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PIB Cresce 0,4% no 2º Trimestre e Confirma Desaceleração da Economia

IBGE credita o baixo avanço ao impacto da política monetária, marcada por juros elevados desde setembro do ano passado; resultados são ligeiramente acima dos previstos pelo mercado

6 min

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 0,4% no segundo trimestre de 2025, em relação aos três meses anteriores, totalizando R$ 3,2 trilhões em valores correntes. Embora positivo, o resultado confirma um ritmo mais lento de expansão da economia, após uma sequência de crescimentos mais robustos desde 2021, segundo dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis, credita o baixo avanço ao impacto da política monetária, marcada por juros elevados desde setembro do ano passado. Segundo ela, atividades como indústrias de transformação e construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário. 

Em sua última reunião, em julho, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve a taxa de juros estacionada em 15%. No comunicado, o comitê relata um ambiente externo mais adverso e incerto, reflexo direto do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, em especial para o Brasil

A análise do IBGE foi a de que as altas dos setores de serviços (0,6%) e da indústria (0,5%) compensaram a variação negativa de 0,1% da agropecuária entre abril e junho deste ano no comparativo com janeiro e março últimos. Já o consumo das famílias avançou 0,5%, enquanto o do governo caiu 0,6% no mesmo período.

Os dados indicam ainda que as exportações de bens e serviços avançaram 0,7%, enquanto as importações caíram 2,9% em relação aos três primeiros meses deste ano. Os dados não refletem o tarifaço de 50% imposto por Trump, que só passaram a vigorar a partir de 1º de agosto. Esse impacto só deve aparecer na próxima divulgação das contas trimestrais, prevista para o dia 4 de dezembro. Ela trará os resultados do terceiro trimestre, mostrando a extensão dos efeitos do tarifaço no PIB.

“O desempenho evita leituras mais negativas sobre a atividade e garante um carrego estatístico de 2,4% para 2025, tornando uma alta de 2,5% no ano mais plausível”, afirma Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Em nota técnica emitida nesta terça-feira, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda prevê um  terceiro trimestre mais fraco. “Embora a desaceleração nas concessões de
crédito venha se acentuando nos últimos meses, junto com o aumento nas taxas de juros
bancárias e na inadimplência, o mercado de trabalho segue resiliente, podendo impulsionar a
atividade junto ao pagamento dos precatórios e à recente expansão do crédito consignado ao
trabalhador”, informa um trecho da nota.

O texto cita que a estimativa de crescimento de 2,5% para 2025 tem leve viés de baixa, “devido à desaceleração mais acentuada do crescimento no segundo trimestre comparativamente ao esperado em julho e ainda em repercussão aos efeitos defasados e cumulativos da política monetária na
atividade econômica”.

No geral, apesar da desaceleração, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996. Já a última variação negativa do PIB, de 0,6%, foi registrada no segundo trimestre de 2021, efeito da pandemia de Covid-19. Apesar disso, naquele ano, o PIB fechou em 4,6%.

Na análise dos técnicos do IBGE, a sustentação do consumo das famílias tem sido crucial para o crescimento, graças ao aumento dos salários reais e à manutenção dos programas de transferência de renda. Já pelo setor externo, a alta das exportações de commodities como soja, milho, petróleo e minério de ferro segue favorecendo o PIB.

Agropecuária sustenta no acumulado

Apesar da desaceleração no curto prazo, na comparação com o segundo trimestre de 2024 o PIB avançou 2,2%, impulsionado pela forte alta da agropecuária (10,1%) e pelo crescimento das indústrias extrativas (8,7%). No acumulado do semestre, a economia cresceu 2,5%, e em quatro trimestres, 3,2%.

“O crescimento interanual do primeiro trimestre já foi significativo. O clima favorável explica as estimativas recordes para a safra recorde de milho e de soja, que puxam esses bons resultados da agropecuária”, afirma Rebeca.

Confira abaixo a variação do crescimento

Indústria

  • Indústrias extrativas: +5,4%
  • Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos: -2,7%
  • Indústrias de Transformação: -0,5%
  • Construção: -0,2%

Serviços

  • Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados: +2,1%
  • Informação e comunicação: +1,2%
  • Transporte, armazenagem e correio: +1,0%
  • Outras atividades de serviços: +0,7%
  • Atividades imobiliárias: +0,3%
  • Comércio: 0%
  • Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social: -0,4%

Repercussão dos analistas

Os resultados confirmam a expectativa do mercado de desaceleração da economia. Para a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, a economia mostrou mais força do que se esperava, o que aumenta as chances de um crescimento maior em 2025. Alguns setores, como serviços e indústria, foram bem, mas o consumo das famílias e áreas como construção tiveram desempenho fraco, segundo avalia. Para o Banco Central, isso significa que os juros devem continuar altos por mais tempo, com cortes só acontecendo mais adiante.

“O desempenho evita leituras mais negativas sobre a atividade e garante um carrego estatístico de 2,4% para 2025, tornando uma alta de 2,5% no ano mais plausível”, afirma Natalie.

Para Rodolfo Margato, economista da XP, os resultados ficaram ligeiramente acima das expectativas de mercado, de 0,3% para o trimestre e de 2,1% no acumulado. Segundo a divulgação do IBGE, os resultados foram, respectivamente, de 0,4% e de 2,2%. Outro dado que chamou a atenção foi a sequência de 19 trimestres de crescimento do setor de serviços. “Os resultados do PIB confirmaram o arrefecimento da demanda interna nos últimos meses ainda que de forma gradual, vide a resiliência do consumo das famílias”, avalia Margato.

Após os resultados desta terça-feira, a XP mantém a expectativa de 2,2% para este ano, e de 1,6% para o ano de 2026.

“O desempenho do segundo trimestre confirma a perda de dinamismo da economia, em linha com o esperado, já refletindo os impactos do aumento da taxa de juros reais sobre a demanda interna. Setores cíclicos como construção civil, indústria de transformação e comércio tendem a sentir mais intensamente essa desaceleração”, diz Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo.

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