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O Clã Brasileiro do Tênis Que Brilha no Pickleball dos EUA

Jaime Oncins, um dos melhores tenistas brasileiros em todos os tempos, e seu filho Eric fazem sucesso no esporte de raquete que conquistou os norte-americanos

7 min

O sobrenome Oncins é sinônimo de quadra e raquete. O patriarca dos Oncins, Eduardo, deixou a Catalunha, na Espanha, ainda jovem, para tentar a sorte no Brasil. Fez família e ficou sócio do tradicional Clube Paineiras do Morumby, onde seus filhos Eduardo, Alexandre e Jaime aprenderam a jogar e desenvolveram sólidas carreiras.

Jaime, o mais novo, rompeu a barreira do profissionalismo e foi um dos grandes ídolos do tênis brasileiro antes do fenômeno Gustavo Kuerten. Jaiminho alcançou a posição 34 do ranking mundial, conquistou dois títulos no circuito da ATP e acumulou US$ 1.211,476 em prêmios oficiais. Ele foi fundamental na campanha em que o Brasil alcançou a semifinal da Copa Davis, em 1992.

Há 12 anos Jaiminho, de 56, vive nos Estados Unidos, em Monte Verde, região de Orlando (Flórida), onde dirige o programa de tênis da Montverde Academy. Ele prepara estudantes do colegial para tentar a carreira no tênis universitário. Como fez com seu filho Eric. Foi num bate-bola entre pai e filho numa quadra pública de tênis em Orlando que eles conheceram um jogo diferente. “De repente, a gente olha pro lado e estava esse esporte (pickleball). Fui perguntar como era por curiosidade, as pessoas foram super receptivas, me convidaram pra jogar, explicaram as regras. Adorei e comecei a pegar gosto”, conta Jaiminho.

A competitividade inata de todo atleta de alto rendimento, adormecida após a aposentadoria do tênis profissional, foi despertada pelo pickleball. “Quando eu fiz 50 anos, o cara que era o número um do circuito na época, Steve Kennedy, me ligou para perguntar se a gente poderia jogar juntos. Comecei a jogar alguns torneios para matar a vontade de competir e tomou um volume muito grande. Eu adoro competir. Quando parei de jogar tênis eu fui pro squash, depois joguei futebol no Clube Paineiras, mas quando encontrei o pickleball eu vi uma chance de competir de novo em alto nível”, recorda. “Estou levando muito a sério. Não jogo todo dia por causa do trabalho, mas sempre que posso, treino com jogadores profissionais mais jovens. Ser competitivo é o que me faz sentir vivo, o prazer em disputar torneios, e o pickleball está me dando uma segunda chance”.

Atualmente, Jaiminho joga o circuito APP (Association of Pickeball Players) na categoria Champions Acima de 50 anos. Ele é o líder do ranking de duplas mistas (joga com a parceira Lee Whitwell) e segundo colocado no ranking masculino. Os torneios da categoria em que o brasileiro participa pagam até US$ 4 mil em prêmios para os vencedores.

Eric, o filho mais velho de Jaiminho, tem 24 anos e joga o circuito da PPA (Professional Pickleball Association), no qual ocupa a nona posição. Ele se formou em Estudos Gerais jogando tênis universitário pela Florida Golf Coast University e seguiu a paixão do pai pelo pickleball. Os principais torneios do Carvana PPA Tour chegam a pagar até US$ 90 mil em prêmios para os campeões. Pai e filho disputaram alguns torneios juntos, comprovando a vocação da família Oncins com as raquetes. “O Eric está tendo no pickleball a vida que eu tive no tênis profissional, viajando o mundo para jogar o circuito”.

O crescimento do pickleball nos Estados Unidos é destacado pelo ex-tenista brasileiro. “Existem dois circuitos que competem entre si, o APP e o PPA. Estão crescendo globalmente, principalmente na Ásia, com os dois circuitos investindo muito em países como Malásia, Tailândia e Vietnã. Na Europa também está crescendo e já se fala até em Olimpíada, provavelmente na Austrália (Brisbane 2032)“, revela. O sucesso chamou a atenção do ambiente universitário, um dos pilares do esporte norte-americano. Existe o interesse de incluir o esporte no programa de bolsas para atletas das universidades.

