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A História do Bilionário Italiano Que Comandou a Sequoia Capital por 26 Anos

Douglas Leone fez história no mundo do venture capital, mas aponta o trauma da imigração aos Estados Unidos como combustível para os negócios

5 min

Douglas Leone é um dos nomes mais conhecidos internacionalmente quando se fala de venture capital. Seu talento em identificar realidades inovadoras com potencial ainda a ser desenvolvido foi confirmado durante os 26 anos em que liderou a Sequoia Capital entre 1996 e 2022. Hoje, a Forbes estima seu patrimônio pessoal em US$ 10 bilhões (R$ 5,3 bilhões).

O sobrenome revela suas origens italianas. A história da família Leone é uma de tantas de migração no século passado. Ainda assim, de certa forma diferente, porque Douglas Leone teve que superar muitos estereótipos antes de provar que podia fazer a diferença no mundo empresarial.

A história de Douglas Leone

Douglas Leone nasceu em Gênova em 1957. Em uma longa entrevista em vídeo disponível no YouTube, ele recordou os primeiros anos de sua vida, marcados por uma decisão familiar. “Meu pai foi embora quando eu tinha 11 anos para trabalhar nos Estados Unidos. Fui criado por uma mãe amorosa e por três tias, nenhuma das quais, por diferentes motivos, tinha filhos. Sofri uma forte influência educativa feminina. Cheguei à América, a Nova Iorque, com 11 anos, e diria que dos 11 aos 17 eu vivi um trauma”.

O trauma foi o bullying por parte de colegas nascidos nos Estados Unidos contra um garoto imigrante que praticamente não sabia inglês. “Ser acusado de cheirar mal é devastador. Os EUA tendem a ser uma sociedade muito física. Levei socos no rosto mais de uma vez e simplesmente não sabia o que fazer.” Mesmo o esporte, que poderia ser um meio de aceitação social, não ajudou Douglas — acostumado a chutar uma bola com os pés, não a recebê-la ou lançá-la com as mãos.

Como muitos jovens do país, Leone também fazia alguns trabalhos de verão. Não apenas para ganhar algum dinheiro, mas também para ajudar a família. Ele lembrou: “Tínhamos um carro chamado Mercury Monterey que estava bem amassado. Era o carro da família. Não tínhamos dinheiro, e o que eu ganhava vinha dos meus trabalhos de verão. Às vezes, eu trabalhava à noite porque, se me pagassem o dobro e ainda sobrasse tempo livre… então não era incomum eu trabalhar até às 8 da manhã, chegar ao trabalho às 16:30 e começar tudo de novo.”

Ingresso na Sequoia

A educação era considerada muito importante pela família, e Leone provou ser um estudante brilhante: formou-se em engenharia mecânica pela Cornell University em 1979, fez mestrado em engenharia industrial na Columbia University e um MBA na MIT Sloan School of Management. Sua carreira começou com cargos de vendas e gestão em algumas das maiores empresas de tecnologia da época, como Sun Microsystems, Hewlett-Packard e Prime Computer.

A virada aconteceu em 1988, quando ele entrou na Sequoia Capital como junior partner, e especialmente quando assumiu a liderança da firma do fundador Don Valentine em meados dos anos 1990, junto com Michael Moritz.

Leone admitiu que, nos primeiros tempos na Sequoia, sua posição estava em risco: “Quando eu estava prestes a ser demitido da Sequoia — e posso dizer isso com razão, pelo simples fato de ser insuportável — foi Don quem disse para me dar mais tempo”.

A Sequoia Capital é uma das mais influentes gestoras de venture capital do mundo, reconhecida por identificar e apoiar empresas de tecnologia em estágios iniciais que, mais tarde, se tornaram líderes globais. Fundada em 1972, no Vale do Silício, a firma construiu sua reputação ao apostar precocemente em negócios com alto potencial de escala. Entre seus investimentos mais emblemáticos estão companhias como Apple, Google, Airbnb, WhatsApp, Instagram, Stripe e Nvidia, o que consolidou a gestora como uma das referências do ecossistema global de tecnologia.

A Sequoia mantém presença ativa em diferentes regiões, como Estados Unidos, Europa, China, Índia e Sudeste Asiático, adaptando sua estratégia às especificidades de cada mercado.

Principais apostas e legado

Segundo o italiano Repubblica e registros de investimentos da Sequoia sob sua liderança, os principais investimentos assistidos por Leone incluem empresas que se tornaram gigantes tecnológicas, como Google, WhatsApp, YouTube e Airbnb.

Em abril de 2022, Leone deixou o cargo de global managing partner da Sequoia, permanecendo ativo como general partner e supervisionando fundos existentes. Ele continua influenciando o setor de venture capital por meio de sua participação em conselhos de administração e com funções de consultoria estratégica.

Leone disse certa vez que aprendeu que ouvir os outros é fundamental, e que manter-se em forma é essencial para conseguir enfrentar os desafios do dia a dia: “Acordo às 4h30 para treinar. É um compromisso para manter a mente e o corpo o mais saudáveis possível, de modo a estar pronto para enfrentar os problemas do dia.”

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