Poucas horas após ter anunciado sua venda para o Grupo Fictor, o Banco Master, do empresário mineiro Daniel Vorcaro, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC).
Segundo o Ato do Presidente nº 1.369, com data desta terça-feira (18) a instituição financeira foi liquidada “em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”. Vorcaro foi preso na noite de segunda-feira (17) no Aeroporto de Guarulhos tentando deixar o país, segundo a Agência Brasil citando fontes da Polícia Federal.
A liquidação do Master é o fim de uma trajetória conturbada do banco. Vorcaro lançou o Master em 2016, com a compra de uma participação no banco Máxima, que já tinha problemas. O Master cresceu aceleradamente a partir de 2020 captando recursos de investidores de varejo por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDB). O atrativo era a remuneração elevada dos papéis, bastante superior à média do mercado, e que chegava a 140% dos juros de mercado.
O atrativo, declarado insistentemente no material publicitário do banco, era a proteção do investidor pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante que depósitos de até R$ 250 mil serão pagos em caso de quebra do banco. A captação cresceu tanto que chegou a representar quase metade dos recursos do FGC.
Como o dinheiro do Fundo vem dos bancos, os líderes do sistema financeiro manifestaram reservadamente seu desconforto com a situação. Há pouco mais de um ano começou a pressão para que o Master encontrasse uma solução de mercado. Foram várias tentativas. O BTG Pactual se ofereceu para comprar o banco por R$ 1,00 e assumir a gestão dos passivos. Mais tarde, em março de 2025, o Master tentou vender suas atividades para o BRB, banco estadual do Distrito Federal, em uma operação vetada pelo Banco Central.
E na segunda-feira (17) foi anunciada a venda do banco para o grupo Fictor em associação com investidores dos Emirados Árabes Unidos, que prometeram uma capitalização de R$ 3 bilhões para o banco. No entanto, na manhã seguinte o Master sofreu a intervenção do BC.