Como investir sua restituição do imposto de renda?

Especialistas analisam opções de investimentos em renda fixa e variável para quem foi incluído pela Receita Federal nos pagamentos do segundo lote

Diana Lott
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Tarik Kizilkaya/Getty Images
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Receita Federal paga hoje (30) a restituição do segundo lote do imposto de renda

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Quem se organizou e entregou cedo a declaração do imposto de renda neste ano pode receber já nesta quarta-feira (30) sua restituição. Para o contribuinte que quer fazer seu dinheiro render, é uma oportunidade de investir o dinheiro e engordar as reservas ou se preparar para as despesas de fim de ano, por exemplo.

Serão pagos R$ 6 bilhões no total, uma média de R$ 1.428,57 por pessoa. Os contribuintes podem consultar o site ou os aplicativos da Receita Federal para saber se foram contemplados neste segundo lote. O pagamento do terceiro lote está programado para 30 de julho; o do quarto, para 31 de agosto, e o do quinto e último lote, para 30 de setembro.

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Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos, lembra que só deve investir quem não tem dívidas a pagar. Se o contribuinte tiver algum financiamento ou estiver devendo o cheque especial, por exemplo, o recomendável é negociar com a instituição financeira. “Muitos bancos oferecem descontos para quitar dívidas. Se não houver essa possibilidade, pode valer a pena aplicar o dinheiro e pagar o débito mais tarde”, diz Guilherme Artmann, chefe de renda fixa da Easynvest by Nubank.

Nesse caso, é importante comparar os juros cobrados pela instituição financeira com os juros pagos pelo investimento, incluindo a incidência de imposto de renda, se houver. Se o investimento render mais do que os juros da dívida, é mais vantajoso aplicar a restituição e esperar para quitar os débitos.

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Se o contribuinte estiver no azul, o próximo passo é definir um objetivo para o investimento. Quando o plano é usar o dinheiro nas férias do fim do ano ou para alguma compra na Black Friday, por exemplo, uma boa opção são os títulos do tesouro direto, afirma Artmann.

“O risco é baixo e a liquidez é alta, ou seja, a pessoa pode tirar o valor quando quiser. Além disso, é uma modalidade que aceita valores pequenos.” Há também CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) com opções de curto prazo – seis e três meses, por exemplo – e taxas bastante atrativas, diz Artmann. “As LCIs e LCAs têm ainda a vantagem de serem livres de cobrança de imposto de renda.”

Ao aplicar nos títulos públicos, o investidor deve estar atento às expectativas para a taxa Selic e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador que mede a inflação), que são usados como indexadores na grande parte desses papéis.

“Estamos em um ciclo de alta da Selic. Pela cartilha, você optaria por títulos pós-fixados ligados à Selic ou ao CDI, porque, na teoria, se o aumento de juros fizer efeito na inflação, você terá um IPCA menor, então os papéis indexados ao IPCA seriam prejudicados”, explica Artmann. “O mesmo vale para os títulos pré-fixados: caso haja uma alta de juros maior do que o esperado, você pode ficar com um rendimento menor.”

No entanto, quem não tem planos de curto prazo com os recursos da restituição e quer realizar investimentos de médio ou longo prazo tem nos títulos indexados ao IPCA uma boa alternativa, já que preservam o poder de compra face à inflação. “No ano passado eles tiveram desempenho muito bom porque a inflação subiu.”

Para quem quer usar a restituição para começar a investir na Bolsa, Sandra sugere os fundos multimercados, que ela descreve como “pau para toda obra”. “O mercado evoluiu muito nesse segmento, temos muitas casas novas abrindo com gestores qualificados e experientes, além de fundos para todos os perfis, e eles provaram que conseguem entregar bons resultados independentemente do cenário”, diz.

Uma oportunidade para os investidores de perfil arrojado são os papéis de empresas ligadas à retomada da economia, que devem subir à medida que a vacinação e o combate à pandemia da Covid-19 avançam. “Companhias de consumo discricionário, como varejo, e do setor de viagens e de educação podem ser boas apostas”, diz Sandra. Importante lembrar que é necessário pesquisar o perfil da empresa e seu desempenho financeiro antes de fazer qualquer investimento.

Seguindo o mesmo raciocínio, Sandra afirma que vale a pena considerar as ações de empresas norte-americanas, que já vivem o início do processo de valorização por causa da retomada da economia pós-pandemia. “É possível diversificar a carteira investindo no exterior, seja por meio de fundos ou BDRs (certificados de depósito de valores mobiliários, na sigla em inglês)”.

Os dois especialistas frisam o mesmo ponto: o essencial é não deixar o dinheiro parado na conta corrente. “Estamos em um cenário de inflação alta. Temos que nos preocupar se esse dinheiro, daqui a um ano, vai comprar a mesma cesta de produtos e serviços que hoje”, diz Sandra.

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