Para entender a dimensão dos negócios (e do comprometimento) de Juliana Lima, conhecida na internet como Chef Ju Lima, basta olhar para o quintal de sua casa: uma cidade cenográfica de Velho Oeste erguida com um investimento de R$ 1,5 milhão. O espaço, equipado com saloon, banco e cadeia, funciona como um ecossistema comercial pronto para integrar inserções publicitárias orgânicas e abrigar a gravação de uma futura novela vertical.
No comando dessa estrutura está uma das mulheres churrasqueiras mais seguidas do mundo. Formada em administração e diplomada em gastronomia pela Le Cordon Bleu, em Paris, a mineira de 31 anos subverteu o rigor da culinária francesa ao aplicá-lo ao churrasco e à comida afetiva.
Esse conhecimento, agregado à internet, criou um sucesso digital que hoje soma 8,6 milhões de seguidores no Instagram (onde não é raro ter reels que ultrapassam os 10 ou 15 milhões de views), 1,61 milhão no TikTok e 660 mil inscritos no YouTube – onde já ultrapassa os 310 milhões de visualizações.
Sua carreira digital foi construída a partir de uma frustração. Após retornar da França, Juliana foi trabalhar em um tradicional restaurante francês em Belo Horizonte, mas a repetição diária a impedia de ser mais criativa.
Durante o início da pandemia, em 2020, ela postou seus primeiros vídeos de receitas e rapidamente percebeu a tração. Em vez de tratar as redes como hobby, passou a estudar tráfego pago e marketing digital com intencionalidade. A grande virada de chave, contudo, ocorreu em 2021, na TV Globo.
Ao entrar no reality Mestre do Sabor, o apresentador Claude Troisgros perguntou em qual restaurante ela trabalhava. “Não sou chef de restaurante nenhum, eu sou chef de Instagram”, cravou. A audácia rendeu 27 mil seguidores em um único segundo e chancelou seu modelo de atuação.
Nas redes, a estratégia de Ju Lima mescla inovação, técnica e cultura brasileira. Ela engaja pela curiosidade – como a maturação de carnes em goiabada, chocolate ou mel, e a “picanha do amor”, feita com crosta de açúcar –, mas também aposta forte no didatismo. Um único vídeo em que repete que o líquido vermelho da carne crua não é sangue bateu a marca de 50 milhões de visualizações.
A versatilidade para furar bolhas a levou a gravar collabs com nomes de peso, como Flávio Augusto, Sorocaba e Ana Castela, além de participar de programas de Marcos Mion, Danilo Gentili e Faustão na TV.
Atrás das câmeras, a gestão é familiar, dividida entre Juliana, o marido e o irmão. O escopo da empresa, por outro lado, tem escala. O portfólio inclui contratos com marcas como RAM e Swift, a venda de cursos culinários, investimentos em gado de corte e terrenos, além de palestras sobre marketing digital – sem contar o “miniestúdio Globo” na sua propriedade.
Para 2026, a meta é triplicar o faturamento de R$ 5 milhões alcançado em 2025. O grande motor dessa projeção é o lançamento de uma marca de utensílios de cozinha, em parceria com o influenciador viral Chef Otto, que já nasce com a ambição de gerar R$ 5 milhões no primeiro ano. “Sou uma empreendedora nata. Meus avós eram, meus pais são. Está no meu sangue.”
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