O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões no terceiro trimestre de 2025 (3T25), praticamente estável em relação aos três meses anteriores e em linha com as estimativas de mercado, que apontavam R$ 3,708 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. No mesmo período de 2024, o lucro havia sido significativamente maior, refletindo um ambiente de crédito mais favorável.
No trimestre, o BB registrou margem financeira bruta de R$ 26,365 bilhões, 1,9% acima do mesmo período do ano passado e 5,1% melhor do que no segundo trimestre de 2025. As receitas com serviços ainda caíram 2,6% na comparação anual, mas subiram 1,3% no trimestre.
Após o resultado, o banco revisou para baixo sua previsão de lucro líquido ajustado para 2025, agora estimado entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, contra a projeção anterior, que variava de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões.
A nova estimativa fica abaixo do ponto médio das projeções de analistas compiladas pela LSEG, de R$ 22,375 bilhões para o ano.
A revisão acompanha uma piora no prognóstico para o custo do crédito, que passou para uma faixa de R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões, frente à projeção anterior de R$ 53 bilhões a R$ 56 bilhões.
“Para 2025, reconhecemos que, diante das dificuldades, entregaremos um lucro médio menor que o do ano passado, mas ainda com uma rentabilidade sólida, considerando o volume de provisões que vamos contabilizar”, afirmou o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias.
Agro ainda pressiona
O custo do crédito somou R$ 17,9 bilhões no terceiro trimestre, alta de 12,7% em relação ao trimestre anterior.
“Além do aumento da inadimplência, em especial na carteira agro, houve agravamentos em casos específicos em Grandes Empresas”, afirmou o banco no material de divulgação do balanço.
O indicador de inadimplência acima de 90 dias encerrou setembro em 4,93%, ante 4,21% em junho e 3,33% um ano antes.
Na carteira agro, que tem pressionado os números do BB há alguns trimestres, o índice chegou a 5,34%, influenciado sobretudo pela cultura da soja e pelas regiões Centro-Oeste e Sul, além do impacto de pedidos de recuperação judicial no segmento. O indicador de operações vencidas há mais de 30 dias subiu de 5,53% no fim de junho para 7,78% em setembro.
Pessoas físicas
Na carteira de pessoas físicas, a inadimplência subiu para 6,01%, influenciada pela sobreposição de operações com produtores rurais e aumento nos atrasos da carteira renegociada e de cartão de crédito.
Entre pessoas jurídicas, a taxa ficou em 4,06%. No segmento de micro, pequenas e médias empresas, o índice de inadimplência de operações vencidas há mais de 90 dias foi de 10,25%.
A carteira de crédito expandida totalizou R$ 1,279 trilhão, crescimento de 7,5% em 12 meses, mas com queda de 1,2% na comparação trimestral.
Pessoa física teve alta de 7,9% no ano e de 2,3% no trimestre; pessoa jurídica cresceu 10,4% em 12 meses, mas recuou 3,2% no trimestre. O portfólio agro também retraiu na base sequencial, embora tenha avançado 3,2% em relação ao ano anterior.
O BB encerrou o trimestre com retorno sobre patrimônio líquido de 8,4%, estável frente ao segundo trimestre de 2025.
O índice de capital nível I aumentou para 13,92%, de 13,27% em junho e 13,51% um ano antes. Já o índice de eficiência piorou para 28,1%, ante 27,7% no trimestre anterior e 25,8% em 2024.
O conselho de administração também aprovou o pagamento de R$ 410,6 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao período.