O que é Swift, o sistema financeiro que virou arma contra a Rússia

Cortar o acesso do país ao sistema internacional de pagamentos foi considerado uma possível “opção nuclear”. Entenda o que isso significa.

Alison Durkee
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Simona Granati - Corbis/Corbis via Getty Images - 27.fev.2022
Simona Granati - Corbis/Corbis via Getty Images - 27.fev.2022

Manifestantes na Itália protestam contra Rússia e pedem exclusão do país da Swift

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Líderes do G7, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo, disseram ontem (27) que aliados ocidentais decidiram cortar “certos bancos russos” do sistema mundial de comunicação interbancária chamado Swift.

A declaração em texto conjunto publicado pela presidência da França não especificou quais bancos russos foram afetados pela decisão. O comunicado acrescentou que uma força-tarefa transatlântica será criada em breve para coordenar as sanções contra a Rússia.

Cortar o acesso do país ao sistema internacional de pagamentos foi visto como uma possível “opção nuclear”. Entenda o que isso significa.

Principais fatos

A Swift, que significa Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, tem sede na Bélgica e lida com solicitações e mensagens de pagamento entre 11 mil instituições financeiras em todo o mundo, e entregou 42 milhões de mensagens por dia em 2021.

O “Washington Post” compara o sistema ao “Gmail do banco global”, e o “Financial Times” observa que, embora a Rússia e outros países ainda possam realizar transações bancárias com outros países sem a Swift, seria muito mais trabalhoso e caro.

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Cortar a Rússia da Swift teria um impacto econômico significativo: quando os EUA consideraram expulsar a Rússia da plataforma em 2014 devido à anexação da Crimeia, o ex-ministro das Finanças russo Alexei Kudrin estimou que o produto interno bruto da Rússia encolheria 5% em um ano sem a Swift, e o então primeiro-ministro Dmitry Medvedev comparou a mudança a uma “declaração de guerra”.

O FT também observa que a medida prejudicaria a capacidade da Rússia de lucrar com as exportações de petróleo e gás, que representam 40% da receita do país.

A Rússia estabeleceu um sistema de pagamentos alternativo e a China também tem seu próprio sistema que a Rússia poderia usar, mas o Atlantic Council observa que ambas as plataformas são significativamente menores que a Swift e não compensariam suficientemente a dor de serem cortadas.

“Não serei diplomático sobre isso. Todo mundo que agora duvida se a Rússia deve ser banida da Swift tem que entender que o sangue de homens, mulheres e crianças ucranianas inocentes também estará em suas mãos”, tuitou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, na quinta-feira.

Número de destaque

1,5%. Essa é a parcela das transações SWIFT em 2020 que vieram da Rússia, de acordo com números citados pelo FT.

O que não sabemos

Se o acesso da Rússia à Swift será realmente cortado. “Você criaria uma grande confusão na Rússia, mas também para serviços de pagamento transfronteiriços”, disse um executivo sênior de um banco estrangeiro ao FT. “Como a Europa pagaria sua conta de gás sem o Swift?”]

Autoridades dos EUA disseram que é muito cedo para considerar a mudança, mas que “nenhuma opção está fora da mesa”, informou o FT.

A Rússia invadiu a Ucrânia na manhã de quinta-feira (24), após semanas de especulação de que um ataque era iminente, provocando uma condenação generalizada de autoridades de todo o mundo. Os EUA e outros governos estrangeiros até agora optaram por responder às agressões da Rússia por meio de sanções econômicas, com Biden se recusando a colocar tropas americanas na Ucrânia porque isso poderia desencadear “uma guerra mundial”.

Países como EUA, Reino Unido, Austrália, Canadá, Japão e UE já haviam anunciado algumas sanções, depois que o presidente russo, Vladimir Putin, abriu caminho para o ataque na segunda-feira ao reconhecer formalmente os estados rebeldes de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia. Biden emitiu a “primeira parcela” de sanções de seu governo contra a Rússia na terça-feira, que incluiu o “bloqueio total” de dois bancos russos de acessar os mercados financeiros ocidentais e penalidades destinadas a “elites russas e seus familiares”. (Com Reuters)

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