dá para chamar de tendência – pelo menos, não do mesmo jeito que usamos a palavra ao falar de moda. Mas o fato é: há cada vez mais espaço para o têxtil dentro da produção e das coleções de arte. “O têxtil tem uma potência muito particular porque carrega, ao mesmo tempo, matéria, gesto, tempo e memória. É uma linguagem que historicamente esteve associada ao fazer cotidiano, ao trabalho manual e à transmissão de saberes entre gerações e, justamente por isso, traz consigo histórias e conhecimentos que durante muito tempo ficaram à margem das narrativas tradicionais da arte”, conta Fernanda Feitosa, que abre as portas da quinta edição da SP-Arte Rotas nesta quarta-feira (26.08).
Reunindo 70 galerias e projetos em estandes distribuídos pelo espaço da ARCA, no bairro paulistano da Vila Leopoldina, a feira traz ainda uma ocupação especial no Mirante, sob o recorte curatorial do diretor artístico Bernardo Mosqueira. Com base no conceito de “paisagem expandida”, a curadoria explora as conexões entre indivíduo e meio ambiente, entrelaçando ecologia, memória, espiritualidade e política.

Se a proposta da feira sempre foi descentralizar o olhar e valorizar criações fora do circuito tradicional das artes no mapa brasileiro, a edição atual propõe um avanço decisivo em direção à integração regional. “A Rotas nasceu com esse propósito de olhar para além do eixo Rio-São Paulo, e nesta edição damos também um passo importante na direção da América Latina, com a participação de galerias do Uruguai, Argentina e Colômbia. Acho que uma das grandes novidades desta está justamente nessa ampliação de perspectivas, criando encontros entre geografias, gerações e modos muito distintos de produzir e pensar arte”, explica Fernanda, à frente da SP-Arte há 22 anos.
Nesse ecossistema plural, o trabalho manual ganha ainda mais força como contraponto ao ritmo frenético da era digital. “Com o nosso dia a dia cada vez mais ligado a tecnologias artificiais, percebemos como tendência um retorno aos fazeres manuais, o têxtil incluso”, aponta a fundadora.

Longe de ser encarada como um suporte meramente decorativo ou restrito ao saber-fazer manual de tradição, a linguagem da fibra e do fio estabelece conexões profundas no circuito contemporâneo. “Acho interessante justamente pensar o têxtil não como uma categoria isolada, mas como uma linguagem que permite aproximar arte, artesanato, memória, território e conhecimento. É uma prática que fala muito sobre quem somos, sobre os lugares de onde viemos e sobre aquilo que escolhemos preservar e transformar”, conclui Fernanda. Conheça aqui algumas das obras têxteis que estarão na feira.
SP-Arte Rotas
De 26 a 30 de agosto de 2026
ARCA – Av. Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo
Ingressos à venda pelo site: sp-arte.com/bilheteria