1. Início
  2. /
  3. Forbes MKT
  4. /
  5. Como a Influenciadora Maira Gomez Leva a Cultura Indígena de Volta ao Brasil
Forbes MKT

Como a Influenciadora Maira Gomez Leva a Cultura Indígena de Volta ao Brasil

Conhecida entre seus mais de 6,5 milhões de seguidores como Cunhaporanga, ela usa as redes sociais para combater preconceitos e preservar a cultura dos povos originários

3 min

Para entender o peso da influência de Maira Gomez – ou Jūgoa, seu nome indígena – é preciso medir o impacto de seus vídeos não apenas em likes, mas em quilômetros.

Antes de sua ascensão na internet, os moradores de sua comunidade, às margens do Rio Negro, no Amazonas, a 35 quilômetros de Manaus, precisavam remar de canoa ou entrar até cinco quilômetros na mata virgem em busca de água potável em um igarapé.

Hoje, graças à visibilidade de seu conteúdo, a aldeia conquistou um poço artesiano. “Agora todas as casinhas têm água encanada. Já não é aquele sofrimento de pensar que no dia seguinte temos que andar quilômetros”, celebra a influenciadora, um dos destaques da lista Forbes Top Creators de 2026.

Conhecida nas redes como Cunhaporanga (“moça bonita” em tupi), Maira soma, aos 27 anos, mais de 6,5 milhões de seguidores apenas no TikTok. Pertencente às etnias Tatuyo (por parte de pai, o cacique da aldeia) e Wanano (por parte de mãe), ela se tornou a principal janela digital para desmistificar a cultura dos povos originários.

A jovem, que na infância dependia de um barco diário para ir à escola e viajava à cidade aos finais de semana para aprender informática – “para podermos pedir uma ambulância em caso de emergência” –, é hoje um ícone da creator economy.

A indígena viralizou às vésperas da pandemia com um vídeo comendo mochiva (uma larva de besouro extraída da palmeira de bacabaçu) com farinha. O choque cultural rendeu ataques xenofóbicos de quem a acusava de “trazer a próxima covid comendo bichos estranhos”.

A resposta de Cunhaporanga foi a educação. Mostrando que a iguaria é herança ancestral e sinônimo de saúde, transformou o ódio em curiosidade e passou a exibir as belezas de seu cotidiano: do artesanato às pinturas corporais, o preparo de alimentos e as palavras em seu idioma.

Hoje, turistas de todo o Brasil viajam até a aldeia para conhecê-la, e o fluxo fomenta a economia local: cada família vende seu artesanato, gerando a renda que custeia materiais escolares e paga as contas de luz e da internet via satélite da comunidade.

O alcance dessa voz levou a um marco impensável para a jovem que ganhou seu primeiro celular aos 17 anos: Maira foi imortalizada como uma boneca Barbie no aniversário de 65 anos da marca, representando as mulheres indígenas brasileiras. “É uma lembrança para mostrar que nós também podemos estar à frente na luta e dar voz para outras.”

Com novos projetos de turismo engatilhados e o sonho de cursar administração, marketing e artes cênicas, Maira combate os estereótipos de que o indígena “não gosta de trabalhar”. “Nós somos como qualquer um, podemos realizar nossos sonhos. Somos capazes de estar em uma universidade e exercer muitas profissões.”

Para a criadora de conteúdo, essa emancipação comunitária e profissional caminha ao lado da responsabilidade global. Assume o papel de ponte entre o conhecimento ancestral e o futuro, e define seu trabalho como um chamado urgente à preservação. “A gente já está fazendo a nossa parte, mas gostaria que os outros valorizassem mais o nosso planeta”, diz. “Se a natureza morrer, a gente também vai junto. A gente só está de pé porque ela está de pé.”

*Reportagem publicada na edição 139 da revista, de março de 2026, que traz a lista Forbes Top Creators.

Acompanhe a Forbes no Google

Adicione a Forbes como fonte preferida no Google e encontre nossas notícias com mais facilidade.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.