Gasolina e gás de cozinha pesam em março e IPCA passa de 6% em 12 meses

Pilar Olivares/Reuters
Pilares Olivares/Reuters

Preços dos combustíveis subiram 11,23% em relação a fevereiro, enquanto o gás de botijão teve alta no mês de 4,98%

A inflação oficial do Brasil acelerou em março e chegou ao nível mais elevado para o mês em seis anos, superando o teto da meta do governo em 12 meses sob o peso da alta da gasolina e do botijão de gás em momento de preocupação com o aumento dos preços no país.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,93% em março depois de subir 0,86% em fevereiro, chegando ao nível mais elevado para um mês de março desde 2015 (+1,32%), representando no geral a taxa mais alta desde dezembro (+1,35%).

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O dado divulgado hoje (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou, entretanto, abaixo da expectativa em pesquisa de “Reuters” de alta do índice de 1,03%.

O resultado de março levou a alta do IPCA a superar o teto da meta do governo no acumulado em 12 meses ao chegar a 6,10%, de 5,20% em fevereiro. O objetivo oficial para a inflação este ano é de 3,75% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

A expectativa para o resultado em 12 meses do IPCA até março era de uma alta de 6,20%.

“Em 12 meses a taxa tende a subir, porque vamos deixar para trás taxas negativas de março a maio”, afirmou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. “A inflação de agosto para cá sem dúvida está num patamar mais alto que era habitualmente e historicamente.”

Os principais responsáveis para o resultado do mês foram, mais uma vez, os preços dos combustíveis depois de uma série de aumentos nas refinarias promovidos pela Petrobras, além do gás de botijão.

No geral, os preços dos combustíveis subiram 11,23% em relação a fevereiro, enquanto o gás de botijão teve alta no mês de 4,98%.

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“Foram aplicados sucessivos reajustes nos preços da gasolina e do óleo diesel nas refinarias entre fevereiro e março, e isso acabou impactando os preços de venda para o consumidor final nas bombas”, disse Kislanov.

“O mesmo aconteceu com o gás, que teve dois reajustes nas refinarias nesse período, … e agora o consumidor percebe esse aumento”, completou.

Em março, a gasolina subiu nos postos 11,26% e exerceu o maior impacto no IPCA do mês, enquanto o etanol teve alta de 12,59% e o óleo diesel avançou 9,05%.

Com isso, os preços dos Transportes tiveram a maior variação entre os grupos, acelerando a alta a 3,81% ante 2,28% em fevereiro.

Já o aumento do gás de botijão pressionou o grupo Habitação a acelerar a alta a 0,81% em março, de 0,40% no mês anterior. Além disso, a energia elétrica deixou para trás a queda de 0,71% de fevereiro e avançou 0,76% em março, pesando também sobre o resultado do grupo.

Por sua vez os preços do grupo Alimentação e bebidas seguem em desaceleração desde dezembro, avançando 0,13% em março de uma alta de 0,27% no período anterior, o que segundo Kislanov pode estar relacionado ao fim do auxílio emergencial, bem como à demanda reprimida com as medidas de isolamento.

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A alimentação no domicílio registrou queda de 0,17%, com recuo nos preços do tomate (-14,12%), da batata-inglesa (-8,81%), do arroz (-2,13%) e do leite longa vida (-2,27%).

Já a inflação de serviços, setor que mais sofre com as medidas de distanciamento por causa da pandemia de Covid-19, enfraqueceu a 0,12% em março, de 0,55% em fevereiro.

O ano de 2021 é de cautela com o cenário inflacionário em meio à desvalorização do real, com o Banco Central elevando a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, a 2,75%, e indicando outra alta do mesmo valor para maio.

Segundo a autarquia, a decisão levou em conta os riscos fiscais de curto prazo em meio ao recrudescimento da pandemia no país e preocupações com a queda das expectativas para a inflação.

A pesquisa Focus realizada pelo BC junto a especialistas toda semana mostra que as expectativas para a alta do IPCA vêm subindo, sendo calculada no levantamento mais recente em 4,81% para 2021. (Com Reuters)

 

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