Banco Central surpreende e eleva juros em 0,75 p.p., para 2,75% ao ano

Glowimages/GettyImages
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Aumento é o primeiro em quase seis anos e vem acima das expectativas do mercado

O Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual (p.p.) para 2,75% ao ano hoje (17), acima das expectativas do mercado no primeiro aperto monetário em quase seis anos. Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que “uma estratégia de ajuste mais célere do grau de estímulo tem como benefício reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos”.

“Além disso, o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social”, afirma o comunicado do Bacen.

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A elevação na Selic superou a expectativa do mercado, que apontava para um aperto de 0,50 pontos-base.

“Interessante notar que o BC opta por um arrocho maior do que esperado pela maioria dos investidores e entende que uma alta maior nesta primeira decisão diminui expectativas de altas futuras seguintes. Decidindo por um caminho de menor consenso, ancorando melhor a expectativa e levando uma sinalização forte ao mercado de responsabilidade com a meta”, avalia o economista e sócio da BRA, João Beck.

A alta dos juros ocorre em meio à escalada da inflação no Brasil, que em 12 meses já está próxima do teto da meta para o ano de 5,25%, à fraca atividade e à desvalorização contínua do câmbio, em um cenário de forte recrudescimento da pandemia de Covid-19 no país.

Para Flávio Aragão, sócio da 051 Capital, “a decisão parece acertada, visto que o impacto dos itens dolarizados na inflação tem sido relevante e aumentos mais acelerados podem gerar uma valorização do real e tirar pressão dos itens mais impactados pela moeda. Provavelmente o aumento não deve gerar nenhum impacto relevante no mercado de crédito, não prejudicando assim a demanda, que já se encontra baixa.”

O comunicado destaca ainda que “na avaliação do Comitê, uma estratégia de ajuste mais célere do grau de estímulo tem como benefício reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos. Além disso, o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social.”

“Esse trecho eleva o peso de 2021, que não fará mais parte do horizonte na reunião de maio, e dá um downplay no recrudescimento da pandemia, e o aumento do isolamento social. Ou seja, mesmo se piorar o BC irá elevar o juros”, avalia Étore Sanchez, economista-chefe Ativa Investimentos.

O Copom havia elevado os juros pela última vez no final de julho de 2015, quando a Selic passou de 13,75% para 14,25%. Naquele ano, a inflação fechou o ano acima dos 10%, superando o teto da meta do governo (6,5%), enquanto o PIB encolheu 3,55%, cenário que economistas caracterizavam como de “estagflação”. (Com Reuters)

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