Há carros que são lançados. E há carros que são encomendados. O Black Badge Ghost Golden Era pertence ao segundo grupo. A Rolls-Royce apresentou durante a Monterey Car Week 2026, que terminou no último dia 16 de agosto na Califórnia, um modelo único criado para um cliente norte-americano. A peça tem pintura com partículas de ouro, detalhes dourados feitos à mão, uma homenagem ao motor V12 e acabamento interno que transforma a mecânica do carro em elemento de arte.
O modelo foi uma das duas criações sob medida reveladas pela marca britânica durante sua programação privada em Monterey. A outra foi um Black Badge Cullinan Series II desenvolvido em colaboração com o artista francês Cyril Kongo. Juntos, os dois carros mostram como a Rolls-Royce tem usado seu programa Bespoke para ir além da personalização tradicional e criar automóveis pensados como peças únicas para colecionadores.
A Monterey Car Week é um dos encontros mais importantes do calendário automotivo de luxo. Em 2026, o evento aconteceu ao longo de dez dias, de 7 a 16 de agosto, com atividades em Carmel-by-the-Sea, Carmel Valley, Marina, Monterey, Pacific Grove, Pebble Beach e Seaside. A programação reuniu mais de 35 eventos, incluindo exposições, corridas históricas, leilões, encontros privados e o Pebble Beach Concours d’Elegance, que chega à 75ª edição.
O impacto também passa pela economia local. A semana costuma atrair mais de 100 mil visitantes e tem gasto estimado de US$ 130 milhões. Foi nesse cenário que a Rolls-Royce montou novamente sua Villa privada com vista para o Oceano Pacífico. Em vez de um estande tradicional, o espaço funcionou como uma casa reservada para clientes convidados, com eventos fechados, encontros com designers, consultas com especialistas do Bespoke e contato direto com executivos da marca.
“Monterey Car Week se tornou um dos momentos mais importantes do calendário global de luxo”, afirma Nick Keen, presidente e CEO da Rolls-Royce Motor Cars North America. Segundo ele, a Villa permitiu que clientes conheçam as possibilidades do programa Bespoke em um ambiente mais reservado, distante da movimentação dos eventos públicos.
O Rolls-Royce com ouro
O Black Badge Ghost Golden Era foi criado como tributo à história dos motores V12 da Rolls-Royce. A proposta aparece no nome, nos materiais e nos detalhes técnicos transformados em acabamento.
A carroceria tem pintura Gold Crystal sobre Black. A tonalidade usa tinta com infusão de ouro, criando brilho sutil sob luz natural. Na lateral, uma linha feita à mão traz o motivo “V12” ao longo do carro. O conjunto inclui ainda linhas douradas no capô e inserções pintadas em ouro nos para-choques.
Por dentro, a referência ao V12 continua nos bancos, nos bolsos das portas e no apoio de braço central traseiro, com bordados criados especialmente para o projeto. Pela primeira vez em um Rolls-Royce, o painel interno traseiro recebeu uma ilustração técnica bordada da arquitetura interna de um motor V12 da marca.
O acabamento Technical Fiber também ganhou tratamento específico, com flocos microscópicos de ouro suspensos no verniz. Há ainda detalhes dourados no acabamento interno, saídas de ar gravadas, uma Illuminated Fascia exclusiva com a inscrição Golden Era, cinzeiro com aplicação de ouro, Starlight Headliner com estrelas cadentes douradas e uma placa no motor em homenagem ao atual V12 da Rolls-Royce.
O resultado é menos um catálogo de opcionais e mais uma narrativa construída em torno da engenharia. O Golden Era celebra o motor V12 não apenas como componente mecânico, mas como símbolo de uma tradição da marca que atravessa mais de um século.
O outro carro único
Além do Ghost Golden Era, a Rolls-Royce levou a Monterey o Black Badge Cullinan Series II by Cyril Kongo, também criado como peça única para um cliente da América do Norte. O SUV foi desenvolvido em colaboração com o artista francês Cyril Kongo, conhecido por levar a linguagem do graffiti ao universo da arte colecionável.
No Cullinan, a carroceria recebeu cores vibrantes, pintura feita à mão e detalhes sob medida. O interior segue a mesma linguagem, com tratamentos de cor, materiais selecionados e acabamentos produzidos pelos artesãos da Rolls-Royce em Goodwood.
A proposta é diferente do Golden Era, mas a mensagem é parecida. Enquanto o Ghost homenageia a engenharia da marca, o Cullinan se aproxima da arte contemporânea. Nos dois casos, o carro deixa de ser apenas produto de luxo e passa a funcionar como expressão pessoal do cliente.
Bespoke como estratégia
A Rolls-Royce tem usado o programa Bespoke para reforçar uma ideia central: seus carros mais exclusivos não são definidos apenas por preço ou raridade, mas pela capacidade de contar a história de quem os encomendou.
Em Monterey, essa estratégia apareceu de forma direta. O Ghost Golden Era parte de um tema técnico, o V12, e o transforma em pintura, bordado, iluminação e detalhes em ouro. O Cullinan de Cyril Kongo parte da arte urbana e a traduz em um SUV de luxo. Nenhum dos dois carros foi criado para produção em série.