1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Em Ata, Copom Adverte para Piora na Inflação
Forbes Money

Em Ata, Copom Adverte para Piora na Inflação

Texto da reunião do Comitê de Política Monetária avalia que desancoragem de expectativas pode manter juros elevados por mais tempo

3 min
ReutersSede do Banco Central em Brasília: para o Copom, desancoragem de expectativas pode manter juros altos por mais tempo

O Banco Central (BC) divulgou na manhã desta terça-feira (12) a Ata da reunião de nº 266 do Comitê de Política Monetária (Copom), que foi realizada nos dias 5 e 6 de novembro. O texto indicou uma piora nas expectativas do Comitê em relação à inflação.

Uma das razões mais importantes é o aperto no mercado de trabalho. “As recorrentes surpresas de curto e médio prazo na taxa de desemprego reafirmam um mercado de trabalho apertado (…). O dinamismo no mercado de trabalho é compatível com a inflação de serviços, a qual se mantém acima do nível requerido para o cumprimento da meta de inflação”, informa o texto. E acrescenta que “O Comitê seguirá monitorando o momento e a magnitude do canal de transmissão de salários para preços para assegurar a convergência da inflação à meta.”

Segundo a Ata, não há sinais de desaceleração estrutural da economia, apesar de um alívio nos dados. “[A] atividade econômica e o mercado de trabalho domésticos seguem dinâmicos (…)alguns indicadores apresentaram sinais incipientes de moderação (…) sem que se possa concluir tratar-se de uma inflexão no mercado de trabalho ou no ritmo de crescimento”.

Como não poderia deixar de ser, os problemas fiscais estão no centro da avaliação do Comitê. “[O] esmorecimento nas reformas estruturais e disciplina fiscal (…)e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, diz o texto no parágrafo 12.

E continua no parágrafo 13: “A percepção dos agentes de mercado sobre o crescimento dos gastos públicos e a sustentabilidade do arcabouço fiscal vigente vem tendo impactos relevantes sobre os preços de ativos e as expectativas”. Resumindo, sem disciplina fiscal os juros terão de subir até estrangular a economia.

  • Siga o canal da Forbes e de Forbes Money no WhatsApp e receba as principais notícias sobre negócios, carreira, tecnologia e estilo de vida

Cenário internacional

O texto tratou da eleição americana. “Em paralelo, a possibilidade de mudanças na condução da política econômica também traz adicional incerteza ao cenário, particularmente com possíveis estímulos fiscais, restrições na oferta de trabalho e introdução de tarifas à importação”, segundo a Ata.

E também discutiu o cenário para a China, maior parceiro comercial do Brasil. “O Comitê debateu em maior profundidade a desaceleração chinesa (…), as respostas fiscais e monetárias recentemente anunciadas podem trazer algum suporte ao crescimento de curto prazo, mas permanecem desafios para o crescimento de médio prazo.”

O interesse nisso, claro, é o impacto sobre a inflação no Brasil. O texto não deixa dúvidas: “como usual, o Comitê focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica inflacionária interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo”.

Conclusão: apesar de reconhecer alguma melhora nos indicadores, o Comitê segue vendo um panorama negativo para a inflação, provocado principalmente pela desancoragem das expectativas com relação à inflação e com a falta de perspectivas para o aumento da disciplina fiscal.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.