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O Carro Chinês Que Liderou o Mercado Premium Brasileiro Pelo Terceiro Mês Seguido

O Denza B5 encerrou agosto com 677 emplacamentos e 18% de participação entre os modelos premium

10 min

O mercado de carros premium brasileiro encolheu em agosto. Mas, dentro dele, um carro chinês voltou a ocupar o lugar mais alto do ranking. Pelo terceiro mês consecutivo, o Denza B5 foi o veículo premium mais vendido do Brasil, segundo dados compilados pela Bright Consulting. O SUV da marca premium do grupo BYD encerrou agosto com 677 emplacamentos e 18% de participação entre os modelos de luxo. Ficou à frente do BMW X1, que somou 509 unidades, e consolidou uma sequência que deixou de parecer um movimento pontual.

O dado é significativo porque acontece em um segmento historicamente dominado por marcas europeias. No acumulado do ano, a BMW ainda lidera o mercado premium brasileiro como marca. Em agosto, inclusive, a fabricante alemã emplacou 1.255 veículos, alcançou 33,4% de participação e colocou quatro modelos entre os dez mais vendidos: X1, 320i, X3 e X2.

Ainda assim, o avanço da Denza mostra uma mudança de temperatura no segmento. A marca fechou o mês na segunda posição entre as fabricantes premium, com 683 unidades e 18,2% de participação. Mais do que isso: as marcas chinesas chegaram a 20,1% do mercado premium em agosto, o maior patamar até agora. Um ano antes, representavam apenas 1,3% do segmento, com 60 unidades. Em agosto de 2026, foram 757 emplacamentos.

O premium caiu, mas a Denza cresceu

O desempenho do B5 chama atenção porque veio em um mês ruim para o mercado de luxo. O segmento premium terminou agosto com 3.757 emplacamentos, queda de 7% sobre julho e retração de 16% na comparação com agosto de 2025, segundo a Bright Consulting.

No acumulado do ano, o mercado soma 31.601 unidades, recuo de 6,4% sobre o mesmo período do ano passado. O contraste com o mercado total é forte: enquanto o segmento premium caiu, o mercado geral cresceu 22% em agosto e 19,3% no acumulado de 2026.

A queda também aparece por canal. As vendas diretas representaram 22,5% do premium em agosto, abaixo dos 26,1% de julho e dos 27,6% de agosto do ano passado. Foram 844 unidades nesse canal, recuo de 19,8% em relação a julho e de 31,8% na comparação anual. Já o showroom somou 2.913 emplacamentos no mês.

É nesse cenário de retração que o Denza B5 se tornou o principal ponto de crescimento do segmento. Para Werner Schaal, diretor comercial da Denza, o resultado não veio apenas do produto.

“Nós estamos muito satisfeitos com esses resultados”, afirma Schaal, em entrevista à Forbes Brasil. “Sempre tivemos confiança, mas houve um trabalho intenso para que isso acontecesse. Não foi só venda. Foi expansão de rede, estratégia de marketing, eventos para dar experiência ao cliente e trabalho junto aos concessionários.”

Segundo ele, a sequência de liderança do B5 confirma que a marca conseguiu entrar em um território difícil. “Não foi uma surpresa, mas foi uma grata satisfação ver que o trabalho está dando resultado.”

DivulgaçãoWerner Schaal, diretor comercial da Denza

Principais números do mercado premium em agosto

  • Mercado premium em agosto: 3.757 unidades
  • Variação vs. julho: -7,0%
  • Variação vs. agosto de 2025: -16,0%
  • Acumulado de 2026: 31.601 unidades
  • Variação no acumulado: -6,4%
  • Líder entre modelos Denza B5: 677 unidades
  • Participação do Denza B5 entre modelos: 18,0%
  • Líder entre marcas no mês BMW: 1.255 unidades
  • Participação da BMW no mês: 33,4%
  • Participação da Denza no mês: 18,2%
  • Marcas chinesas no premium: 20,1%

Fonte: Bright Consulting

Como é o Denza B5

O Denza B5 foi escolhido pela marca como porta de entrada de sua operação brasileira. Posicionado como estrela dessa estreia, ele é um SUV off-road híbrido que une robustez e refinamento em um mesmo pacote.

