É fácil pensar nos mesmos destinos de sempre ao planejar as férias, mas alguns desses lugares estão sob uma pressão enorme devido ao volume absurdo de turistas. Pense em Montmartre, em Paris, ou na Cidade do México – ambos na “No List” da Fodor’s de lugares a evitar em 2026.
Se você busca uma experiência de férias muito mais agradável e menos sujeita ao turismo em massa, tanto a Time Out quanto a Afar destacaram destinos que merecem mais atenção nos próximos anos: lugares subestimados, segundo especialistas do setor, onde os viajantes podem vivenciar a cultura de forma mais autêntica enquanto apoiam as economias locais que mais precisam.
Lugares que adorariam receber mais viajantes
Em janeiro, a Time Out publicou a lista dos cinco países que realmente precisam de mais viajantes em 2026, partindo da premissa de que, se você vai viajar, optar por regiões menos conhecidas obviamente redireciona pessoas e recursos de lugares perigosamente sobrecarregados, além de ajudar países com maior vulnerabilidade socioeconômica a impulsionar suas economias.
A Gâmbia se tornou popular para pacotes turísticos nos anos 1970, mas, nos últimos anos, o país vem enfrentando os impactos da crise climática, principalmente no seu setor agrícola, tornando o turismo cada vez mais vital para a economia. Para um turismo mais sustentável, passe longe das praias de areia macia e embarque na rota Ninki Nanka, um percurso guiado a pé e de barco que o leva pelos manguezais do interior e por aldeias locais para explorar o modo de vida tradicional.

Um dos efeitos colaterais lamentáveis dos acontecimentos no Oriente Médio nos últimos anos foi a queda livre no número de visitantes na Jordânia, especialmente em um de seus pontos mais icônicos, Petra. A Time Out sugere percorrer os 675 km da Jordan Trail pelas florestas de pinheiros de Ajloun, hospedando-se com famílias beduínas sob o céu estrelado.

No mesmo ano em que o Uzbequistão abre suas fronteiras para americanos sem a necessidade de visto, seu vizinho, o Tajiquistão, espera por sua visita. O menor país da Ásia Central oferece aventuras sustentáveis por comunidades nas montanhas Pamir, ao longo de trilhas acidentadas, florestas de zimbro e lagos glaciais.

O Paraguai é um país com uma história fascinante que abrange o colonialismo, ditaduras e guerras regionais. O grande destaque é explorar os costumes tradicionais, o povo e a fauna do Chaco, região que ocupa metade do país e inclui florestas secas, áreas úmidas e terras agrícolas. Para os amantes da vida selvagem, o país abriga mais de 500 espécies de aves, antas e onças-pardas.

O turismo para a Moldávia, aquela pequena nação europeia, está crescendo. Em 2025, o número de turistas recebidos aumentou 6,5% em comparação a 2024. Como aponta a Time Out, 70% do país foi destruído na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. A cultura é instigante, dividida em vida pré-soviética, soviética e pós-soviética. Como a Moldávia faz fronteira com a Ucrânia, viajar para a Transnístria – a faixa de terra entre os dois países – é claramente desaconselhável no momento devido à invasão russa na Ucrânia.

Destinos atualmente considerados pouco visitados por especialistas do setor
Nessa mesma linha, a Afar perguntou a agentes de viagens e operadores turísticos do mundo todo quais lugares eles consideram fora do radar no momento e que acham que vão estourar nos próximos cinco anos. As respostas se concentram em locais com rotas aéreas recém-inauguradas ou onde os sistemas de rios e lagos foram mais abertos aos viajantes.
Uma das ideias é a Amazônia brasileira, onde afluentes menores, como o Rio Negro, foram abertos para embarcações de menor porte (para 20 ou 25 pessoas) e onde os operadores estão trabalhando junto às comunidades locais para oferecer viagens sustentáveis em meio a paisagens deslumbrantes.

Turistas que planejam ir para Portugal, mas querem passar longe do superlotado Algarve, devem dar uma olhada na região de Comporta, que tem uma vibe mais boho, mas continua à beira-mar. Ainda na Europa, mas talvez não tão popular quanto a Albânia ou Montenegro (dois destinos que vêm crescendo bastante nos últimos anos), está a Macedônia do Norte. O país oferece a oportunidade de explorar os Bálcãs com muito menos aglomeração, além de paisagens rurais deslumbrantes e uma riquíssima história otomana.

No Reino Unido, a bola da vez é a Costa Jurássica, no sul de Devon e Dorset, que pode ser a substituta perfeita para lugares mais lotados como Cotswolds ou Cornualha. Da mesma forma, uma excelente pedida é trocar a linda Edimburgo por Aberdeenshire, na Escócia, visitando o Parque Nacional Cairngorms, o Castelo de Balmoral (a residência favorita da Rainha Elizabeth) e as grandes destilarias de uísque de Speyside.

Vão aparecer no radar também as idílicas ilhas mediterrâneas de Malta, Comino e Gozo. O destino há tempos é um clássico queridinho dos britânicos para as férias de verão devido às suas influências italianas, árabes, francesas e britânicas. Os visitantes voltam lá continuamente porque o lugar é repleto de restaurantes estrelados pelo Michelin, ruínas arqueológicas e praias belíssimas, sendo perfeito para viajar na meia-estação.

Escolher para onde viajar nos próximos anos não é apenas uma questão de riscar itens da lista de desejos – é uma questão de equilíbrio. Visitar lugares que precisam do turismo ajuda no recomeço das comunidades, preserva tradições culturais e proporciona experiências mais ricas e pessoais, bem longe das multidões. Como sempre, sair do óbvio este ano pode ser a escolha mais recompensadora.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com