Estreia da Tesla no S&P 500 gera grande volume de negócios

Companhia passa a fazer parte do benchmark norte-americano na próxima segunda-feira, dia 21.

Jonathan Ponciano
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REUTERS/Mike Blake
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Companhia passa a fazer parte do benchmark norte-americano na próxima segunda-feira, dia 21

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A entrada da Tesla no S&P 500 na segunda-feira (21) irá desencadear o maior reequilíbrio de índices da história, mas as implicações de mercado poderão ser maiores no final das contas à medida em que ações voláteis tornam-se parte do mundo dos investimentos passivos.

A capitalização de mercado de US$ 620 bilhões da Tesla comandará cerca de 1,5% do valor total de mercado do S&P 500 quando a empresa entrar no índice na próxima segunda, à frente da Alphabet, mas ainda atrás do Facebook.

Este tipo de entrada histórica no S&P 500 gera uma enorme quantidade de negociações antes da empresa entrar no índice, que pode chegar a US$ 100 bilhões com investidores vendendo ações de outras companhias para comprar os papéis Tesla. A maior parte dessas negociações deve acontecer hoje (18). “O mercado é bastante eficiente quando se trata de lidar com este tipo de volume e movimentos técnicos”, diz David Barse, fundador e CEO da empresa de índices XOUT Capital.

A maior parte dessas vendas será feita em grandes ativos de tecnologia que estão bem posicionados para um grande volume de negócios, diz Mark R. Freeman, fundador da Socorro Asset Management. Ele acredita que só da Apple poderão sair cerca de US$ 8 bilhões, o maior ativo do S&P 500 em peso, com cerca de 6% do valor total.

A subida meteórica da Tesla este ano (que foi recebida com grande volatilidade) faria dela a sétima maior empresa do S&P 500 baseada nos preços de hoje – a frente da Berkshire Hathaway, JPMorgan e Visa – aumentando a sensibilidade do índice que está mais concentrado do que nunca.

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As ações da Tesla subiram 64% desde que o S&P Global anunciou a adição do papel ao S&P em novembro. As ações caminham para subir 680% apenas neste ano.

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Histórico essencial

O reequilíbrio de índices é comum no mercado de ações, mas nunca aconteceu nesta escala. À medida que empresas maiores se juntam ao S&P, os especialistas avaliam que a acumulação antes da inclusão no índice de uma empresa nem sempre dura.

“Se olharmos para as duas últimas entradas no S&P 500 deste tamanho, que foram a Berkshire Hathaway ponderando cerca de 1,2% e o Facebook com 1,5%, podemos perceber uma tendência de subir até à inclusão e, depois, as ações acabam tendo um desempenho abaixo do esperado”, declara Freeman.

O peso da Berkshire no índice é praticamente nulo desde a sua estreia no S&P há 10 anos. No entanto, o Facebook teve um aumento de 30% nas ações em 2020, aumentando o peso no índice em aproximadamente 2,1%. Após sua entrada em dezembro, o Facebook teve um desempenho inferior ao mercado nas semanas seguintes.

O que os investidores e os bancos pensam sobre a Tesla no S&P?

Alguns observadores de Wall Street se preocupam que a adição da Tesla ao S&P tenha chegado demasiado tarde. “O valor do índice S&P 500 seria US$ 566 bilhões mais elevado se a Tesla tivesse sido incluída na sua estreia”, diz Vincent Deluard, da StoneX.

Deluard argumenta que a seletividade do índice levou o S&P 500 a ter um desempenho inferior ao observado nas 500 maiores empresas negociadas na bolsa. “Os investidores só não se queixaram porque a inclinação do índice S&P 500 em direção a grandes limites permitiu bater 72% das ações dos EUA nos primeiros oito meses do ano, mas esse desempenho inverteu-se desde setembro”.

Em nota divulgada na quarta (16), o Goldman Sachs declarou que a inclusão da Tesla no S&P terá apenas uma “pequena contribuição para os ganhos do índice” e que o seu P/L (Preço/Lucro) de 170 é quase oito vezes a média de 22 do S&P 500 (aproximadamente o mesmo com e sem a Tesla).

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