1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Lojas Renner aposta em vendas de fim de ano para cumprir projeções
Forbes Money

Lojas Renner aposta em vendas de fim de ano para cumprir projeções

Vendas foram impactadas negativamente pelo clima mais frio do que o normal

4 min
Presidente da Renner, Fabio Adegas Faccio

A Lojas Renner espera que as vendas de novembro e dezembro, impulsionadas por Black Friday e Natal, ajudem a varejista de moda a ter resultados próximos das suas estimativas, disseram executivos nesta sexta-feira (4).

A Renner publicou na véspera salto de 50% no lucro do terceiro trimestre sobre um ano antes, ajudada por efeitos tributários, enquanto as vendas foram impactadas negativamente pelo clima mais frio do que o normal, especialmente em setembro. Também pressionou o resultado a alta na inadimplência de sua unidade de serviços financeiros.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

Por volta de 15h10 (horário de Brasília), as ações da varejista cediam 3,8%, a R$ 29,3 cada, entre as maiores quedas do Ibovespa, que subia 1,6%.

No relatório de resultados divulgado na véspera, a Renner disse que esperava fechar o ano em linha com a expectativa: “crescimento com ganho de market share, margem bruta e Ebitda total nominal –pré IFRS– em patamares próximos aos de 2019”.

Questionados por analistas sobre como a empresa pretende fazer isso, em especial o Ebitda, executivos da empresa citaram ganho de escala pelas fortes vendas de fim de ano. “A despeito das temperaturas mais frias em outubro, acreditamos que o quarto trimestre seja similar ao crescimento do terceiro versus 2019”.

Daniel Martins, diretor administrativo, financeiro e de relações com investidores, observou que cerca de 75% a 80% das vendas do quarto trimestre ocorrem em novembro e dezembro.

O Ebitda total ajustado da Renner nos primeiros nove meses de 2022 foi de R$ 1 bilhão, alta de 100,8% contra 2021. No ano completo de 2019, o Ebitda total foi de R$ 1,9 bilhão no pró-forma e o ajustado de R$ 2 bilhões, com avanços perto de 13%.

Neste sentido, por causa da Copa do Mundo, que pode diminuir o fluxo de compras, a empresa traçou uma estratégia diferente para a Black Friday deste ano, com descontos mais estendidos ao longo do mês, disse o presidente da Renner, Fabio Adegas Faccio.

Os executivos esperam também um ganho de margem bruta a partir de maiores eficiências vindas, por exemplo, de ajustes no investimento em marketing digital.

O movimento de ganho de margem deve se estender nos próximos trimestres, uma vez que o novo centro de distribuição da empresa em Cabreúva (SP) inicia operações no segundo semestre de 2023. A expectativa é alcançar rentabilidade do varejo perto da vista no pré-pandemia entre dois e três anos, segundo Martins.

Realize em dificuldades

Os executivos também destacaram o desempenho abaixo do esperado do braço financeiro Realize. A unidade viu o índice de inadimplência acima de 90 dias atingir 18,6%, um salto ante os níveis de 15,6% e 11,9% registrados no segundo trimestre e um ano antes, respectivamente.

Martins atribuiu o resultado ao cenário macroeconômico hostil, o que fez com que a empresa adotasse política mais conservadora de originação.

“Temos visto a Realize com mais dificuldades, em função desse cenário mais desafiador para inadimplência. A Realize tende a entregar (resultados anuais) piores do que nossas expectativas iniciais”, disse Faccio, acrescentando que espera a partir do ano que vem uma recuperação gradual da unidade.

A Renner deve manter restrições de crédito no quarto trimestre, começando gradualmente a trazer novos clientes a partir de chamado ‘private label’ –que só permite o parcelar compras feitas na própria loja–, segundo Martins.

“A economia ainda está um pouco fragilizada com relação a nível de inadimplência”, disse Martins.

A Realize realizou cessão de crédito de um terço de sua carteira vencida acima de 360 dias por R$ 23,8 milhões, segundo Faccio. A empresa avalia a venda do restante, disse.

Segundo Martins, a Renner costumava tentar recuperar as carteiras acima de 360 dias, mas agora preferiu vender essa parte para focar na recuperação de inadimplência de menor prazo, como entre 180 e 360 dias, que é mais provável de se realizar.

>> Inscreva-se ou indique alguém para a seleção Under 30 de 2022

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.