Cerca de 24 milhões de pessoas jogam pickleball nos Estados Unidos, segundo dados de 2025. O recorte de cinco anos entre 2020 e 2025 mostra que o esporte cresceu 479% no período – a maior taxa de crescimento entre os esportes no país, o que coloca o pickleball entre os 25 mais praticados, de acordo com o Topline Participation Report.

Para Jaiminho o pickleball também pode encontrar terreno fértil no Brasil. “Ainda está nos primeiros passos, mas o brasileiro gosta muito de esporte e a gente viu o que aconteceu com o beach tennis. Muita gente do Brasil tem me perguntando de quadra, como faz para jogar, regras. É um esporte fácil de aprender e pega todas as idades. Aqui nos Estados Unidos tem gente de 80 anos disputando torneio. Tecnicamente não exige tanto e tem uma integração muito legal entre as pessoas”, acrescenta.

Afinal, qual é a magia do pickleball? Para quem joga tênis ou beach tennis, a adaptação é fácil? Jaiminho explica: “Todo jogador que tem um background de esporte de raquete encontra uma facilidade para começar no pickleball. Exige menos técnica do que o tênis. Ao mesmo tempo, é um esporte mentalmente muito forte. É um jogo de xadrez. A quadra é menor, então você tem que fazer as jogadas para criar espaços. Exige paciência, toque na mão (controle) e muito reflexo. Ultimamente está ficando mais agressivo o jogo, mas segue sendo exigindo muita visão de jogo”.

Sobre o futuro do esporte no Brasil, o brasileiro que lidera o clã verde amarelo do pickleball nos Estados Unidos deixa uma dica importante. “O pessoal que está realmente entrando de cabeça no pickleball precisa pensar em fazer um intercâmbio aqui nos Estados Unidos. O nível é mais forte, o esporte existe há mais tempo, e essa troca de informação é muito importante no desenvolvimento do atleta e do jogo”.

O que é o pickleball?

O pickleball surgiu por acaso em 1965, na Ilha de Bainbridge, perto de Seattle, Noroeste dos Estados Unidos. Três amigos tinham jogado golfe e buscavam uma brincadeira que pudesse juntar as famílias. Barney McCallum, Bill Bell e Joel Pritchard (foi vice-governador, congressista e senador pelo estado de Washington) pensaram no badminton, mas não tinham raquetes e nem a peteca tradicional. Resolveram improvisar com raquetes de tênis de mesa, abaixaram a rede de badminton e usaram uma bola de plástico perfurada, dessas de brinquedo, para jogar na grama.

Com o tempo, o esporte foi crescendo e ganhou regras e estrutura. Reúne elementos de tênis, badminton e tênis de mesa. A quadra tem 13,41 de comprimento por 6,10 metros de largura, com uma zona demarcada próxima à rede de com 2,13 metros de cada lado chamada de “cozinha”. Os jogadores não podem volear (pegar a bola de cima para baixo) dentro da cozinha. O objetivo é tornar o jogo mais disputado. A altura da rede é de 91,4 cm nas extremidades e 86,3 cm no meio.

O saque é efetuado abaixo da linha da cintura. Os jogos são de 11 pontos, mas é preciso abrir dois de vantagem. Depois do saque, a bola precisa quicar obrigatoriamente uma vez em cada lado da quadra, para atrasar os voleios e aumentar as disputas de ponto.

A bola é de plástico duro e seu diâmetro tem 7,4 cm, com peso máximo de 26 gramas. Para jogos em quadras abertas, onde há interferência do vento, a bola geralmente tem 40 furos, para que flutue menos e tenha menos impacto no solo. Em quadras fechadas, sem interferência do vento, são 26 furos, e a bola é mais leve e macia, para tirar a velocidade das partidas.

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