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Federer, o Cavalheiro do Tênis, Desperta Onda de Nostalgia

Ao ser introduzido no Hall of Fame, e jogando partidas de exibição, o gênio suíço reforça a saudade do tênis como eficiência e arte

3 min

Admito que sou suspeito ao escrever sobre o tema. Para mim, Roger Federer é o maior tenista de todos os tempos. Ver o suíço em quadra era como assistir a uma aula de Albert Einstein explicando a Teoria da Relatividade. Parecia que Federer havia inventado o jogo de tênis e seus movimentos. Havia, não, porque ainda hoje, quando participa de jogos de exibição, ele desfila seu arsenal de golpes e movimentos perfeitos como se estivesse na ativa.

Protagonizei alguns debates acalorados sobre quem é o melhor tenista da História. Respeito todas as opiniões. Há quem aponte a eficiência incontestável e os números de Novak Djokovic como argumento irrefutável. O sérvio é fenômeno indiscutível. Acompanho tênis desde a infância e não me lembro de ter visto jogador melhor que Djoko na defesa.

O que me faz optar por Federer, sem esquecer de Rod Laver, Pete Sampras, Agassi e tantos outros jogadores geniais, é o fato de ele ter feito tudo que fez com base na técnica apurada. O suíço não era o mais forte e nem o mais veloz. Seu tipo físico, comparado ao de superatletas de excelência como Djoko e Nadal, sugeria que ele não resistiria aos duelos. Mas resistiu, e como.

O que desperta a nostalgia em torno de Federer é saber que dificilmente surgirá um jogador como ele novamente. Alguém capaz de dominar os oponentes com base no controle técnico do jogo, de um habilidade incomum. Nos esportes de raquete, a ferramenta de trabalho é uma extensão do braço. Pesquisas recentes apontaram que jogadores de esporte de raquete têm o ponto de equilíbrio de seus braços situado entre o órgão e a raquete, como se a ferramenta fizesse parte do corpo.

Na era vigente, em que Sinner e Alcaraz flutuam acima da concorrência, imaginar que alguém como Federer possa encará-los parece um sonho. O próprio Federer respondeu que é cada vez mais difícil encontrar jogadores que façam o backhand com apenas uma das mãos, como ele e nosso brilhante Guga faziam. A maioria usa o golpe com as duas mãos, acompanhando uma tendência de biodinâmica do movimento humano. É mais fácil de executar, mais fácil de aprender e gera mais potência.

Até que os fatos me provem o contrário, seguirei reverenciando Roger Federer como o jogador que definiu o tênis, algo como uma enciclopédia viva. Daqui a milênios, quando nenhum de nós e de nossos descendentes estiver por aqui, nosso legado talvez esteja vagando pelo Cosmos em alguma sonda. Estou seguro que o ser que encontre a sonda, quando chegar ao tópico Tênis, será brindado com um vídeo de Federer para explicar o que era esse esporte.

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