O desfile que a De Goeye apresentou na noite da quinta-feira (29/10), na Herança Cultural, em São Paulo, deixou claro: a escolha de Fernanda de Goeye, Renata de Goeye e Keka Torello por percorrer um trajeto criativo particular não é só uma fase. Embora “fase” seja a palavra que a marca escolha para organizar o lançamento de suas coleções (encadeadas umas nas outras em ritmo de continuidade, e reveladas em momentos do ano que não obedecem o calendário de primavera/verão e outono/inverno), a De Goeye carrega em sua história muitas constantes. Entre elas, uma identidade de moda autoral, a preferência por produzir em seu próprio tempo e, como aconteceu mais uma vez ontem, os aplausos de suas admiradoras. Entre elas, é claro, eu.
A Atmosfera: Desing
Ambientado dentro do espaço da Herança Cultural, que se dedica há mais de três décadas à comercialização de mobiliário de design brasileiro, o desfile acomodou os convidados em poltronas, sofás e cadeiras de acento modernista, enquanto a passarela emanava a mesma luz dourada de um pôr-do-sol. Tudo sob direção de Giovanni Bianco. Impossível falar de design sem pensar na construção das modelagens que vimos na coleção: ora trazendo ombros estruturados, como os de uma guerreira contemporânea, ora se valendo de tecidos ultrafinos, para transmitir fluidez e leveza para a temporada que vem aí.
A Mulher: Viajante
Chamada de “Ventos Quentes”, a coleção encerra um ciclo que começou no início desse ano, chamado de “The Traveller”. Fala sobre como a experiência do viajante permanece com ele mesmo após o seu retorno, em uma bagagem sensorial que se acumula (o que diz respeito à própria história das irmãs De Goeye que, entre outros lugares do globo, passaram parte da infância em Lagos, na Nigéria). Desta vez, o perfume era oriental, com uma cartela de cores que poderia muito bem ser encontrada em um spice market mundo afora, com um laranja açafrão-da-terra e um roxo avermelhado em tom de sumac entre os destaques cromáticos.
A Trama: Exclusiva
Um dos processos mais especiais que ocorre dentro do ateliê De Goeye é o desenvolvimento dos tecidos, frequentemente criados do zero, o que faz das peças únicas. Desta vez, jacquards evocavam listras animalier, (como look que abriu o desfile); bordados e texturas franjadas foram criados inteiramente à mão (chamou atenção o paetê iridescente em forma alongada, que brilhou com o movimento de dois vestidos show-stopper); rendas foram criadas a partir de desenhos geométricos (vide um vestido longo preto e um curto branco, que surgiu acompanhado de um maxicolar de tirar o fôlego); enquanto microplissados tornavam as texturas ainda mais fascinantes – o look que encerrou o desfile, usado pela top Carol Trentini, está aí para provar.

A Beleza: Wind-swept
Completando o look do poderoso casting de modelos reunido para o desfile, a beleza assinada pelo beauty artist Henrique Martins trazia olhos esfumados, como o traçado de um lápis kajal que se deixa borrar ao longo do dia, e cabelos presos de maneira despretensiosa, com fios soltos e efeito wind-swept.
Os Acessórios: Desejo Absoluto
Arrancaram suspiros da plateia também as bolsas em estilo saco, feitas de tecidos acetinados, que traziam acabamento com tassels em tamanho extralarge. Nossa lista de desejos para a próxima temporada foi atualizada com sucesso. Bravo!
*Com Antonia Petta
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