No desenho, a proposta da marca foi buscar inspiração na estética, na força e na agilidade de um leopardo. O resultado é um veículo de presença marcante, reforçada também pelas dimensões: 4.890 mm de comprimento, 2.800 mm de entre-eixos, 1.920 mm de altura e 1.970 mm de largura, medidas típicas de um SUV grande no segmento premium.

A base técnica é a plataforma DMO, com autonomia combinada de até 1.200 km e entre 90 e 100 km em modo totalmente elétrico. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 4,8 segundos. O modelo utiliza construção sobre chassi e combina sistema híbrido com tração integral 4×4 (EHS), três bloqueios de diferencial – dianteiro, traseiro e central -, capacidade de reboque de até 2.500 kg e 16 modos de condução.

Por dentro, o B5 concentra boa parte do discurso de luxo da Denza. O SUV traz sistema de áudio Devialet com 18 alto-falantes, refrigerador com função de aquecimento e resfriamento e bancos em couro genuíno premium com aquecimento, ventilação e 10 pontos de massagem. O preço do modelo é de R$ 436.000.

Tecnologia como porta de entrada

A Denza chegou ao Brasil em um mercado de luxo acostumado a marcas antigas, com reputação construída ao longo de décadas. Por isso, Schaal diz que a empresa não poderia tentar disputar o segmento com os mesmos argumentos das concorrentes tradicionais.

“Para entrar nesse mercado, tivemos que vir com uma proposta distinta”, afirma. “A tecnologia é o nosso passaporte para esse segmento.” O próprio slogan global da marca, “Technology Drives Elegance”, resume essa aposta. A Denza se posiciona como uma fabricante premium chinesa capaz de combinar eletrificação, desempenho, design e recursos tecnológicos em produtos que não dependem apenas do preço para chamar atenção.

Schaal reconhece que há dois tipos de consumidores no luxo: o cliente mais aberto à novidade e o comprador tradicional, acostumado a marcas europeias. Para ele, estar dentro do grupo BYD ajuda a reduzir a resistência inicial.

“É uma marca nova, mas faz parte de um grupo muito forte”, diz. “Isso dá conforto para o cliente experimentar o carro e comprovar o que ele entrega.”

O boca a boca também passou a ter peso. Segundo Schaal, em um mercado premium relativamente pequeno, a experiência de um cliente rapidamente influencia outros compradores. “Uma pessoa compra, gosta e começa a falar. Isso se espalha com muita velocidade.”

SUVs, híbridos e china

O avanço da Denza também se encaixa em duas tendências do premium brasileiro: a concentração em SUVs e a eletrificação. Em agosto, os SUVs responderam por 74,2% do mercado premium, acima dos 72,1% de julho e muito acima dos 58% registrados em agosto de 2025. Já os eletrificados somaram 2.017 unidades, ou 53,7% do segmento.

Dentro desse universo, os híbridos plug-in lideraram com 1.101 emplacamentos, equivalentes a 54,6% dos eletrificados premium. A Denza dominou essa tecnologia com o B5, responsável por 61,5% dos híbridos plug-in de luxo vendidos no mês.

O movimento reforça a importância do B5 para a estratégia da marca. Ele foi o primeiro carro da Denza vendido fora da Ásia e fez do Brasil um dos mercados pioneiros na expansão internacional da marca.

“Fomos pioneiros nessa investida fora da China. As concessionárias brasileiras foram as primeiras do mundo com esse design, e o B5 foi o primeiro Denza vendido fora da Ásia”, explica Schaal.

Segundo o executivo, os resultados no país têm sido acompanhados de perto pela liderança global da BYD. “O Brasil não é apenas bons resultados. É também pioneirismo dentro da estratégia global.”

