Bancos passam a ver alta mais forte do juro e taxa acima de 10% em 2022

O UBS BB passou a ver alta dos juros de 150 pontos-base nas duas últimas reuniões do Copom de 2021.

Redação
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Adriano Machado/Reuters
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O UBS BB passou a ver alta dos juros de 150 pontos-base nas duas últimas reuniões do Copom de 2021

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Três grandes instituições financeiras revisaram para cima suas projeções para o aumento da Selic a ser promovido pelo Banco Central na próxima semana, agora com um acréscimo de pelo menos 125 pontos-base no radar após a forte rodada de piora no balanço de riscos à inflação depois da ameaça concreta de furo do teto de gastos.

O UBS BB foi o mais agressivo até o momento e passou a ver alta dos juros de 150 pontos-base nas duas últimas reuniões do Copom de 2021, ante 100 pontos-base para cada do cenário anterior.

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Com mais aperto contratado para o começo de 2022, a taxa básica de juros da economia concluiria o ano que vem em 10,25% nominal, maior patamar desde julho de 2017 e 825 pontos-base acima da mínima histórica de 2% que vigorou entre agosto de 2020 e março de 2021. A Selic está atualmente em 6,25%.

“O que for preciso é, de fato, o que for preciso”, afirmou o UBS BB em relatório, fazendo referência a fala recente do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que a autarquia fará o “que for preciso” para a ancoragem da inflação no médio e longo prazos.

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Ainda na quinta, o Morgan Stanley elevou a 125 pontos-base o prognóstico de aperto monetário na próxima reunião do Copom. Para a instituição financeira, “125 pontos-base agora são os novos 100 pontos-base” – referindo-se à indicação do BC de não antecipar aumentos de forma agressiva.

Para o Morgan, contudo, agora ser mais duro na política monetária seria elevar os juros em 150 pontos-base – número precificado na curva de DI. O banco diz que vai monitorar quatro itens principais.

Qualquer pista sobre a magnitude do ritmo da próxima reunião em dezembro estará no foco, assim como se os membros do Copom mencionarão explicitamente os riscos específicos do regime fiscal – decorrentes do possível enfraquecimento da principal âncora fiscal do Brasil -, em vez da menção mais moderada de riscos às contas públicas que normalmente incluem nas comunicações.

Além disso, a atenção se volta também para as projeções de inflação do BC para o próximo ano com novas premissas de câmbio, juros e preços de energia, assim como para a deterioração de expectativas de inflação e indicadores centrais desde a reunião anterior.

A magnitude de aumento de 125 pontos-base para a próxima semana agora é prevista também pelo Credit Suisse, que calcula ainda outra elevação de 125 pontos-base em dezembro e mais duas altas adicionais no começo de 2022 – a primeira de 100 pontos-base e a segunda de 75 pontos-base, levando a Selic a 10,5% ao fim do ano que vem.

“Embora a decisão final (sobre o teto de gastos) ainda esteja para ser vista, em nossa opinião ambas as soluções (para o impasse) representam uma mudança no quadro fiscal do Brasil e uma piora dos fundamentos e vão exigir ação mais assertiva da política monetária para ancorar expectativas de inflação e reduzir o atual patamar de inflação para o centro da meta”, disse o Credit Suisse em nota.

Na véspera, outro grande banco estrangeiro, o JPMorgan, havia aumentado a 125 pontos-base sua projeção de adição da taxa Selic pelo Banco Central nas próximas duas reuniões do Copom, com o BC forçado a acelerar o ritmo de aperto monetário devido à deterioração do balanço de riscos para os preços.

A onda de ajustes foi ditada pela percepção de piora do cenário para as contas públicas –que impacta inflação– após o governo pressionar por um aumento do Auxílio Brasil (novo Bolsa Família) em parte bancado com recursos fora do teto de gastos.

A perspectiva de fim da âncora fiscal provocou uma liquidação nos mercados brasileiros na quinta, que se estendia para esta sessão, com nova alta do dólar e dos juros futuros e queda da bolsa. (com Reuters)

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