O acordo de licenciamento e pesquisa conjunta de US$ 2,6 bilhões (R$ 13,83 bilhões) firmado com a Eli Lilly impulsionou as ações da empresa sul-coreana de biotecnologia ABL Bio em 80% na última semana. A forte valorização transformou Lee Sang-hoon, fundador e CEO da companhia, no mais novo bilionário da Coreia do Sul.
Lee, cidadão norte-americano de 62 anos, é o maior acionista da ABL Bio, com uma participação de 23% registrada em seu nome, avaliada em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,98 bilhões). Sua esposa, Yoo Ju-hee, e seu filho, Lee Jin-young, também possuem pequenas fatias do negócio.
O acordo com a Eli Lilly, anunciado na semana passada, prevê o licenciamento e o desenvolvimento conjunto de novas terapias baseadas no Grabody-B, a tecnologia de anticorpo biespecífico da ABL Bio que atravessa a barreira hematoencefálica. O Grabody-B transporta medicamentos para o cérebro utilizando o mesmo mecanismo que o organismo emprega para levar nutrientes essenciais ao sistema nervoso central.
Pelo contrato, a ABL Bio receberá um pagamento inicial de US$ 40 milhões (R$ 212,8 milhões), além de possíveis parcelas vinculadas a marcos de desenvolvimento que podem chegar a US$ 2,56 bilhões (R$ 13,62 bilhões). Em abril, a empresa assinou um acordo semelhante envolvendo o Grabody-B CK com a gigante farmacêutica britânica GSK, no valor de 2,1 bilhões de libras (R$ 14,89 bilhões).
Em 2022, a companhia também firmou um contrato de transferência de tecnologia e codesenvolvimento de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,85 bilhões) com a francesa Sanofi para o ABL301, seu candidato a anticorpo biespecífico voltado à doença de Parkinson. “Internamente, nós confiávamos na nossa tecnologia”, declarou Lee em uma entrevista na televisão após concluir o acordo.
Instalada no sofisticado bairro de Gangnam, em Seul, a empresa desenvolve um portfólio de anticorpos biespecíficos — moléculas capazes de atingir simultaneamente dois antígenos para aprimorar resultados terapêuticos em câncer e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
A receita da empresa no primeiro semestre registrou aumento de quase cinco vezes em relação ao ano anterior, alcançando 77,9 bilhões de won (US$ 53 milhões; R$ 281,96 milhões). O resultado líquido também mudou de rumo, passando de um prejuízo de 25,6 bilhões de won no ano passado para um lucro de 11,7 bilhões de won. Toda a receita foi proveniente de contratos de transferência de tecnologia.
Inovação que rende bilhões
Em maio, a companhia foi destacada como principal indicação pelo analista Minyong Eom, da Shinhan Securities. “Recomendamos atenção às firmas que acompanham as tendências de desenvolvimento das farmacêuticas globais e possuem plataformas capazes de gerar modelos de negócios diferenciais”, afirmou em seu relatório, ressaltando que a ABL Bio é a “desenvolvedora da única plataforma capaz de atravessar a barreira hematoencefálica que está próxima de validação clínica”.
No início deste mês, a ABL Bio liderou uma rodada Série A de US$ 75 milhões (R$ 399 milhões) na NEOK Bio, startup sediada em Palo Alto e especializada em conjugados anticorpo-fármaco, uma forma de terapia oncológica direcionada que utiliza anticorpos monoclonais. “Nosso investimento na criação da NEOK Bio reforça nosso compromisso em promover inovações terapêuticas transformadoras no dinâmico e crescente campo dos ADCs”, disse Lee, que integra o conselho da empresa, em comunicado divulgando a captação.
Lee fundou a ABL Bio em 2016 e listou a empresa na bolsa tecnológica Kosdaq dois anos depois. Antes disso, ele liderou a divisão de biotecnologia da Hanwha Chemical, braço petroquímico do conglomerado coreano Hanwha Group, atualmente parte da Hanwha Solutions.
Também já foi pesquisador-chefe na farmacêutica norte-americana Exelixis, especializada em tratamentos contra o câncer, e na Genentech — cuja abertura de capital em 1980, na Bolsa de Nova York, foi o primeiro grande IPO do setor de biotecnologia no mundo. Lee possui doutorado em biologia molecular, celular e do desenvolvimento pela Universidade Estadual de Ohio, e realizou pós-doutorado na Harvard Medical School e na Universidade da Califórnia em San Francisco. Ele também tem mestrado e bacharelado em biologia pela Universidade Nacional de Seul.
Lee agora integra o grupo de bilionários da biotecnologia sul-coreana, ao lado de nomes como Seo Jung-jin (US$ 7,6 bilhões; R$ 40,43 bilhões), da gigante de biossimilares Celltrion; Park Soon-jae (US$ 3,9 bilhões; R$ 20,74 bilhões), da Alteogen; Chung Yong-ji (US$ 1,5 bilhão; R$ 7,98 bilhões), da fabricante de injeções anti-rugas Caregen; e Jung Sang-soo (US$ 1,1 bilhão; R$ 5,85 bilhões), da PharmaResearch, produtora de bioestimuladores dérmicos feitos a partir de células de esperma de salmão.
Quem é o novo magnata?
Lee Sang-hoon tem 62 anos e construiu a própria fortuna no setor de biotecnologia. Ele mora em Seul, na Coreia do Sul, possui cidadania dos Estados Unidos, é casado e tem um filho. Formou-se em Ciências pela Universidade Nacional de Seul, onde concluiu o bacharelado e o mestrado, além do doutorado na Universidade Estadual de Ohio.
A ABL Bio foi fundada em 2016 e dois anos depois, Lee levou a companhia à listagem na bolsa Kosdaq. O magnata atua como presidente do conselho, CEO e diretor de pesquisa, liderando a estratégia científica e corporativa da empresa.
Atualmente, Lee tem patrimônio de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,98 bilhões) e ocupa o número 2431 no ranking mundial de bilionários da Forbes.