Nesta quarta-feira (18), o Comitê Monetário (Copom) do Banco Central (BC) conclui a sequência de dois dias de reunião para anunciar a taxa de juros que deve vigorar pelos próximos 45 dias. O comunicado sobre o ajuste deve sair no início da noite, após o fechamento da Bolsa, e as apostas dividem o mercado entre a manutenção da taxa atual, de 14,75%, e o aumento de 0,25 ponto percentual.
Essa é uma das reuniões com opiniões mais divergentes nos últimos tempos. Isso porque a série de dados econômicos mais recentes deixam dúvidas sobre a necessidade de um aperto adicional da política monetária. Segundo dados da B3 das opções de Copom negociadas em bolsa, 37,50% dos investidores acreditam na manutenção da Selic, enquanto o restante espera uma alta de 0,25 ponto percentual.
Os diretores do comitê devem levar em consideração alguns dos números apresentados nos últimos dias. Como o recuo no avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) para 0,26% em maio, chegando a 5,32% nos acumulado dos 12 últimos meses. O Produto Interno Bruto (PIB) que, segundo o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) foi de 0,2% em abril, somando 110,2 pontos na série dessazonalizada. Além do mercado de trabalho, que segue aquecido, com a criação de 257 mil novas vagas no quarto mês do ano, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Isso sem falar do cenário externo. Nos Estados Unidos, a guerra tarifária segue longe de ser resolvida. No Oriente Médio, uma crise sem precedentes se desenha com a escalada do conflito armado — com potenciais repercussões na inflação global caso os preços do petróleo continuem subindo.
No último encontro, o Copom deixou os seus próximos passos em aberto, após ajustar a Selic em 0,5 ponto percentual. Vale lembrar que, na segunda-feira (17), a maioria dos analistas consultados pelo BC para a pesquisa Focus mostraram que acreditam na manutenção da taxa.
Segundo especialistas consultados pela Forbes Brasil, a ata de maio indicava um novo e sucinto avanço, mas declarações recentes dos diretores do comitê deram indícios de que a Selic pode ser mantida. Entenda por quais razões, o BC deve manter ou elevar a taxa básica de juros.
Três razões para continuar
O principal ponto defendido por quem acredita que a Selic deve ser mantida são os indícios de desaceleração da economia. Apesar do cenário ser dicotômico, com os níveis de desemprego em 6,6%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente ao mês de abril.
Motivos para a manutenção da Selic em 14,75%:
- Recuo do varejo de 0,4% em abril, após três meses em alta;
- Avanço do setor de serviços em menor proporção, de 0,2% no mesmo período, ante 0,4% em março;
- Menor avanço do IPCA de maio.
Acreditam nesse cenário: JP Morgan, Inter, XP Investimentos, Itaú e Genial Investimentos, embora tenham alguns apontamentos distintos, um deles é o quão unânime será a decisão. A XP considera que a votação será apertada, enquanto o Itaú crê na unanimidade. Para a instituição bancária, manter os juros no nível atual indica o fim do ciclo de aperto, enquanto os efeitos dessa política monetária começam a ficar mais evidentes.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, explica que mesmo com a inflação acima do estipulado, o processo de ajuste com as expectativas leva tempo, mesmo com uma política monetária mais restritiva e um câmbio mais favorável, algo que ela também acredita que pesa a favor da continuidade da taxa.
Três razões para avançar
Embora a economia brasileira dê sinais de arrefecimento, ela ainda mostra resiliência. Por essa razão, uma pequena parte do mercado ainda acredita que a Selic deva ser ajustada em 0,25 ponto percentual, passando a 15% ao ano. O BTG Pactual faz parte desse grupo.
Motivos para ajustar a Selic:
- Resiliência econômica;
- Avanço no setor de serviços;
- Expectativas desancoradas.
Para o banco de investimentos, manter a taxa no nível atual seria algo prematuro, em maior evidência de que a política monetária é transmitida a ponto de convergir com a meta. Isso porque a inflação ainda está acima do projetado pelo BC, de 3,00%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. No entendimento do BTG, elevar a Selic é uma forma justamente de alinhar essa expectativa com a política monetária, enquanto começa um processo de desinflação.