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Como o ex-CEO da Victoria’s Secret Lucrou Bilhões com a IA CoreWeave

Les Wexner, que construiu impérios como Abercrombie & Fitch e The Limited, tornou-se um dos maiores vencedores da corrida da IA

8 min

Les Wexner deixou o cargo de presidente do conselho da L Brands há cinco anos e começou a vender sua participação na controladora da Victoria’s Secret. O caso ocorreu em meio à polêmica sobre sua estreita relação com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais que se suicidou na prisão. Muitos acreditavam que Wexner, então com 82 anos, se retiraria para sua propriedade em New Albany, Ohio.

Em vez disso, o empresário mais do que dobrou sua fortuna graças, em grande parte, a investimentos estratégicos em um setor diferente: o da tecnologia. Apenas nos últimos três meses, o patrimônio líquido de Wexner — que inclui ativos em nome de sua esposa Abigail e de seus filhos — saltou de US$ 7,9 bilhões (R$ 43,92 bilhões) para US$ 10,1 bilhões (R$ 56,16 bilhões), segundo estimativas da Forbes.

O principal responsável por esse aumento foi uma participação de 4% na CoreWeave, uma das empresas de inteligência artificial mais comentadas do momento. Na segunda-feira, a CoreWeave anunciou a aquisição da mineradora de criptomoedas Core Scientific em um acordo de ações avaliado em US$ 9 bilhões (R$ 50,04 bilhões).

O valor de mercado da CoreWeave quase triplicou desde sua abertura de capital em março, atingindo hoje quase US$ 73 bilhões (R$ 406,88 bilhões), e a participação de Wexner agora vale US$ 2,8 bilhões (R$ 15,57 bilhões).

A Forbes já havia informado como Wexner obteve sua fatia na CoreWeave, fundada em 2017 em Livingston, Nova Jersey. Graças a um aporte acertado feito pelo gestor de recursos de Wexner na época, um fundo criado em benefício de seus quatro filhos — Sarah, Hannah, David e Harry — aparentemente investiu US$ 1 milhão (R$ 5,56 milhões) na CoreWeave em 2019; em 2021, aportou mais US$ 600 mil (R$ 3,34 milhões) na rodada de financiamento Série A da startup. Quando a empresa abriu capital, em março, as ações de Wexner na CoreWeave já valiam US$ 730 milhões (R$ 4,06 bilhões).

Crescimento

A CoreWeave, que tem apenas oito anos, ajuda empresas a construírem centros de dados e fornece acesso remoto a unidades de processamento gráfico — as famosas GPUs —, altamente requisitadas por empresas como Microsoft, IBM e Meta para o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.

Com demanda de sobra, a empresa registrou US$ 982 milhões (R$ 5,46 bilhões) em receita no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 420% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, ainda não obteve lucro e apresentou um prejuízo líquido de US$ 315 milhões (R$ 1,75 bilhão) no mesmo intervalo.

Apesar disso, a valorização da CoreWeave continua acelerada, criando fortunas bilionárias para seus maiores acionistas — embora eles não possam vender suas ações até o fim do período de lock-up do IPO, em setembro. O sucesso da empresa já gerou pelo menos quatro novos bilionários, incluindo os três cofundadores da CoreWeave: Michael Intrator (patrimônio estimado em US$ 9,9 bilhões — R$ 55,04 bilhões), Brian Venturo (US$ 6,1 bilhões — R$ 33,92 bilhões) e Brannin McBee (US$ 4,5 bilhões — R$ 25,02 bilhões).

O investidor inicial e membro do conselho Jack Cogen também se tornou bilionário, com patrimônio estimado em US$ 3,5 bilhões (R$ 19,46 bilhões).

Disputa judicial e outros negócios

A Forbes descobriu a participação da família Wexner na CoreWeave por meio de um processo judicial movido pela empresa de gestão de patrimônio Florence Capital Advisors na Corte Distrital dos Estados Unidos no Distrito Sul de Nova York, em maio de 2024.

No processo, a Florence Capital Advisors alegou ter direito a uma taxa de quase US$ 7 milhões (R$ 38,92 milhões) por ter aconselhado o fundo da família Wexner a investir na CoreWeave nos primeiros anos da empresa. Um representante do fundo respondeu acusando a gestora de “conduta fraudulenta” e “múltiplas violações do dever fiduciário”. O caso ainda está em andamento.

Um porta-voz de Wexner não respondeu ao pedido de comentário da Forbes para esta matéria, enquanto o fundador e CEO da Florence Capital, Greg Hersch, preferiu não comentar devido ao litígio em curso.

