Dólar vai a R$ 5,95 com cautela global e ruídos políticos locais

Guadalupe Pardo/Reuters
Guadalupe Pardo/Reuters

Às 10:13, a moeda norte-americana avançava 0,74%, a R$ 5,9447 na venda

O dólar registrava alta na manhã de hoje (14) e bateu nova máxima recorde intradia acima de R$ 5,95, estendendo o rali da véspera em meio a exterior cauteloso e política doméstica tensa.

Às 10:13, a moeda norte-americana avançava 0,74%, a R$ 5,9447 na venda. Na máxima do dia, a divisa renovou seu pico histórico à marca de R$ 5,9518. O contrato mais líquido de dólar futuro era negociado em alta de 0,92%, a R$ 5,9495.

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Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, citou em nota ansiedade dos mercados internacionais nesta sessão devido a “uma segunda onda de infecção do coronavírus em alguns países e após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ter se mostrado bastante cauteloso sobre a possibilidade de uma recuperação econômica rápida após a pandemia”.

Ontem (13), o chairman do Fed disse que os Estados Unidos podem enfrentar um “período prolongado” de crescimento fraco e renda estagnada, ao mesmo tempo em que descartou o uso de juros negativos como uma ferramenta de política monetária.

Em nota, o Bradesco disse que a decepção em relação às perspectivas para a política monetária norte-americana, bem como temores em relação a tensões entre EUA e China, ajudavam a impulsionar a aversão a risco global.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que está muito decepcionado com a China, uma vez que o novo coronavírus surgiu pouco depois de os dois países fecharem a Fase 1 do acordo comercial.

Enquanto isso, em evidência do cenário sombrio para a maior economia do mundo, mais 2,981 milhões de norte-americanos fizeram pedidos de auxílio desemprego na semana passada, à medida que as ações de contenção do coronavírus massacram o mercado de trabalho dos EUA.

No exterior, diante do ambiente cauteloso, moedas pares do real apresentavam perdas acentuadas contra o dólar.

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Já no Brasil, “os ruídos políticos e os riscos fiscais não dão trégua”, completou Guilherme Esquelbek.

Nas últimas semanas, após a saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça, a política brasileira tem sido marcada pela incerteza, principalmente em meio a acusações de que o presidente Jair Bolsonaro teria cobrado uma mudança na superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro por motivos pessoais.

O presidente afirma que não citou a PF durante reunião ministerial do mês passado que está no centro do um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em meio a cenário externo cauteloso, política doméstica tensa e ambiente de juros baixos, o dólar já acumula alta de quase 48% contra o real no ano de 2020, e está a apenas alguns centavos de superar a marca de R$ 6.

Ontem, o Credit-Suisse disse que vê a moeda a R$ 6,20 no curto prazo, dizendo que um arrefecimento dependerá de fatores externos.

Ontem, a moeda norte-americana spot teve alta de 0,61%, a R$ 5,9012 na venda, máxima recorde nominal para um encerramento de sessão. (Com Reuters)

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