1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. De Menu de Travesseiros a Anéis Inteligentes: Dormir Bem Virou Serviço na Hotelaria de Luxo
Forbes Life

De Menu de Travesseiros a Anéis Inteligentes: Dormir Bem Virou Serviço na Hotelaria de Luxo

Hotéis investem em tecnologia, ciência e terapias personalizadas para transformar uma boa noite de sono em parte central da experiência de hospedagem

6 min

Durante décadas, uma das promessas básicas de um bom hotel foi proporcionar uma boa noite de sono. Colchões de qualidade, isolamento acústico e cortinas blackout faziam parte da equação. Agora, para alguns dos hotéis mais sofisticados do mundo, isso já não basta. O descanso começa a ser medido, interpretado e tratado com o mesmo grau de personalização antes reservado à gastronomia ou ao serviço de concierge.

Na prática, isso pode significar dormir com um anel inteligente capaz de acompanhar dados biométricos, passar por exames de sangue ou receber um relatório indicando da temperatura ideal do quarto a mudanças na alimentação. Em uma direção oposta, há hotéis que preferem combater o excesso de estímulos com recursos mais simples: chás, aromas, meditação e massagens.

Há, porém, uma pergunta anterior a toda essa sofisticação: em que momento passamos a precisar de tanta ajuda para dormir? Parte da resposta parece estar menos na cama e mais no que acontece antes de chegarmos a ela: telas, notificações, estresse, mudanças de fuso horário e uma rotina que tornou cada vez mais difícil desacelerar.

“Os viajantes modernos estão informados sobre a relação entre sono, bem-estar, desempenho e qualidade de vida”, afirma Anett Czuczor-Schvarcz, Quality Manager do Anantara New York Palace Budapest. “O sono se tornou um dos pilares mais importantes do bem-estar, ao lado da nutrição, do condicionamento físico e da saúde mental.”

É nesse cenário que o turismo do sono se aproxima de outra grande vertente do wellness, a longevidade, e transforma uma função elementar da hotelaria em uma nova frente de negócio.

DivulgaçãoSala de SPA no Tivoli Kopke

No Tivoli Kopke, em Vila Nova de Gaia, Portugal, a tecnologia é a porta de entrada. O programa “A Alquimia do Sono” começa com uma consulta para investigar hábitos e dificuldades relacionadas ao descanso. À noite, um anel inteligente registra qualidade do sono, frequência cardíaca, temperatura corporal e as diferentes fases do descanso. Pela manhã, os dados são analisados por um especialista e transformados em recomendações personalizadas.

“A tecnologia desempenha um papel fundamental no nosso programa, mas sempre como uma ferramenta de apoio à personalização da experiência e nunca como um elemento invasivo ou clínico”, afirma o hotel. A partir dos dados, tratamentos e rotinas são adaptados, combinando tecnologia com alimentação, amenities naturais, bebidas nutritivas, aulas e terapias.

DivulgaçãoAnéis inteligentes

A proposta se estende para além do check-out. O hóspede recebe um relatório com orientações que podem envolver nutrição, suplementação, exercícios, técnicas de relaxamento, higiene do sono, roupas de cama e temperatura do quarto. O programa custa € 680 para dois dias, € 920 para três e € 1.450 para cinco.

Quando o spa se aproxima da medicina

No Royal Mansour Tamuda Bay, na Riviera Marroquina, o sono avança sobre o território da saúde preventiva. Seu Medi-Spa de 4.300 m² adota uma abordagem de longevidade na qual o ponto de partida deixa de ser a escolha de uma massagem.

DivulgaçãoLe Méditerranée, no Royal Mansour Tamuda Bay

“Não começamos por um menu de tratamentos. Simplesmente perguntamos ao hóspede o que ele gostaria de reservar. Começamos pela pessoa”, afirma David Lestelle, diretor de Bem-Estar e Spa do Royal Mansour Tamuda Bay.

Dependendo do programa, o processo envolve consultas médicas, exames laboratoriais, análises biológicas e avaliação da composição corporal. Médicos, nutricionista, profissionais de fitness e fisioterapia e terapeutas trabalham de forma integrada.

“Não analisamos o sono apenas em termos de quantas horas uma pessoa dorme. Tentamos entender a pessoa por trás daquele sono”, diz Lestelle. “Para nós, dormir melhor não é o destino final. É uma das bases que permitem que todo o resto funcione melhor.”

DivulgaçãoWatsu Pool, no Royal Mansour Tamuda Bay

Depois da avaliação, entram em cena shiatsu, acupuntura, Yoga Nidra, mindfulness, meditação e Watsu Therapy, realizada em piscinas aquecidas. Há ainda massagem específica para o sono, menu de travesseiros, chás herbais e banho terapêutico para os pés.

O desafio é combinar tudo isso sem transformar férias em um check-up. “O hóspede nunca deve sentir que entrou em uma instituição médica”, afirma Lestelle.

O luxo de desligar

No Anantara New York Palace Budapest, na Hungria, o caminho é outro. Se alguns hotéis usam tecnologia para compreender o hóspede, ali a intenção é ajudá-lo a escapar dela.

DivulgaçãoAnantara New York Palace Budapest Hotel Spa

“Muitos de nossos hóspedes passam os dias cercados por telas, notificações, reuniões e estímulos constantes. À noite, o que muitas vezes mais precisam não é de outro dispositivo, mas de uma transição suave para o descanso”, afirma Anett.

O Sleep Ritual aposta em chá de hortelã, chocolate, leitura antes de dormir, spray aromático e, em algumas categorias, máscara de seda e protetores auriculares. No spa, a Refreshing Magnesium Massage combina massagem com produtos enriquecidos com magnésio.

Outros hotéis seguem a tendência. No Brown’s Hotel, em Londres, o Irene Forte Deep Sleep Ritual inclui massagem, skincare, máscara para os olhos, chás, aromatizadores e menu de travesseiros. No Anantara Palais Hansen Vienna, a playlist Vienna Gold Noise reúne faixas desenvolvidas para favorecer o relaxamento.

DivulgaçãoAnantara Palais Hansen Vienna Presidential Suite Bedroom

Por que dormir virou negócio

Para a hotelaria, o sono reúne algumas das forças mais relevantes do luxo contemporâneo: wellness, longevidade, tecnologia e personalização. E atende a uma necessidade praticamente universal.

Uma função antes embutida na diária passa a gerar programas de vários dias, consultas, tratamentos, diagnósticos e produtos. Mais do que acrescentar amenities, a tendência leva a personalização para um terreno íntimo: temperatura, alimentação, travesseiro, rotina e terapias passam a ser pensados de acordo com quem ocupa o quarto.

Nunca tivemos tantos dados sobre a importância de dormir bem e, ao mesmo tempo, nunca pareceu necessário recorrer a tantos recursos para consegui-lo. A hotelaria de luxo percebeu essa contradição e sofisticou uma de suas funções mais antigas.

Agora, não basta preparar a cama. É preciso ajudar o hóspede a chegar até o sono.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.