Wexner e sua família, que teriam embolsado mais de US$ 2 bilhões (R$ 11,12 bilhões) líquidos de impostos com a venda de ações da L Brands entre 2020 e 2021, provavelmente possuem outros investimentos em startups que ainda não vieram à tona.

Além da participação na CoreWeave, os Wexner são donos de uma incorporadora imobiliária sediada em New Albany, com propriedades avaliadas em US$ 950 milhões (R$ 5,28 bilhões) em toda a região central de Ohio, uma coleção de arte estimada em US$ 1,4 bilhão (R$ 7,78 bilhões), um iate de quase 90 metros, uma coleção de Ferraris e um portfólio de imóveis de luxo ao redor do mundo no valor de cerca de US$ 300 milhões (R$ 1,67 bilhão).

Wexner pode parecer um pioneiro improvável no mundo acelerado da inteligência artificial. No entanto, ele passou anos preparando seu estado natal, Ohio, para estar na vanguarda da revolução tecnológica.

Ele é dono da New Albany Company, uma influente incorporadora imobiliária na região central de Ohio, que liderou a transformação de New Albany — então uma pequena cidade rural no início dos anos 1980 — em um polo econômico com instalações industriais para suas diversas marcas de moda, empregando milhares de pessoas. “Como a The Limited estava aqui, Columbus virou o centro de distribuição”, explica Kevin Cox, professor da Universidade Estadual de Ohio e autor de “Boomtown Columbus”, livro de 2021 sobre o desenvolvimento econômico na região da capital de Ohio.

Desde 2019, a New Albany Company vendeu terras para gigantes da tecnologia como Meta, Amazon, Microsoft e Google, para a construção de centros de dados na região. Esses projetos, muitas vezes incentivados por isenções fiscais estaduais ou locais, geraram controvérsia pela escassez de empregos que criam.

A New Albany Company também teve papel decisivo na escolha de Johnstown, cidade próxima, como o local onde a Intel anunciou, em janeiro de 2022, a construção de uma fábrica de semicondutores avaliada em mais de US$ 28 bilhões (R$ 155,68 bilhões), com o objetivo de fortalecer a produção doméstica de chips essenciais. O projeto da Intel, que inicialmente deveria ser inaugurado este ano, está paralisado devido a problemas financeiros mais amplos da divisão de fabricação de chips da empresa. A atualização mais recente indica que a obra será concluída com cinco anos de atraso e deve ser inaugurada em 2031.

Expansão tecnológica em Ohio

Ainda assim, Wexner continua a se beneficiar da onda de interesse tecnológico em New Albany. Em janeiro, a empresa de IA militar Anduril anunciou a instalação de uma fábrica “hiperescala” de US$ 1 bilhão (R$ 5,56 bilhões) nos arredores de Columbus, onde pretende produzir dezenas de armas e sistemas autônomos por ano.

Nos últimos meses, Google, Meta e a empresa de biotecnologia Amgen anunciaram expansões de suas instalações na região. A companhia de Wexner costuma ser a vendedora nessas transações de grandes proporções. Essas gigantes da tecnologia estão pagando valores elevados por terrenos: no mês passado, o Google pagou US$ 741 mil (R$ 4,12 milhões) por acre para adquirir quase 85 acres (343.983 metros quadrados) no Parque Empresarial de New Albany.

A New Albany Company também está em processo de expansão. Segundo o Columbia Business First, uma subsidiária da incorporadora vem comprando silenciosamente, ao longo dos últimos dois anos e meio, mais de 1.200 acres (4.856.228 metros quadrados) de terras em Marysville, uma pequena cidade rural a cerca de 40 minutos de New Albany, onde planeja construir dois parques empresariais voltados para uso industrial e inovação. Por meio da New Albany Company, Wexner ainda possui mais de 3.200 acres na região central de Ohio, avaliados em US$ 950 milhões (R$ 5,28 bilhões).

Durante uma reunião do conselho do Wexner Medical Center e do Nationwide Children’s Hospital, em maio, Wexner, que preside o conselho, teria afirmado que “provavelmente o maior investimento em IA do mundo acontecerá em Columbus.”

“Columbus é a maior cidade de Ohio”, disse ele durante a reunião, conforme relatado pelo The Columbus Dispatch. “Nós não divulgamos isso — e eu sei, pelo setor imobiliário em que atuo, que as pessoas sempre se surpreendem com o nosso tamanho e a rapidez com que crescemos.”

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