Dólar avança mais de 2% ante real com aversão a risco no exterior

Mercados globais retomam posições cautelosas em meio a temores sobre uma segunda onda de infecções por Covid-19

Redação
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Às 10:03, o dólar avançava 2,42%, a R$ 5,1675 na venda

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O dólar registrava alta acentuada contra o real nos primeiros negócios de hoje (15), voltando a se aproximar da marca de R$ 5,20 em início de semana marcado pela aversão a risco nos mercados internacionais.

Às 10:03, o dólar avançava 2,42%, a R$ 5,1675 na venda. Na máxima da sessão, o dólar spot foi a R$ 5,1774 na venda. O dólar futuro negociado na B3 tinha alta de 2,34%, a R$ 5,1745.

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Depois de um início de mês positivo para ativos arriscados, os mercados globais pareciam retomar posições cautelosas em meio a temores sobre uma segunda onda de infecções por Covid-19, principalmente depois que Pequim e alguns Estados norte-americanos registraram altas nos casos da doença no fim de semana.

Na capital chinesa, alguns distritos voltaram a estabelecer restrições ao movimento e às atividades comerciais em tentativa de frear a disseminação do vírus.

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“Hoje, o sentimento de fuga do risco volta a dominar os mercados globais em meio a sinais de que o coronavírus voltou à ganhar força”, escreveu Ricardo Gomes da Silva Filho, da Correparti Corretora. “Além disso, a divulgação de indicadores piores que o esperado na Ásia (…) ajudam a definir um cenário ruim para o dia.”

Dados divulgados hoje mostraram uma recuperação mais fraca do que a projetada na produção industrial da China, enquanto contrações sustentadas nas vendas no varejo e no investimento colaboraram para os sinais de que muitos setores da segunda maior economia do mundo ainda estão enfrentando os efeitos das paralisações causadas pelo coronavírus.

Refletindo o clima cauteloso, moedas de países emergentes ou ligadas a commodities — como rand sul-africano, dólar australiano, lira turca e peso mexicano — operavam em queda contra a divisa dos Estados Unidos. Outros ativos arriscados, como as bolsas de valores europeias e os futuros de Wall Street, também registravam perdas.

Enquanto isso, no cenário doméstico, “o foco retorna às tensões entre o Executivo e o Supremo Tribunal Federal”, disseram em nota analistas da XP Investimentos.

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Ontem (14), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, afirmou que a corte jamais se sujeitará a qualquer tipo de ameaça e irá recorrer a todos os meios constitucionais e legalmente postos para sua defesa, de seus ministros e da democracia, após novos protestos no fim de semana contra o STF por parte de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

A notícia de que o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, deixará o cargo em agosto deste ano, em uma decisão tomada de comum acordo com o Ministério da Economia, também estava no radar dos investidores.

Na última sessão, na sexta-feira (12), o dólar à vista fechou em alta de 2,14%, a R$ 5,0454 na venda.

O dólar já perdeu muito terreno desde que tocou máximas recordes em meados de maio, mas também recuperou alguma força após ter ficado abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois meses na primeira semana de junho.

O caminho do dólar daqui para frente ainda é incerto para os agentes do mercado, com riscos negativos — como a possibilidade de uma segunda onda de coronavírus e tensões políticas no Brasil — compensando as esperanças de uma retomada econômica global após a pandemia.

Neste pregão, o Banco Central fará leilão de até 7.600 contratos de swap tradicional para rolagem com vencimento em setembro de 2020 e fevereiro de 2021. (Com Reuters)

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