Um vestido de laise, ou renda, usado com tamanco, nos leva às décadas de 1960/70 – ou a um desfile da Chloé. Esse conjunto visual, que é uma das assinaturas da maison, recebe de Chemena Kamali, diretora criativa, uma releitura que invariavelmente entrega novas informações. Estação após estação, ela repensa o boho sem deixar de lado as rendas, batas e saias, nem os volumes e a fluidez.
Os códigos do romântico são o fio condutor da coleção. No todo, fica evidente que mesmo a mais sexy das produções, em total black, comunica romance – o look exibido pela gaúcha Carol Trentini, que desfilou com exclusividade para a marca, não deixa mentir. E os trench-coats que ganham decote são outro exemplo.

O verão 2027 da marca, apresentado na Semana de Moda de Paris, leva o título de Obsession e fala das obsessões da designer com a maison, que vão muito além dos “vestidos de jeune-fille” pelos quais a etiqueta ficou famosa: há capas de chuva setentistas com cores dos anos 50, terninhos de 1972, bordados 3D dos anos 1960. “Nesta temporada, fui guiada pelo meu amor pela Chloé. Esta coleção, espero, é uma expressão do coração e da alma da maison”, derrete-se Chemena.
A lingerie parece ser uma obsessão geral da moda atualmente e também aparece aqui. As rendas delicadas descem pelo corpo como arreios, segundo a própria designer, e se transformam em tops que revelam a pele com sutil sensualidade.
As golas em V, canoa, quadrada e em formato de coração são ponto de partida para desenhar algumas silhuetas. E uma alfaiataria precisa aparece na segunda metade da apresentação, na forma de ternos com ombros angulados, inspirados em smokings com a barra recortada, que a diretora criativa recupera diretamente dos arquivos da marca. Uma coleção bela e inspiradora!
*Com Milene Chaves