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BR Partners Estreia na Nasdaq de Olho em Fundos Globais

Listagem foi realizada por meio de ADRs e visa também corrigir distorções de valuation

4 min

Ao tocar o sino do encerramento das operações desta terça-feira (17) na Nasdaq, o CEO da BR Partners, Ricardo Lacerda, marcou simbolicamente a listagem das ações do banco de investimentos na segunda maior bolsa do mercado americano, e também uma das maiores do mundo.

Sua intenção é a de que o tilintar seja ouvido mundo afora e busque investidores globais interessados em aportes em empresas brasileiras sem necessidade de operar diretamente no mercado local. Com isso, a BR Partners pretende ampliar a exposição da companhia, propagada como o maior banco de investimentos da América Latina, a uma base mais diversificada de acionistas.

Segundo comunicado do banco, a listagem foi realizada por meio do programa de American Depositary Receipts (ADRs), os certificados negociados nos Estados Unidos que representam ações de companhias estrangeiras. O objetivo é o de ampliar a base acionária, e, assim, fortalecer a atratividade junto a fundos estrangeiros.

Agora, a BR Partners tem dupla listagem, já que também está na B3 desde junho de 2021, quando realizou o seu IPO e captou R$ 400 milhões. 

“Ao longo dos últimos 15 anos, o BR Partners consolidou um modelo de negócios independente e de alta rentabilidade, mesmo diante de cenários econômicos desafiadores. Estar na Nasdaq é mais um marco dessa trajetória, que reforça nossa posição entre as instituições financeiras de referência na América Latina”, afirma  Vinicius Carmona, diretor de RI do banco, em nota emitida por sua assessoria.

Com a entrada da BR Partners na Nasdaq, a BR Partners passa a ser regulada também pela SEC, a CVM dos EUA. 

Outro objetivo anunciado pelo banco ao emitir suas ações listadas no Brasil pelo mercado dos Estados Unidos e ganhar maior visibilidade internacional é o de buscar melhor reconhecimento entre os seus pares já listados por lá e uma valorização  mais justa de suas ações, sobretudo num cenário em que terá outros bancos independentes 

Retrospecto e projeções

Ao estrear na B3, em 21 de junho de 2021, os papéis foram precificados a R$ 16, fechando a R$ 16,55 (alta de 3,44%) no seu primeiro pregão. Pelos dados da B3 disponíveis às 11h15 desta quinta-feira, as units chegaram a R$ 17,98, numa queda de 0,39%.

Já os dados referentes ao segundo trimestre de 2025 indicam que a BR Partners atingiu a receita total de R$ 139,3 milhões, cifra que representa uma alta de 9,3% em relação ao trimestre anterior. Entretanto, no comparativo com igual período de 2024, registrou queda de 1,9%, impacto da menor atividade em fusões e aquisições, um dos pilares de atuação do banco.

Os destaques  ficaram por conta do desempenho em treasury sales & structuring, que avançou 38,9% no trimestre, e de capital remuneration, beneficiado pelo patamar mais alto da taxa CDI e pelo efeito de carregamento de títulos.

Um dos segmentos que o banco apresentou expansão foi em wealth management, numa alta de 13,7% no período, com captação líquida de R$ 1,7 bilhão. 

O lucro líquido somou R$ 45,2 milhões no trimestre, crescimento de 4,9% sobre o período anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) atingiu 22,6%, com Índice de Basileia em 21,4%. 

Em conferência com analistas da XP em agosto, logo após a divulgação de resultados do primeiro semestre deste ano, Lacerda e Carmona falaram que o banco tem encontrado força especialmente no mercado de renda fixa.

Segundo o texto, com uma estratégia de independência na originação, sem comprometer balanço próprio, a instituição se consolidou como referência em operações de refinanciamento, garantindo resiliência mesmo em ambiente de Selic elevada. O cronograma de emissões permanece robusto, e a aposta em nichos de maior complexidade e garantias adicionais, voltados a investidores institucionais e family offices, assegura margens mais saudáveis e recorrência de receitas.

Os executivos também abordaram o avanço em produtos estruturados, como FIDCs e CRIs. Para os próximos passos, a prioridade é ampliar participação em investment banking, DCM, tesouraria e wealth management.

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