Se a Cartier tem a pantera e a Rolex tem seu Daytona, a Van Cleef & Arpels tem o Alhambra. Nos arquivos da maison desde 1906 e lançado em 1968, o famoso trevo de quatro folhas nasceu de uma premissa simples repetida à exaustão por Jacques Arpels, sobrinho da fundadora: “Para ter sorte, é preciso acreditar na sorte”.
Desde que apareceu pela primeira vez em um longo colar de ouro amarelo texturizado, o desenho se tornou a assinatura mais reconhecível da joalheria francesa. E o que não falta são provas da sua versatilidade. Ao longo de cinco décadas, o motivo já foi reimaginado em diversas texturas e materiais, de pedras ornamentais e madrepérola a diamantes e porcelana de Sèvres.
Agora, o ícone ressurge com uma novidade: pela primeira vez, a coleção ganha uma versão em enamel (esmalte) rosa. O lançamento se desdobra em cinco criações inéditas que combinam o novo material ao ouro amarelo – seja liso ou texturizado na técnica guilloché. A linha inclui um pingente, uma pulseira, dois colares (incluindo o tradicional longo de 20 motivos) e um par de brincos.
O peso da novidade, no entanto, mora na complexidade de sua produção. Embora os ateliês da marca dominem mais de 15 métodos de esmaltação, a cor inédita exigiu o resgate do processo “gold-ruby”, originário do século 17. Em vez de usar pigmentos tradicionais, o tom intenso de rosa é obtido exclusivamente pela presença de finas partículas de ouro na composição do material. Encontrar o formato, o tamanho e a concentração exata dessas partículas consumiu cerca de cinco anos de pesquisa e desenvolvimento internos.
O resultado visual foge do comum. O material final é translúcido e repleto de minúsculas bolhas internas que dão profundidade e singularidade a cada trevo. A superfície do esmalte ganha uma curvatura sutil, projetada especificamente para intensificar o brilho – o que confere à peça uma capacidade de reflexão de luz levemente superior à da esmeralda.
O preciosismo se estende à montagem de cada joia. Os motivos são emoldurados por uma fileira dupla de contas de ouro, uma assinatura de estilo da marca que, aqui, serve também para amplificar ainda mais os reflexos do esmalte rosa. Até a corrente que une os trevos é facetada para acentuar a luminosidade do conjunto.
É um nível de rigor que, segundo Catherine Renier, CEO da Van Cleef & Arpels, “traz uma nova estética e tonalidade ao universo Alhambra, que se reinventa continuamente ao longo das décadas”.