A Mercedes-Benz encontrou espaço onde quase ninguém decidiu competir no Brasil. Em vez de lançar mais um SUV, a marca alemã escolheu uma minivan de luxo, com sete lugares, bancos individuais e uma proposta que aproxima o transporte executivo do conforto encontrado nos automóveis premium. O Classe V chega em pré-venda por R$ 729.900 (na versão mais de “entrada”) e inaugura uma nova frente de atuação da fabricante no país.
O tamanho atual desse mercado é pequeno. E é justamente aí que está a aposta. “Se você olha só para os números hoje, pode dizer que é pequeno, mas é um segmento que pode crescer. Esse é o nosso olhar: vamos começar e ver um segmento novo crescer. Temos um produto de qualidade e um ótimo preço para isso”, afirma Ronald Koning, presidente e CEO da Mercedes-Benz Cars & Vans Brasil.
Hoje, uma das poucas referências desse tipo no mercado brasileiro é o Kia Carnival, que registrou 169 unidades entre janeiro e agosto. Mas a ausência de muitos concorrentes começa a chamar a atenção de outras fabricantes.
A Denza, marca premium do grupo BYD, já apresentou no Brasil em avant-première o D9, uma minivan elétrica. Outro modelo aguardado é o Zeekr 009. Ou seja: um espaço até agora pouco disputado começa a atrair justamente as fabricantes chinesas que vêm ampliando rapidamente sua atuação no segmento de maior valor. A Mercedes quer chegar antes que esse mercado fique mais congestionado.
Luxo para quem vai atrás
A lógica do Classe V é diferente daquela de boa parte dos automóveis premium. Embora o motorista tenha à disposição os equipamentos esperados de um Mercedes-Benz, grande parte do projeto está concentrada em quem viaja nas fileiras traseiras.
São sete lugares e duas configurações. No V 300 Avantgarde, a segunda fileira recebe dois bancos individuais, com apoios de braço próprios. Os assentos podem ser reorganizados, inclusive em posição frente a frente, permitindo transformar a cabine em um espaço para conversar ou trabalhar durante os deslocamentos.
O V 300 Elegance leva a proposta adiante. Os dois assentos da segunda fileira têm climatização, apoio para os pés e carregador de smartphone por indução. A ideia é aproximar a experiência de uma sala executiva sobre rodas. Nessa versão, o valor do veículo vai para R$ 834.900.
O acabamento utiliza couro Lugano, disponível em preto ou bege, revestimentos em madeira oliveira e iluminação ambiente com 64 opções de cores. Há ainda ar-condicionado, vidros com isolamento térmico, bancos dianteiros aquecidos e volante com aquecimento.
Essa configuração ajuda a explicar onde a Mercedes pretende encontrar clientes. O Classe V pode ser usado tanto em viagens familiares quanto em transporte executivo, situação em que o proprietário nem sempre será a pessoa sentada ao volante.
Como é o Classe V
Apesar das dimensões de van, o Classe V traz uma configuração mecânica próxima da lógica dos automóveis da marca. As duas versões usam o motor M254 a gasolina, com 231 cavalos e 370 Nm de torque, combinado ao câmbio automático de nove marchas e tração traseira. A velocidade máxima é de 200 km/h.
O tamanho é um dos principais argumentos do modelo. São 5,37 metros de comprimento e porta-malas de 1.410 litros. O tanque comporta 70 litros. O V 300 Avantgarde usa rodas de 18 polegadas com pneus 245/45 R18. No Elegance, as rodas passam a 19 polegadas, também com pneus 245/45. As opções de pintura são Azul Sodalite, Cinza Grafite, Preto Obsidian e Prata High-tech.
O tamanho não significa abrir mão de recursos para facilitar o uso urbano. As duas portas laterais deslizantes têm acionamento elétrico. A janela traseira também pode ser aberta de maneira independente.
O sistema de trilhos permite reorganizar os bancos, enquanto os encostos traseiros podem ser rebatidos para ampliar a capacidade de carga. Na cabine, o modelo traz integração com smartphones, touchpad e sistema de áudio Burmester 3D.
Um carro de 5,37 metros
O Classe V vem com assistente ativo de frenagem, manutenção ativa em faixa, monitoramento de ponto cego, entre outros dispositivos de segurança. Há ainda câmera para monitorar o motorista e pacote de estacionamento com visão de 360 graus.
Mesmo que seja um carro de mais de 5 metros, a sensação de dirigir é como se estivesse em um dos SUVs de luxo da Mercedes. É muito possível que você se esqueça de que tem nas mãos uma minivan.
Por décadas, luxo no Brasil esteve fortemente associado a sedãs e, mais recentemente, aos SUVs. A chegada do Classe V testa outra possibilidade: clientes dispostos a pagar por espaço, modularidade e conforto de quem viaja atrás.
Por enquanto, a Mercedes tem pouco trânsito ao redor. O Classe V, portanto, não chega apenas para ocupar uma lacuna no catálogo da Mercedes-Benz. Ele coloca a fabricante alemã em um segmento praticamente aberto no Brasil — pouco explorado hoje, mas que já entrou no radar de concorrentes que também procuram novas formas de vender luxo além dos SUVs.