Maior esportes do Brasil e do mundo, o futebol está no centro do debate sobre as casas de apostas digitais, as Bets.
A opinião de cada um sobre o tema sempre será respeitada por mim.
Vou me ater ao aspecto puramente técnico da questão, no que tange ao esporte mais popular do Brasil.
Todo bom consultor de investimentos recomenda que ativos não sejam concentrados numa única operação. Não se deve investir somente num tipo de ação ou fundo. Diversificar amplia oportunidades e protege patrimônio.
Mesmo do alto de uma popularidade absurda e de um histórico de patrocinadores diverso, o futebol brasileiro optou por se jogar no colo das Bets. Mesmo sabendo que o terreno era, no mínimo, alagadiço.
Dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, 14 têm patrocínio master de Bets. Além de uma série de campeonatos que venderam direitos de nomes para casas de apostas.
Quando ocorre uma mudança de legislação ou crise no modelo de negócio, para onde os clubes podem correr? Quem tem na manga opções de diversificação, certamente sairá melhor da crise.
Diversas marcas de dezenas de ramos de atividade investem ou investiram no futebol. O ambiente sempre foi marcado por amadorismo e incertezas, mas o retorno institucional é indiscutível.
O que poucos diretores de marketing parecem atinar é que uma marca exposta na camisa de um time popular de futebol sobrevive ao tempo de contrato do patrocínio. Quantas camisas existem por aí com patrocinadores de clubes que ocuparam o espaço décadas atrás? Dezenas.
Com dívidas de R$ 17 bilhões, os clubes de futebol do Brasil – ou a maioria deles – foram seduzidos pelo canto de uma sereia de dinheiro que parecia fácil e inesgotável.
De novo: cada um pensa o que quiser sobre o tema. Minha análise é sobre a opção preferencial por um tipo de patrocinador.
Ao se jogar no colo de um tipo de negócio, o futebol brasileiro agiu pouco com a razão.
Agora precisa lidar com o impacto econômico e de imagem junto aos torcedores. Era melhor ter apostado na diversificação.