Alguns carros raros dependem do número de unidades produzidas para justificar o adjetivo. Neste Bugatti Veyron Grand Sport Vitesse, a conta é mais simples: existe apenas um.
Identificado pelo chassi 8.100, o hipercarro acaba de passar por um processo de restauração e certificação na fábrica da Bugatti em Molsheim, na França. Seu principal diferencial está à vista: praticamente toda a carroceria é feita de alumínio exposto e polido, criando um efeito quase espelhado.
A Bugatti não informa quem é o atual proprietário. Há, porém, uma pista difícil de ignorar. Algumas semanas antes da divulgação do trabalho, Fernando Alonso (o sexto piloto de Fórmula 1 mais bem pago do mundo pela lista da Forbes 2025) foi flagrado dirigindo justamente um Veyron Grand Sport Vitesse com essa configuração em Mônaco. Como o exemplar é único, tudo indica que seja o mesmo carro, embora a marca não confirme oficialmente a ligação com o bicampeão mundial de Fórmula 1.
O modelo é estimado entre 5 milhões e 6,8 milhões de euros, aproximadamente R$ 29 milhões a R$ 40 milhões.
Um Bugatti que exigiu toneladas de alumínio
O acabamento não surgiu simplesmente da retirada da pintura de um Veyron convencional. Para construir o carro originalmente, a Bugatti recebeu em Molsheim blocos de alumínio que chegavam a pesar 20 toneladas. O desafio era transformar o material bruto nos painéis externos e, ao mesmo tempo, alcançar a qualidade necessária para que as superfícies permanecessem expostas.
Sem tinta para esconder pequenas imperfeições, o próprio metal passou a fazer parte do desenho. No interior, a combinação seguiu em direção oposta: couro Carmine Red, fibra de carbono aparente e componentes de alumínio.
Todo o processo de desenvolvimento foi documentado desde os primeiros estudos de proporção e reflexão da luz até a montagem final, justamente por se tratar de uma das configurações mais incomuns produzidas na era Veyron.
Sob a carroceria, porém, está a conhecida receita do Grand Sport Vitesse. O motor W16 8.0 com quatro turbocompressores entrega 1.200 cv e 1.500 Nm de torque.
De volta à configuração original
Mais de uma década depois de deixar Molsheim, o Veyron retornou ao local onde foi produzido. O trabalho foi realizado dentro do La Maison Pur Sang, programa da Bugatti dedicado à pesquisa histórica, certificação e restauração de carros da marca. No caso do chassi 8.100, não se tratava apenas de recuperar componentes desgastados.
Ao longo dos anos, o carro havia recebido modificações de personalização posteriores à sua produção. Durante o processo, esses elementos foram retirados para devolver o Veyron à configuração em que havia sido concebido originalmente.
A documentação histórica também foi revisada para certificar procedência e autenticidade do exemplar. “Todo Bugatti conta uma história, mas alguns ocupam um lugar particularmente especial na história da marca”, afirmou Luigi Galli, especialista em patrimônio e certificação da Bugatti.
Um novo dono — e uma pista em Mônaco
A própria fabricante informa que o Veyron foi entregue a um novo proprietário e agora permanece na Riviera Francesa. É aí que a história volta a encontrar Fernando Alonso.
A Bugatti evita relacionar publicamente o piloto ao chassi 8.100, e portanto não há confirmação oficial da compra. Mas, neste caso, encontrar outro Veyron igual não é uma possibilidade: o carro de alumínio polido é único.
Se for mesmo o exemplar de Alonso, o piloto não acrescentou apenas mais um hipercarro à garagem. Levou para casa uma peça singular da história da Bugatti — restaurada exatamente para voltar a parecer como quando saiu de Molsheim pela primeira vez.