A La Compagnie, companhia aérea francesa que opera apenas com classe executiva entre a Europa e os Estados Unidos, lançará uma rota entre Nova York e Düsseldorf, na Alemanha, na primavera de 2027 no hemisfério norte, tornando-se a única companhia aérea com uma ligação sem escalas entre as duas cidades. A empresa operará até cinco voos semanais entre o Aeroporto Internacional Newark Liberty (EWR) e o Aeroporto de Düsseldorf (DUS), a bordo de um novo Airbus A321neo LR.
A cabine é espaçosa, com apenas 76 assentos em configuração 2-2, e os recursos são aqueles que se esperam da classe executiva: assentos que se transformam em camas totalmente horizontais, sistema moderno de entretenimento a bordo, Wi-Fi gratuito, franquia generosa de bagagem e acesso garantido a lounges. Como se trata de uma companhia aérea essencialmente francesa, a comida e o vinho também são consistentemente bons. Os menus são criados por chefs franceses e italianos e harmonizados com vinhos franceses e Champagne — nada de trocar o produto no seu mimosa; Piper-Heidsieck é de verdade.
Mas aquilo pelo qual a La Compagnie é principalmente conhecida é oferecer um voo confortável com um desconto significativo. A companhia anuncia tarifas “20% a 30% mais baixas do que as de companhias aéreas comparáveis”, e às vezes a diferença é ainda maior. Uma viagem de ida e volta de Newark a Paris para a semana de moda deste mês está atualmente anunciada por US$ 4.693,66, contra US$ 8.735,73 por uma passagem de classe executiva da Air France nas mesmas datas — cerca de 46% menos.
A companhia aérea avançou muito. Ela continua sendo uma participante pequena no mercado de longa distância transatlântico, operando atualmente apenas dois Airbus A321neo de corredor único. Após uma longa espera, em meio aos atrasos de entrega em toda a indústria ligados às restrições na cadeia de suprimentos da Airbus, a empresa espera receber sua terceira aeronave em 2027, seguida por uma quarta, um A321neo XLR, em 2028.
A La Compagnie começou a voar em 2014 com um Boeing 757-200 entre Newark e Paris. Hoje, opera exclusivamente com A321neo, tendo acrescentado Nice Côte d’Azur, em 2019, e Milão Malpensa, em 2022, e recentemente estendeu pela primeira vez sua rota Nova York–Nice para a temporada de inverno.
Düsseldorf é uma aposta nas viagens de negócios
Além de ter mostarda, pretzels, Glühwein e mercados de Natal realmente bons, Düsseldorf é um importante centro de negócios. É a capital da Renânia do Norte-Vestfália, estado que abriga 18 das 50 maiores empresas da Alemanha, incluindo Bayer, Deutsche Telekom, E.ON e ThyssenKrupp, segundo a agência estatal de investimentos NRW.Global Business. Também é um dos principais destinos do mundo para feiras comerciais, graças à Messe Düsseldorf, um dos maiores centros de exposições do mundo.
“Düsseldorf representa um próximo capítulo natural no desenvolvimento da La Compagnie”, disse Christian Vernet, presidente e CEO da La Compagnie, em comunicado. “No coração de uma das regiões econômicas mais dinâmicas da Europa, com fortes empresas internacionais e relações de longa data com os Estados Unidos, a Renânia do Norte-Vestfália é muito adequada ao nosso modelo único de operação exclusivamente em classe executiva. Estamos ansiosos para receber a bordo viajantes da região, ao mesmo tempo em que oferecemos à nossa clientela americana uma nova e conveniente porta de entrada para a Alemanha.”
Dito isso, céticos da indústria ainda argumentam que uma companhia aérea exclusivamente de classe executiva simplesmente não é sustentável no momento. O combustível de aviação tem sido a maior história da aviação neste ano: desde o fechamento do Estreito de Ormuz no fim de fevereiro, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) prevê que as companhias aéreas pagarão quase US$ 100 bilhões a mais por combustível de aviação em 2026 do que no ano passado e que os lucros do setor cairão pela metade.
A Spirit Airlines encerrou suas operações permanentemente; KLM, Lufthansa, Air New Zealand, Cathay Pacific e Qantas reduziram capacidade; a Fitch revisou sua perspectiva para o setor aéreo global para “em deterioração”; e muitas companhias aéreas estão se preparando para preços elevados até 2027.
Como a La Compagnie consegue ter lucro?
E, ainda assim, a La Compagnie é lucrativa desde o exercício financeiro de 2021–2022, após a recuperação da crise da Covid-19. Perguntei a Vernet como ele consegue isso.
“A eficiência no consumo de combustível é uma parte importante do nosso modelo econômico. Operamos uma frota composta exclusivamente por Airbus A321neo, que consome significativamente menos combustível do que aeronaves tradicionais de fuselagem larga — até cerca de 30% menos, dependendo da aeronave e das condições operacionais. Essa eficiência nos ajuda a mitigar o impacto dos preços mais altos dos combustíveis”, afirma Vernet. “Também ajustamos nossos preços para refletir o aumento dos custos operacionais.”
Em outras palavras, parte do custo é repassada aos clientes, e o desconto pode diminuir quando a precificação dinâmica permite. Mas a conclusão mais importante está na própria aeronave. Aviões de fuselagem larga dominam as rotas transatlânticas das grandes companhias, em parte porque enfrentam turbulências com mais suavidade. Uma aeronave de corredor único preenchida inteiramente com assentos de classe executiva é o que diferencia a La Compagnie, e isso é central para o modelo de negócios.
“Nossa frota de um único modelo de aeronave é outra vantagem importante, pois nos permite manter nossas operações relativamente simples e eficientes, principalmente em termos de manutenção, treinamento de tripulação e gestão da frota. Por fim, nosso tamanho menor e nosso modelo de negócios focado significam que nossa base de custos fixos é estruturalmente menor do que a das companhias aéreas maiores”, acrescenta Vernet.
Uma classe executiva confiável e confortável
O setor aéreo gosta de ostentação e brilho para seu público de executivos de alto escalão. A La Compagnie não é nada disso. Os franceses se afastaram da ostentação depois que a celebração extravagante da noite eleitoral do ex-presidente Nicolas Sarkozy na Champs-Élysées fez esse estilo pegar mal; ele já não é considerado le bon goût. Esta companhia aérea é toda sobre luxo discreto e silencioso: limpa e elegante, com cabines em branco vivo e azul-claro, camas horizontais confortáveis e uma biblioteca de filmes franceses fantasticamente peculiares ao lado dos esperados sucessos de Hollywood.
Na última vez em que voei com a La Compagnie, uma comissária me chamou pelo nome e sabia da minha tendência a conversar em francês. Foi um gesto sutil, mas revelador. A comida é excelente, as camas horizontais são confortáveis e o produto como um todo é consistentemente bom.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com