CPFL Energia vê lucro crescer 15% no 4° trimestre com acordo por risco hidrológico

A CPFL Energia, do grupo chinês State Grid, registrou lucro líquido de R$ 989 milhões no quarto trimestre de 2020, alta de 15,5% ante mesmo período de 2019, ajudada por efeitos de um acordo entre empresas de energia e o governo sobre o chamado risco hidrológico na operação de usinas.

A companhia, que opera empresas de distribuição e tem negócios em geração, energia renovável, transmissão e comercialização, fechou o ano completo de 2020 com ganhos de R$ 3,70 bilhões, salto de 34,9% em base anual, segundo balanço divulgado ontem (25).

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Os Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiram R$ 1,9 bilhão entre outubro e dezembro, aumento de 10,4% frente aos mesmos meses de 2019. No ano, o Ebitda subiu 6%, para R$ 6,78 bilhões.

A CPFL Energia somou uma receita operacional líquida de R$ 9,27 bilhões no quarto trimestre, alta de 15,6% em comparação anual. No total do ano, a receita foi R$ 30,89 bilhões, crescimento de 3,2%.
A companhia destacou no último trimestre o resultado dos negócios de geração, que encerraram com lucro líquido de R$ 502 milhões, acima dos R$ 354 milhões de 2019.

O desempenho contou com impacto positivo de R$ 140 milhões pelo acordo sobre o risco hidrológico, que permitirá à CPFL prorrogar o prazo para exploração de suas hidrelétricas, disse à Reuters o presidente da companhia, Gustavo Estrella.

Ele acrescentou, no entanto, que a empresa ainda tem mais cerca de R$ 80 milhões a serem contabilizados pelo acerto com o governo, o que deve aparecer nos próximos resultados.

Em distribuição, os ganhos foram de R$ 543 milhões, abaixo dos R$ 608 milhões no quarto trimestre de 2019, em meio a impactos da Covid-19 sobre o mercado, mas com a companhia registrando no último trimestre um nível de inadimplência bem próximo de sua média história, segundo Estrella. “Conseguimos recuperar no tema da inadimplência, que preocupou muito no começo do ano”, afirmou ele.

Houve também retomada no volume de vendas de energia, que cresceu 1,8% no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2019, puxado pelos clientes residenciais, que apresentaram aumento de 5,5%.

No ano como um todo, no entanto, a venda de energia recuou 3,1% o devido às quedas de 5,6% e 10,1% no consumo da indústria e do comércio, respectivamente. Já o consumo residencial foi impulsionado pelo isolamento social e subiu 2,9%.

“Olhando o ano fechado, o desempenho é muito positivo. A situação em que estávamos no segundo trimestre, começo da pandemia, era de muita incerteza. Vimos um segundo semestre de recuperação, aconteceu no terceiro trimestre e foi ainda mais forte no quarto trimestre”, comentou o CEO.

A CPFL e outras elétricas foram apoiadas ao longo de 2020 por uma operação costurada pelo governo que viabilizou bilhões de reais em empréstimos bancários para distribuidoras de energia. A operação visou aliviar impactos da crise para as empresas, enquanto também postergou aumentos de tarifas para os consumidores, que pagarão os financiamentos em cinco anos.

Dividendos e investimentos

A CPFL Energia decidiu “de maneira preventiva” por uma distribuição de dividendos referentes a 2020 equivalente a 50% dos lucros, disse o presidente do grupo, ao revelar que a medida visa guardar o poder de fogo para novos negócios.

“Estamos numa expectativa de algum novo investimento, alguma aquisição nos próximos meses. Se isso por alguma razão não acontecer vamos declarar dividendos remanescentes”, explicou Estrella. Ele disse que a companhia avalia novas oportunidades tanto em geração, quanto transmissão e distribuição de energia.

No entanto, questionado sobre possíveis alvos, admitiu que a empresa olha o leilão de privatização da elétrica CEEE-D, controlada pelo governo do Rio Grande do Sul e responsável pela distribuição de energia em parte do Estado.

O leilão de desestatização da empresa terá sessão pública em 31 de abril. “Ainda estamos em discussão aqui sobre participar ou não.”

Em paralelo aos resultados, a CPFL divulgou um novo plano de investimentos para os próximos cinco anos, que prevê aportes totais de R$ 15,22 bilhões até 2025, contra uma previsão anterior de R$ 13,5 bilhões.

Somente em 2021 os investimentos estão estimados em R$ 3,4 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões para a área de distribuição. As projeções vêm após um aporte recorde da empresa em 2020, de R$ 2,8 bilhões, o que representou aumento de 24,6% na comparação com 2019. A área de distribuição da elétrica recebeu R$ 2,3 bilhões. (com Reuters)

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