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Apesar da Melhora na Inflação, Copom Deve Manter Selic Estável em 15%

Especialistas esperam tom duro no comunicado, mas melhora nas projeções de inflação e eliminação do risco de nova alta da Selic

4 min

Os últimos meses foram benéficos para as expectativas de inflação no país. O boletim Focus, que consolida as expectativas do mercado, aponta para um IPCA de 4,55% ao fim de 2025 — acima do teto de tolerância da meta do Banco Central, mas consideravelmente abaixo dos mais de 5,5% projetados em meados deste ano. Ainda assim, parece pouco provável que o BC promova mudanças na Selic nesta noite (05). 

E não é só o Focus que aponta para uma manutenção da taxa básica de juros na reunião desta quarta-feira e no encontro do próximo mês. Diversos bancos de investimentos apontam que apesar da melhora nos indicadores de preço, o mercado de trabalho resiliente — com a taxa de desemprego em 5,6% no 3° trimestre — é o suficiente para manter o nível de cautela atual. 

Na tarde de ontem (04), as opções de Copom negociadas em bolsa apontavam a probabilidade de 98,3% de manutenção em 15% ao ano. Se o cenário se confirmar, essa será a terceira reunião consecutiva com os juros no mesmo patamar. 

“Por um lado, as leituras recentes do IPCA confirmaram a tendência de desinflação, a taxa de câmbio mostra valorização expressiva no acumulado do ano e a maioria dos preços de alimentos está em queda. Por outro, o mercado de trabalho permanece aquecido e há sinais de política fiscal expansionista adiante”, explicam os economistas da XP Investimentos. 

O comunicado

Como costuma ser o caso em decisões em que o desfecho do encontro já é amplamente esperado, as atenções se voltam para o tom do comunicado da decisão. 

O Itaú BBA espera que o Comitê sinalize a melhora nas projeções para o IPCA, mas que mantenha inalterada a comunicação de que a taxa Selic deverá se manter inalterada por um longo período de tempo — parte culpa do mercado de trabalho aquecido e parte pelas perspectivas de inflação ainda fora da meta. 

Já a XP Investimentos acredita que os diretores irão reforçar a mensagem restritiva, porém espera que o Copom alivie o tom e a ênfase com relação à sugestão de uma possível retomada do ciclo de alta de juros. O BTG Pactual também: “Ao migrar da fase de ‘interrupção’ para a de ‘manutenção por período prolongado’, o regime de comunicação passa a outro estágio: o foco passa a ser sobre perseverança e condicionalidade aos dados”, aponta o banco. 

Um ponto comum mencionado por todos os bancos analisados é a expectativa de que o BC revise as suas estimativas de inflação para 2025, 2026 e 2027 — atual horizonte relevante da política monetária. 

Em relatório para clientes, o Bank of America apontou o risco de uma restrição “exagerada” da economia se a taxa de 15% ao ano se manter para além da reunião de dezembro. Hoje, o juros real (Selix ex-inflação) é de 9,6% ao ano. 

“Não reduzir a Selic em dezembro seria um erro de política monetária, considerando a perspectiva benigna para a inflação e os efeitos defasados ​​do aperto monetário anterior”, apontam os analistas em relatório. “Continuamos a esperar um corte de 50 pontos-base em dezembro e que a taxa básica termine o ano em 14,50%. Prevemos um afrouxamento monetário adicional em 2026, atingindo 11,25% no final do ano”. 

A XP acredita que a Selic atingirá 12% ao final de um ciclo de seis cortes consecutivos de 0,50 p.p., com início em março de 2026. “Para que os juros básicos se aproximem do seu nível neutro – em torno de 5,5% em termos reais, segundo nossas estimativas – serão necessárias reformas que reduzam o ritmo de crescimento das despesas públicas”. Os economistas da instituição, no entanto, apontam que a política fiscal tende a se tornar mais expansionista em ano eleitoral. 

O BTG Pactual vê espaço para que o primeiro corte de juros ocorra em janeiro de 2026. “Prevemos desaceleração mais nítida da atividade e do mercado de trabalho no quarto trimestre. Se nosso cenário se confirmar, até janeiro o BC deverá dispor de evidências suficientes de convergência da inflação à meta, o que abrirá espaço para iniciar o ciclo de cortes”, aponta relatório da instituição. 

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