A família cresce

Até pouco tempo atrás, a Denza dependia praticamente de um modelo no Brasil. Agora, a marca começa a ampliar o portfólio. O Z9 GT já começou a ser vendido no país. Segundo Schaal, os primeiros emplacamentos ainda devem aparecer de forma gradual, já que as vendas começaram na prática na última semana. O D9, por sua vez, entrou em fase de pré-venda e deve ter as primeiras entregas no mês que vem.

O Z9 GT chega com uma proposta diferente da do B5. Além do posicionamento mais alto, estreia no Brasil a tecnologia Flash Charge, um dos recursos centrais da nova fase da Denza. Segundo Schaal, o sistema permite carregar até 97% da bateria em 9 minutos, aproximando a experiência de abastecimento à de um carro a combustão.

A marca planeja instalar 1.000 carregadores ultrarrápidos até o fim de 2027. A estratégia passa por concessionárias, mas também por destinos frequentados pelo público premium. Em São Paulo, Schaal cita locais como Fazenda Boa Vista e condomínio Quinta da Baroneza. No Nordeste, a ideia é acompanhar os deslocamentos pela costa entre capitais.

“O carregador rápido faz muito sentido nos trajetos que o cliente já faz”, afirma. “Queremos tirar a preocupação de autonomia nos deslocamentos para casa de campo, praia ou viagens de fim de semana.”

Segundo ele, a tecnologia foi pensada para contornar limitações de infraestrutura elétrica. O sistema trabalha com grandes bancos de bateria e não exige uma entrada de 1 megawatt para funcionar. “O Flash Charge foi pensado para minimizar esse problema no Brasil.”

O hipercarro que vem depois

O próximo passo mais simbólico será o Denza Z, apresentado no Goodwood Festival of Speed, no Reino Unido. O esportivo elétrico tem chegada prevista ao Brasil ainda no segundo semestre e deve custar cerca de R$ 1,5 milhão, como adiantado pela Forbes Brasil.

Em Goodwood, a Denza apresentou três versões do Z: Coupé, Spider e Racing. Todas usam três motores elétricos, com 1.604 cv e 1.240 Nm de torque. O Coupé acelera de 0 a 100 km/h em 2,25 segundos, chega a 300 km/h e tem autonomia WLTP de 410 km. O Spider faz a mesma arrancada em 2,3 segundos, também atinge 300 km/h e tem autonomia de 400 km.

Para Schaal, o Z terá papel diferente dentro da marca. “Ele traz outro patamar, não apenas de preço, mas de produto”, afirma. “É um carro de performance incrível, com tecnologias que permitem uma dirigibilidade muito forte.”

A estratégia de lançamento também deve mudar. Em vez de eventos mais sociais, a marca pretende apostar em experimentação. “Esse é um carro que as pessoas precisam dirigir para entender o que ele entrega”, diz o executivo.

O design será parte do argumento. Schaal afirma que a Denza conseguiu evitar o excesso futurista comum em alguns elétricos de alto desempenho. “Algumas marcas exageram no aspecto futurista. A Denza está conseguindo trazer uma coisa mais atemporal e elegante.”

Rede de concessionárias

A Denza já tem sete concessionárias abertas e sete lojas temporárias no Brasil. Até o fim do ano, a meta é chegar a 22 concessionárias completas. Para Schaal, a localização será determinante, especialmente na capital paulista.

“São Paulo é muito grande. Existem pequenas São Paulos dentro da própria São Paulo”, afirma. “Estar perto do cliente é fundamental.”

A marca também aposta em eventos e embaixadores para construir imagem. Felipe Massa representa a parte de performance; Ana Paula Siebert, lifestyle; Carol Bassi, design; e Álvaro Garnero, experiências e aventura.

“Para nós, experiência é fundamental”, diz Schaal. “O cliente premium é muito demandante em qualidade, conforto e sofisticação. Precisamos estar próximos dele.”

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