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Como a cofundadora da Le Lis transformou a Souq em uma empresa milionária

Em comemoração aos dez anos da marca, a Forbes conversou com Bento Guida, filho e sócio de Traudi Guida, para entender mais sobre o negócio

4 min
Divulgação
DivulgaçãoTraudi e Bento Guida, fundadores da Souq

O setor de varejo mudou e evoluiu muito nos últimos 50 anos e Traudi Guida sabe bem disso. A empresária de 77 anos trabalhou, desde jovem, no varejo da moda e cofundou, em 1988, a conhecida Le Lis Blanc, que hoje se denomina apenas como Le Lis e tem capital aberto na B3.

Após a venda da marca em 2007 para a gestora de recursos Artesia, Traudi continuou na direção de criação até 2011, quando decidiu que iria se aposentar e tirar um ano sabático. Porém, a folga durou pouco. Em 2012 ela se juntou ao filho Bento Guida para criar uma nova empresa de varejo do zero. Em 2023, a SOUQ completou 10 anos, com 22 lojas abertas e um faturamento de cerca de R$ 150 milhões.

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“Eu nasci e cresci no meio do varejo de moda e tinha convicção de que não queria trabalhar com isso, mas o chamado foi mais forte”, afirma Bento. Juntos, mãe e filho deram início à SOUQ, que nada mais era do que uma loja de curadoria de itens trazidos da China por Traudi.

“Nós tínhamos a clareza de que o varejo no Brasil estava cada vez mais monótono e, com o dólar custando R$ 2,00, era ainda viável para os clientes consumirem fora do país”, diz Bento. “Então, nós precisávamos fazer algo diferente, que tivesse uma boa dinâmica de custo e benefício, além de muita personalidade.”

Depois de algum tempo planejando o negócio, a dupla inaugurou a primeira loja em novembro de 2013. A ideia era trazer produtos que remetessem a um domingo de manhã. Foi um sucesso desde o início. As vendas superaram as estimativas (e os estoques) dos dois. “Foi um caos, mas aquele caos gostoso de uma operação bem-sucedida”, diz Bento. “Apesar da experiência da minha mãe no setor, foi muito complexo lidar com a execução. Como não tínhamos nenhum investidor nos apoiando, precisávamos realmente acreditar na teoria de errar para acertar.”

Porém, uma loja só não seria suficiente para o negócio se manter em pé, ainda mais dependendo de uma forte demanda de produtos da China. Quando a primeira unidade começou a pagar as contas, a dupla traçou um plano para abrir outras nove.

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Para atingir as metas, Bento diz que foi preciso ter uma mentalidade de startup. “Nós precisávamos crescer, sabíamos que seria necessário fazer aportes de capital ao longo do caminho e que teríamos prejuízo por um bom tempo até conseguir tornar o negócio sustentável”, explica. “A única coisa que atrapalhou nossos planos foi a pandemia.”

Para o executivo, 2020 seria o ano da marca. A companhia havia aberto dez lojas em 2019 e tinha estoque para dobrar de tamanho naquele ano. Porém, a pandemia mudou tudo. Desde então, a SOUQ sofreu mudanças estruturais, que foram sentidas de forma efetiva em 2023, ano que a empresa “renasceu”.

Para este ano, Bento afirma que a marca tem espaço para crescer, independente do cenário econômico do país. Neste ano será inaugurada a Casa SOUQ, em São Paulo, que dará dá início à expansão da marca. A expectativa é abrir 5 unidades até o fim do ano.

Além das lojas próprias, a marca também tem forte presença em varejistas multimarcas em cidades menores e mais afastadas da capital, mas que também representam o público da SOUQ.

“Nós esperamos ter um crescimento de 66% em relação a 2023 e estou otimista de que vamos chegar lá”, afirma Bento. “Nós não disputamos o mercado com ninguém e isso nos dá muito espaço para avançar”.

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