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Este Carro Revive o Sonho do Supercarro Original de Bruce McLaren

O McL 6GT, apresentado na Monterey Car Week, é resultado de uma pergunta: que carro o fundador da McLaren construiria hoje se tivesse acesso a 60 anos de avanços de tecnologia?

6 min

É irônico chamar o novo supercarro V8 com câmbio manual da McLaren de uma visão do futuro? Talvez, mas é exatamente isso que o McLaren McL 6GT representa.

Revelado durante a Monterey Car Week de 2026, o carro é um conceito que antecipa um modelo de produção previsto para 2028. Ele também representa o retorno da McLaren à filosofia que inspirou as ambições da empresa há mais de meio século.

O McL 6GT busca inspiração no McLaren M6GT, o esportivo de rua que Bruce McLaren queria construir no final dos anos 60. O projeto nunca chegou à produção em série, mas sua receita básica – uma máquina leve, de motor central e ligada aos carros de corrida – antecipou praticamente todos os McLaren de rua que vieram depois.

O McLaren M6GT foi construído em 1969 e inspirou o novo conceito de carro

Quase seis décadas depois, a McLaren revisita essa receita com construção em fibra de carbono, a força do motor V8, tração traseira e uma transmissão manual.

Essa última característica pode, em última análise, definir o McL 6GT. A McLaren não oferece três pedais em um carro de rua desde a estreia do lendário F1, em 1992. Todos os modelos subsequentes apostaram em transmissões automatizadas sofisticadas. O novo modelo vai deliberadamente na direção oposta.

Seu câmbio faz parte de um foco mais amplo no que a McLaren chama de uma pilotagem tátil e analógica. Direção hidráulica, botões físicos e controles em alumínio usinado foram projetados para fazer com que cada interação com o carro seja intencional. Até a alavanca de câmbio recebeu atenção especial, com uma versão tridimensional do emblema “Speedy Kiwi” na manopla.

McLarenO conceito McL 6GT apresenta uma transmissão manual tradicional

Em uma indústria cada vez mais dominada por telas sensíveis ao toque, sistemas drive-by-wire e modos de condução gerados por software, essa abordagem beira a rebeldia. E essa é, claramente, a intenção.

“O McLaren McL 6GT imagina o que nosso inspirador fundador desejava ter concluído, mas com seis décadas adicionais de inovação e paixão entrelaçadas em cada detalhe”, declarou o CEO da McLaren Automotive, Nick Collins, durante a apresentação do carro.

O conceito também sinaliza a intenção da McLaren de criar uma nova classe de produção limitada. A versão final de produção do McL 6GT, que chega em 2028, ficará fora do que a empresa descreve como seu portfólio principal e expandido, sugerindo uma exclusividade – e preço – bem acima dos modelos padrão.

McLarenO design elegante do McL 6GT segue a fórmula dos supercarros da década de 1960

O McL 6GT: o supercarro que Bruce nunca conseguiu construir

O conceito original de Bruce McLaren nasceu a partir do M6A, uma máquina de corrida da Can-Am extremamente bem-sucedida. Ele vislumbrou adaptar essa arquitetura das pistas para um carro de passeio, criando, na prática, um supercarro homologado para as ruas.

Apenas poucas unidades de M6GTs foram concluídas antes de McLaren falecer em um acidente durante testes em Goodwood, em 1970, deixando o projeto inacabado.

Karl BrauerA visão de Bruce McLaren para um carro de rua começou em 1969

A McLaren Special Operations reexaminou essa história ao apresentar uma recriação do M6GT no Festival de Velocidade de Goodwood. Mas o McL 6GT vai um passo além: a marca se perguntou o que Bruce McLaren construiria hoje se tivesse acesso a seis décadas de avanços em materiais, aerodinâmica e tecnologia de conjunto motriz. O resultado é um carro moderno, mas cujas proporções remetem aos anos 1960.

O McL 6GT é extremamente baixo e largo, com uma linha de teto que flui quase sem interrupções até a traseira, terminando em um caimento estilo Kammback. Essa forma única e contínua culmina em uma cabine que parece quase embutida na carroceria.

McLarenAs lanternas traseiras do McL 6GT são inspiradas no design “racing loop” do M6GT de 1969

Essa simplicidade é intencional. Os protótipos de corrida dos anos 1960 eram moldados principalmente pelo fluxo de ar e pela disposição mecânica, resultando em formas fluídas que “vestiam” os motores e ocupantes. O McL 6GT tenta recriar essa estética sem abrir mão das exigências aerodinâmicas atuais.

A assinatura luminosa “Racing Loop” faz alusão às lanternas traseiras do M6GT original. A placa do M6GT pessoal de Bruce McLaren surge discretamente na carroceria, enquanto sua assinatura aparece no cofre do motor. A cabine traz estofamento quadriculado e fibra de carbono à mostra, complementados por um painel digital inspirado nos mostradores analógicos dos anos 60.

A fibra de carbono conecta o McL 6GT ao M6GT

Se o câmbio manual representa o retorno filosófico do McL 6GT ao passado, a fibra de carbono é o elo que conecta essa filosofia à engenharia moderna da McLaren.

McLarenA fibra de carbono exposta está presente em todo o exterior e interior do McL 6GT

A construção leve é um pilar fundamental dos carros de rua da marca desde que o lendário F1 introduziu o monocoque de fibra de carbono nos automóveis de produção. O McL 6GT dá continuidade a essa tradição.

A McLaren ainda não divulgou os dados de potência, cilindrada, peso em ordem de marcha ou números de desempenho do veículo, embora confirme que ele usará um motor a combustão V8. Em vez de perguntar quanta tecnologia pode ser colocada entre o motorista e a pista na busca por velocidade, a marca questiona quanto pode ser removido sem perder o nível de desempenho atual.

Nada disso significa que o McL 6GT será um carro lento. Dada a bagagem da McLaren com estruturas leves em carbono e motores V8 de alto rendimento, não há motivos para esperar nada menos que um desempenho extraordinário. No entanto, a performance pura e simples não parece ser a missão principal deste carro.

McLarenO design clássico do McL 6GT é aliado à engenharia moderna de ponta

Isso também pode tornar o McL 6GT especialmente relevante quando a versão de produção der as caras, em 2028. Até lá, a eletrificação e as tecnologias de assistência ao motorista terão empurrado os carros de alta performance ainda mais para a era das experiências digitais guiadas por software.

Isso pode não soar como progresso no manual tradicional da indústria automotiva… mas Bruce McLaren provavelmente veria aí um progresso de outra natureza. O McLaren McL 6GT não é o primeiro caso em que o caminho em direção ao futuro passa por olhar para onde tudo começou.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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