1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. Cartier Mais Raro do Mundo É Vendido por US$ 3,38 Milhões, Superando Recorde da Maison
Forbes Life

Cartier Mais Raro do Mundo É Vendido por US$ 3,38 Milhões, Superando Recorde da Maison

O Cartier Cheich, criado para premiar pilotos da corrida de Rali Paris-Dakar, tem apenas 5 modelos documentados. Um deles acaba de ser leiloado pela Sotheby’s

4 min

Este pode ser o relógio Cartier mais raro que já existiu. Nenhuma de suas cinco unidades foi vendida em boutiques ou lojas – seria necessário vencer uma corrida de 10 mil km no deserto para tê-lo em mãos.

A única pessoa a vencer o desafio foi Gaston Rahier (1947-2005), um dos maiores pilotos de motocross do Mundo. O Cartier Cheich conquistado pelo atleta foi leiloado pela Sotheby’s em 2022, por um valor superior a US$ 1,1 milhão (R$ 5,68 milhões na cotação da época).

Agora, a aposta triplicou. Um novo modelo feito em ouro branco, e datado de 2010, chegou às mãos da Sotheby’s. À meia-noite do dia 18 de setembro ele foi leiloado por US$ 3,38 milhões (R$ 17,32 milhões). Este é, agora, o relógio Cartier mais caro já leiloado, superando o valor de US$ 1,99 milhão arrecadado pelo Cartier Crash de 1987, em maio deste ano.

The Watch BoutiqueCartier Cheich

Como nasceu o Cartier Cheich

A origem do Cheich remonta ao deserto do Saara, mais especificamente, a uma das competições de Rali mais radicais que aconteciam na região, o Paris-Dakar. A corrida de resistência automobilística – com formatos em carros, motocicletas e até caminhões – foi fundada em 1978 pelo motociclista Thierry Sabine, logo após ele se perder durante um rali no deserto. Com largada na capital francesa, a prova de 10 mil quilômetros cruzava o deserto do Saara, na África, até chegar a Dakar, capital do Senegal, 20 dias depois. O evento teve um alcance enorme de forma muito rápida, com ampla cobertura da mídia e até transmissão na televisão.

(Photo by Thierry RANNOU/Gamma-Rapho via Getty Images)Thierry Sabine, fundador do Paris-Dakar

A Cartier, inspirada pelo espírito aventureiro dos pilotos, começou a patrocinar o Paris-Dakar no início dos anos 80. A parceria se deu de duas formas: a primeira, com os naming rights de uma das etapas mais difíceis da prova, no Deserto de Tenère (nomeada Raid Santos da Cartier); a segunda, com o Desafio Cartier, que premiaria qualquer piloto que conseguisse vencer edições consecutivas da prova com um relógio de pulso específico para a corrida.

E é claro que não poderia ser um relógio qualquer; precisava ser tão memorável e ousado quanto o piloto que o vestiria. Com essa missão, a Cartier colocou os olhos no deserto do Saara, mais especificamente em um povo que habitava ali, os tuaregue. Foram os lenços azuis, chamados Cheich, que os homens da tribo usavam na cabeça, que inspiraram o design do relógio, desenvolvido por Alain-Dominique Perrin e Jacques Diltoer, diretor criativo da Maison.

Sotheby's via Getty ImagesCartier Cheich de Gaston Rahier foi leiloado pela Sotheby’s em 2022

Além de ser o único inspirado na cultura tuaregue, o Cheich carrega uma das características mais emblemáticas da Cartier, a assimetria. Os modelos originais também são uma das poucas peças que combinam diferentes tonalidades de ouro, dando contraste à peça. O centro do mostrador é decorado no estilo clássico da Cartier Paris: estaca retangular, números romanos e ponteiros em aço azulado.

Após extenso trabalho, o Desafio Cartier foi lançado, em 1983. Logo, Gaston Rahier viria a conquistar dois títulos seguidos, levando o cobiçado Cartier Cheich para casa. O que ninguém sabia é que aquele seria o único modelo entregue a um piloto. Em 1986, Thierry Sabine faleceu em um acidente de helicóptero, dando fim ao desafio.

(Photo by Yves Forestier/Sygma via Getty Images)Gaston Rahier em sua moto Suzuki passando pelo deserto africano durante o 12º Paris-Dakar

O leilão

Ao todo, foram produzidos quatro exemplares do relógio naquela época: três destinados ao desafio e um para Sabine (o paradeiro deste é ainda desconhecido). Porém em 2010, a pedido de Giorgio Seragnoli, o maior colecionador de relógios Cartier em metal branco de todos os tempos, a Maison deu vida a mais um exemplar de Cheich, feito em ouro branco, quartzo e acabamento em joia. 

A criação, considerada única, foi entregue pelo proprietário à Sotheby’s, para ser leiloado na venda de Relógios Importantes, neste dia 18 de setembro. Após 16 minutos de uma “frenética batalha de licitação”, o modelo conquistou o maior valor já levantado por um relógio Cartier.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.