Ibovespa fecha em alta impulsionado por minério de ferro e petróleo

Temor de intervenção política na Petrobras fez ações da estatal recuarem.

Amanda Péchy
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O Ibovespa fechou hoje (17) em alta de 1,77%, a 113.076 pontos, após um pregão marcado pela alta das ações do setor de commodities, como CSN (CSNA3) e PetroRio (PRIO3). O dia foi de digestão das altas nas taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto o preço do petróleo tornou a avançar.

O valor do barril Brent fechou em alta de 8,68%, a US$ 103,29, depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) disse que o mercado poderia perder 3 milhões de barris por dia (bpd) de petróleo e produtos russos a partir do próximo mês.

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O movimento impulsionou os papéis da PetroRio, que tiveram alta de 8,16%, assim como os da 3R Petroleum (RRRP3), com avanços de 4,56%.

A Petrobras (PETR3, PETR4) não teve a mesma sorte, e registrou queda de 2,64% e 2,66%, respectivamente. A empresa sofre com temores de troca do comando e interferência do governo na política de preços.

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“Devido ao risco político da Petrobras, o investidor tem preferido manter os investimentos na área do petróleo em uma empresa privada, como a PetroRio”, diz Virgílio Lage, analista da Valor Investimentos.

A alta no preço do minério de ferro, que hoje avançou 4,7%, a R$ 642,24, também beneficiou as siderúrgicas. A CSN ganhou 7,95%, maior destaque positivo do pregão, e a Metalúrgica Gerdau (GOAU4) fechou em alta de 5,51%.

A elevação nos preços das commodities ocorre apesar da alta nos juros dos EUA anunciada ontem pelo Fed. Analistas afirmam que ainda há muito chão para corrigir a alta global nos preços.

Investidores norte-americanos esperam entre sete e oito aumentos ao longo de 2022, chegando a uma taxa anual de juros de 2%, enquanto o mercado brasileiro espera mais um aumento de 1% na próxima reunião, chegando até 13% ao ano.

No lado negativo do principal índice da B3, a Yduqs (YDUQ3) aprofundou as perdas de ontem, caindo 3,60%. O resultado do quarto trimestre de 2021 da empresa foi considerado fraco pelo mercado, com um prejuízo líquido de R$ 74,3 milhões (27,6% inferior à perda reportada um ano antes).

As ações da MRV (MRVE3) despencam 4,89%, também após o balanço do quarto trimestre de 2021. A companhia registrou um lucro ajustado de R$ 322 milhões, uma alta de 64% na comparação com mesmo período de 2020, mas mostrou fraqueza em termos de rentabilidade: a margem bruta de um dos seus principais segmentos caiu 2,1 pontos percentuais e foi a 22,4%.

Em Wall Street, as bolsas fecharam em alta, com investidores analisando a trajetória que o banco central dos EUA estabeleceu para aumentos da taxa de juros – sem deixar de acompanhar as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.

O setor de energia do índice S&P 500 teve maior destaque, após os preços do petróleo voltarem a subir. A alta preocupa norte-americanos quanto à pressão inflacionária.

O Dow Jones fechou em alta de 1,23% a 34.480 pontos; o S&P 500 ganhou 1,23%, a 4.411 pontos; e o Nasdaq avançou 1,33%, a 13.614 pontos.

“No momento, os investidores não estão vendo o plano do Fed como um erro de política monetária. Acho que houve um consenso. Todo mês, toda reunião, os investidores vão reavaliar. Portanto, se a inflação de fato começar a desacelerar, os investidores vão esperar que o Fed reduza essas altas de juros”, disse Mike Bailey, diretor de pesquisa do FBB Capital Partners.

O dólar deixou para trás a indefinição de mais cedo e firmou queda contra o real no pregão de hoje. Embora o Fed tenha ajustado os juros, a taxa Selic a 11,75% continua competitiva e atrai capital estrangeiro para o Brasil, valorizando o real.

O dólar fechou em queda de 1,15%, a US$ 5,0338, na venda. (Com Reuters)

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