Enquanto 48 seleções disputam o melhor desempenho na Copa do Mundo de 2026, um levantamento da B3 mostra que o torcedor-investidor brasileiro já tem, há tempos, acesso a boa parte desse mapa.Por meio de ETFs, ETFs Globais e BDRs listados na bolsa paulista, é possível colocar dinheiro em 22 dos 48 países que disputam o Mundial, sem sair do home broker e, principalmente, sem pagar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na remessa para o exterior.
O mecanismo é simples. Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de índice negociados em bolsa como se fossem uma ação, e replicam o desempenho de uma cesta de ativos (pode ser o mercado de um país inteiro, de uma região ou de um setor).
Já os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são recibos negociados no Brasil que representam ações ou cotas de fundos internacionais. Juntos, os dois formatos abrem uma janela de oportunidade para o investidor brasileiro dolarizar parte da carteira sem abrir conta em corretora estrangeira.
Especialistas já apontaram que a diversificação deixou de ser opcional.
Cruzando essa lista de ativos com o histórico de retornos calculado pela Quantum Finance, empresa de tecnologia de inteligência e análise de investimentos, dá para ver quem decidiu a temporada dentro da carteira.
O artilheiro inesperado: Coreia do Sul goleia o resto do mundo
Se a Copa do Mundo estivesse acontecendo dentro da B3, o troféu de melhor desempenho nem seria disputado. O BEWY39, ETF Global que replica o índice MSCI Korea 25/50, acumulou alta de praticamente 190% em 12 meses (de 16 de junho de 2025 a 16 de junho de 2026) e de quase 96% somente em 2026, a maior valorização entre todos os 22 países mapeados pela B3.
O Kospi, equivalente ao nosso Ibovespa, principal índice da bolsa sul-coreana encadeou uma sequência de recordes históricos ao longo de 2026, ultrapassando a marca dos 9.000 pontos, embalado pela demanda global por chips de memória de alta performance (HBM) usados em servidores de inteligência artificial.
A Samsung Electronics, gigante que puxa o índice oriental, reportou lucro recorde no período. A marca chegou a registrar um salto de mais de 700% no lucro operacional trimestral na comparação anual e casas como Goldman Sachs e JPMorgan revisaram para cima suas projeções para o mercado ao longo do ano.
Na sequência, aparecem o próprio mercado americano: o SPXR11, ligado ao S&P 500, subiu cerca de 39% em 12 meses e 14% só em 2026.
Em seguida, uma dobradinha latino-americana: o ETF Global BILF39, que acompanha o índice S&P Latin America 40 (e dá exposição a Colômbia, México, Chile, Peru e Brasil), avançou 29% no acumulado de 12 meses.
Os ETFs que replicam o Ibovespa, são oito ao todo na B3, entre eles BOVA11, BOVV11, BOVX11, BBOV11, BOVS11, IBOB11 e XBOV11, também tiveram uma boa Copa, com valorização próxima de 24% no período, uma vantagem natural de estarem surfando um dos ciclos mais fortes da bolsa brasileira em anos.
Completam o grupo de melhores retornos México, Espanha, Japão e Canadá, todos entre 19% e 20% em 12 meses.
Do lanterna à zona neutra: Europa patina, Alemanha é a pior do grupo.
Lanternas do campeonato
Nem todo mundo teve uma boa campanha.Na outra ponta da tabela está a Alemanha: o BEWG39, atrelado ao índice MSCI Germany, recuou cerca de 6,5% em 12 meses e 9% só em 2026, o pior resultado entre os 22 países mapeados.
O bloco europeu, de modo geral, teve um ano mais morno que o resto do mundo. França, que negocia no ticker BEWQ39, subiu apenas 1% em 12 meses e já cai mais de 5% em 2026; Suíça, BEWL39, sobe 6% no ano cheio, mas perde 4,3% no acumulado de 2026.
A Arábia Saudita, sob o ticker BKSA39, também fica no vermelho, com queda de 5,4% no período, e a Austrália, conhecida como BEWA39, fecha os 12 meses praticamente estável, perto da estabilidade.
A bolsa brasileira permite acessar o mercado internacional de forma simples, em reais, dentro de um ambiente regulado, o que inclui além de BDRs de ações e ETFs Globais, fundos locais com exposição a índices estrangeiros e produtos de renda fixa internacional.