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Salvem o Backhand com Uma Mão da Extinção

Cada vez menos utilizada, a batida de revés clássica do tênis também foi atropelada no US Open. Esse golpe maravilhoso não deveria desaparecer

3 min

Podem me chamar de nostálgico. Afinal, eu sou mesmo. A modernidade é necessária, a competitividade fala mais alto, mas o que seria do mundo sem os clássicos?

O US Open trouxe uma péssima notícia para quem, como eu, admira um dos golpes mais bonitos do tênis: o backhand usando apenas uma das mãos.

Pela primeira vez desde 1877, nenhum tenista que usa o backhand com apenas uma das mãos chegou à semifinal de um dos quatro Grand Slam (Abertos da Austrália, França, Inglaterra e Estados Unidos). O recorte do tênis masculino é necessário porque o golpe é ainda mais raro entre as mulheres. Entre as cem melhores do mundo, apenas quatro jogadoras usam essa técnica. No masculino, são cinco ou seis entre os top 100.

Para um brasileiro fã de tênis, pensar no backhand com apenas uma das mãos remete imediatamente a Gustavo Kuerten. Guga foi seguramente um dos melhores da história do tênis nesse golpe. A rainha Maria Esther Bueno também batia na bolinha de revés usando apenas uma das mãos na raquete. De uma forma leve e elegante, que a levou a ser chamada de “bailarina”.

A alemã Steffi Graf tinha um backhand com uma mão extremamente particular. Steffi usava o slice, aquele golpe em que se bate fatiando a bola, como uma arma poderosa. Não era apenas uma jogada de defesa para tirar o peso da bola. Steffi era agressiva no backhand de slice com uma mão. Muito bonito de se ver e admirar.

Entre os últimos representantes desse fundamento fantástico na atualidade estão o suíço Stan Wawrinka, que está se aposentando, e o grego Sefano Tsisipas.

Outro mestre do backhand com uma mão foi o suíço Roger Federer. Sinônimo de classe, elegância e eficiência. Mas ouso dizer que o backhand do Guga era melhor.

Converso com alguns amigos treinadores e ex-jogadores que me explicam que o backhand com as duas mãos é mais seguro e transfere mais potência nos golpes. Além de facilitar a defesa em golpes do adversário que fazem a bola subir muito no revés.

Entendo e aceito.

Mas me permito viajar na nostalgia para um tempo em que havia mais confrontos saudáveis de estilos.
O choque de realidade com o dado histórico do US Open valoriza ainda mais a beleza de um golpe que provavelmente vá desaparecer do tênis em alguns anos.

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